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Memórias da Telinha

Há 10 anos, SBT produzia sua última novela adulta com beijo gay e polêmica com militares

Da autoria de Tiago Santiago, Amor e Revolução foi exibida em 2011

Cena de Cláudio Lins e  Graziella Schmitt em Amor e Revolução
Cláudio Lins e Graziella Schmitt protagonizaram Amor e Revolução - Foto: Divulgação/SBT
Thiago Forato

Publicado em 10/04/2021 às 07:41:50,
atualizado em 10/04/2021 às 12:19:44

Em 5 de abril de 2011, o SBT estreava aquela que foi sua última novela adulta produzida até aqui: Amor e Revolução. Com texto de Tiago Santiago e direção de Reynaldo Boury, a trama enfrentou abaixo-assinado dos militares pedindo o cancelamento da trama e teve até o primeiro beijo gay exibido entre as personagens de Giselle Tigre e Luciana Vendramini.

A expectativa em torno de Amor e Revolução era alta. Afinal de contas, essa seria a segunda novela de Tiago Santiago no SBT, que havia escrito Uma Rosa com Amor (2010). Desta vez, a promessa de mais investimentos. Estima-se que a emissora tenha injetado R$ 40 milhões para produzir a novela ambientada durante a Ditadura Militar.

Apesar de toda a pompa e de nomes conhecidos no elenco como Cláudio Lins, Graziella Schmitt, Thaís Pacholek, Nico Puig, Patrícia de Sabrit, Jayme Periard, dentre outros, a novela não decolou. Exibida entre abril de 2011 e janeiro de 2012, totalizando 204 capítulos, o folhetim marcou apenas 4,8 pontos de média geral. Exibida na faixa das 22h, nunca conseguiu alcançar 8 pontos.

As polêmicas de Amor e Revolução

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Logo quando estreou, uma associação de militares reformados lançou um abaixo-assinado na internet que pedia a censura da novela do SBT. Tiago Santiago disse que a tentativa era inconstitucional e interessava apenas a "torturadores e assassinos" do regime.

Em uma entrevista ao NaTelinha, Santiago falou sobre o protesto: "Achei despropositado, porque a novela é respeitosa com as Forças Armadas, mostrando herói militar e oficiais democratas, a favor da legalidade. Em diversos trechos da novela, há menções favoráveis a militares, evidenciando que nem todos participaram do golpe e da violenta repressão à oposição".

Primeira trama a tentar retratar os "anos de chumbo", Silvio Santos, como não poderia deixar de ser, fez sugestões em seu dominical. Ele pediu mais amor e menos revolução, o que foi atendido pelo autor, mas por vontade própria. "Acredito que o Silvio manifestou a opinião dele, livremente, porém como patrão, tem permanecido isento, com zero interferência. E eu o admiro por ter permitido que fizéssemos a novela no SBT", elogiou ele numa entrevista ao Estadão.

Ao longo da trama, Santiago e o diretor Reginaldo Boury se desentenderam. O autor chegou a dispensá-lo, mas tudo se resolveu através de Daniela Beyruti, que comandava o artístico do SBT. "Foi apenas uma discussão de pessoas que trabalham juntas. Mas já está tudo bem. Admiro o trabalho dele e vamos continuidade à parceria", disse.

O beijo gay de Amor e Revolução

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As personagens Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre) deram um beijaço no capítulo de 12 de maio de 2011. O momento do beijo rendeu apenas 6 pontos ao SBT, que viu uma enorme repercussão da cena.

O público, segundo o SBT, não gostou tanto assim da cena e cortou uma delas semanas depois. "A Giselle me ligou e disse que a cena não foi exibida. Não entendemos o porquê. Foi uma decepção", disse Luciana Vendramini ao Agora São Paulo em setembro de 2011.

Um beijo gay masculino também foi vetado. "Foi uma decisão soberana da direção e acatei. Resta esperar fazer alguma novela que eu tenha mais oportunidade", lamentou ele à Folha de São Paulo em julho daquele ano.

Amor e Revolução teve cerca de oito meses de gravações, de janeiro até o mês de agosto. A novela terminou apenas em janeiro do ano seguinte e não teve substituta direta. A faixa das 22h deixou de ser ocupada por novelas. Corações Feridos, gravada em 2010, foi ao ar às 20h30 em 2012.



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