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Memória

De censura a TV a cores: Como a Ditadura influenciou a televisão brasileira

Desde o Golpe Militar às Diretas Já, TV foi se modificando

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Conflito entre manifestantes e militares
Naian Lucas

Publicado em 31/03/2019 às 08:00:11

Neste domingo (31), completa-se exatos 55 anos do Golpe Militar no Brasil. Durante o período de ditadura, artistas foram censurados e jornalistas perseguidos, contudo, também houve mudanças na televisão brasileira.

Por conta disso, o NaTelinha trouxe uma lista das modificações que aconteceram na TV no Brasil.

Confira abaixo:

Globo, a principal emissora do país

A Ditadura Militar usou da televisão para difundir suas ideias na população, chamada de massa de manobra pelos militares da época. A Globo estreou em 1965 e se tornou fundamental para a consolidação do Governo que aplicou o golpe no ano anterior, retirando João Goulart da presidência. O canal recebeu investimento estrangeiro após formalizar acordo com o grupo Time Life, o que era proibido por lei, mas nunca recebeu punição das autoridades, pois Roberto Marinho apoiou incondicionalmente a Ditadura.

A emissora não noticiava os casos de corrupções, as perseguições políticas, os assassinatos contra comunistas não solucionados e a censura contra os veículos de comunicação feitas pelos militares. Em 2011, o Grupo Globo se retratou e assumiu que cometeu equívocos neste período.

Consolidação da telenovela

Com a Ditadura Militar, a Globo se tornou a maior emissora do país e teve a possibilidade de investir na sua programação. A telenovela ganhou popularidade e status de principal produto artístico e cultural do país. Nomes como Glória Magadan, Janete Clair (foto/acima), Ivani Ribeiro, Lauro César Muniz, Dias Gomes, Cassiano Gabus Mendes, Bráulio Pedroso e Walther Negrão desempenharam papel importante para a consolidação do formato no Brasil.

Contudo, os artistas sofreram censuras e precisaram criar metáforas para escapar dos militares. “Roque Santeiro”, por exemplo, foi cancelada em 1975 faltando 10 dias para sua estreia. Temas morais, como homossexualidade, e citações a Ditadura eram proibidas.

TV a cores

A Globo adaptou seus equipamentos e treinou seus profissionais para utilizar cores na transmissão de imagens. Em 1972, durante a “Festa da Uva” em Caxias do Sul, a emissora exibiu o evento com a nova ferramenta. A Band seguiu os mesmos passos da concorrente.

Extinção da TV Excelsior

A emissora foi inaugurada em 1960 e ficou conhecida por ser ousada. Os profissionais buscavam trazem novas linguagens ao estilo de fazer televisão, principalmente porque recebiam altos salários para desempenhar suas funções.

Mas o canal não abaixou a cabeça para a  Ditadura Militar, relatando aos telespectadores as ações de censura dos militares, e sofreu perseguições. Após a sua sede pegar fogo, o Governo cassou a concessão da Excelsior.

Cassação da TV Tupi

Primeira emissora de televisão do Brasil, a TV Tupi entrou numa séria crise financeira e passou a atrasar salários dos funcionários. Em 1978, a sede do canal em São Paulo pegou fogo, destruindo os novos equipamentos.

Diversas greves aconteceram no final dos anos de 1970 e o ex-presidente João Figueiredo assinou o decreto que encerrou os trabalhos da empresa.

SBT e TV Manchete

Com o fim da TV Tupi, a concessão foi repartida entre o SBT e a TV Manchete. Silvio Santos popularizou sua programação e realizou investimentos em outros segmentos para poder alavancar a arrecadação da emissora. Já a Manchete obteve relativo sucesso durante duas décadas, mas faliu no final dos anos de 1990.

Futebol

As mulheres se distraíam com as novelas e os homens com o futebol. Assim pensavam os militares que mantinham a Ditadura. Com os melhores jogadores em solos brasileiros, o Governo apoiava os clubes e vendia à população a ideia que o esporte levava uma imagem positiva do país para o mundo.

Em 1982, o Corinthians entrou na história por criar a “Democracia Corintiana”, uma forte crítica à Ditadura Militar.

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