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Vilã em Tieta, Joana Fomm vê muitas Perpétuas em 2020: “A começar pelo presidente”

Exibida há 30 anos, novela disponível no Globoplay faz ode à liberdade e crítica ao conservadorismo

Vilã em Tieta, Joana Fomm vê muitas Perpétuas em 2020: “A começar pelo presidente”
Para Joana Fomm, Tieta ganha "nova dimensão" no momento atual - Fotos: Divulgação/Globo

Publicado em 16/06/2020 às 04:00:00

Por: Walter Felix

Intérprete da antológica vilã Perpétua, Joana Fomm está entre os fãs de Tieta que pretendem maratonar a novela, disponível desde a semana passada no Globoplay. “Não gosto de revisitar meus personagens. Alguns eu até esqueço. Mas a Perpétua foi muito importante para mim. Foi uma fase muito feliz da minha vida”, conta a atriz, em entrevista ao NaTelinha.

Adaptação do romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado, e exibida com audiência histórica entre 1989 e 1990, a novela mostra mais uma vez que sobreviveu ao tempo. Em 2017, quando reexibida pelo Viva, foi a reprise recordista de público no canal, até aquela época. Agora, no Globoplay, já figura entre os três títulos mais pesquisados pelos usuários da plataforma.

O fato de a história sobreviver aos novos tempos com tanto êxito não surpreende Joana Fomm. “Tieta é uma novela que vai ficar para sempre. O texto é muito bom, os atores são muito bons. E a novela passa um recado importante e atemporal. É uma crítica a certos tipos de pessoas, a uma sociedade como ainda é a nossa”, avalia a atriz.

Com um discurso libertário, que evoca o direito de cada um viver sua sexualidade como bem entender, o texto assinado por Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares não poderia ser mais atual. Em contraposição à personagem-título, vivida por Betty Faria, a antagonista Perpétua era uma beata hipócrita e moralista.

Na visão da intérprete, figuras ultraconservadoras e fanáticos religiosos como Perpétua são mais comuns hoje que há 30 anos. “A começar pelo presidente. Por isso a novela ser exibida neste momento é tão importante. Acho que ela ganha uma nova dimensão”, crava Joana.

Para a veterana, Tieta tem muito a ensinar ao Brasil de 2020. “Foi um fantástico trabalho de equipe. Do texto, passando pelos atores, equipe técnica, produção e até direção. Se as pessoas prestarem atenção, poderão aprender muito com a Perpétua e com os outros personagens”, acredita.

Para compor Perpétua, Joana Fomm se inspirou no Odorico Paraguaçu de Paulo Gracindo: “Morria de inveja da maneira como ele fazia”

Mesquinha e invejosa, Perpétua rivaliza com a irmã desde a juventude e cria intrigas para que Tieta seja expulsa da fictícia Santana do Agreste pelo pai, Zé Esteves (Sebastião Vasconcellos). Anos mais tarde, a heroína retorna à cidade disposta a se vingar, e a beata, viúva e infeliz, segue a atormentar sua arquirrival na maturidade.

No fim da década de 1980, quando foi convidada para dar vida à megera, Joana Fomm já tinha interpretado vilãs memoráveis, como a possessiva Yolanda Pratini, de Dancin’ Days (1978), e a racista Lúcia Gouveia, de Corpo a Corpo (1984). Ambas as granfinas, típicas do autor Gilberto Braga, nada tinham a ver com Perpétua, segundo a atriz.

“Fiz a Perpétua meio caricata. Busquei um caminho circense para a atuação. Talvez a grande inspiração tenha sido o grande Paulo Gracindo (1911-1995), e seu inesquecível Odorico Paraguaçu (demagogo político de O Bem-Amado, novela de 1973 que virou série entre 1980 e 1984). Eu assistia e morria de inveja da maneira como ele fazia”, revela Joana.

Ela conta que, até ser escalada, não havia lido Tieta do Agreste, mas seguiu o conselho de um ilustre colega ao aceitar o papel na adaptação para a TV. “Eu não conhecia a obra do Jorge Amado. Comecei a me interessar por ele a partir daí. Mas meu amigo Armando Bógus (1930-1993) me disse que era um personagem maravilhoso, então eu aceitei”, lembra. O ator também esteve no elenco como Modesto Pires, o homem mais rico – e infiel – de Santana do Agreste.

Entre fevereiro e março, atriz gravou comédia de terror, ainda inédita

O trabalho mais recente da atriz de 80 anos foi o longa-metragem Assombro, comédia de terror dirigida por Felipe Joffily – responsável por Muita Calma Nesta Hora (2010) e E Aí… Comeu? (2012). Filmado entre fevereiro e março, o filme acompanha três fantasmas, presos em uma casa mal-assombrada, que precisam espantar os novos moradores. Ainda não há data para lançamento.

Em quarentena por conta da pandemia do coronavírus, Joana Fomm dá detalhes sobre seu dia a dia neste período de isolamento social. “Tenho visto muitos filmes e séries. Assisto a todos os programas de jornalismo. Essa é minha rotina de quarentena. Não há como fazer muito mais que isso”, diz.

A veterana está afastada da TV desde o ano passado, quando fez participação na série Sob Pressão, da Globo, como a Irmã Graça (foto). Entre 2017 e 2018, esteve em Apocalipse, na Record, que marcou seu retorno às novelas.

Por ora, Joana segue sem previsão para voltar à ativa. “Espero que cheguem convites e propostas para novos trabalhos, mas enquanto não superarmos essa fase difícil da pandemia nada acontece”, pontua.

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