Sucessos

De Tieta a Senhora do Destino: os fenômenos de Aguinaldo Silva

Autor ganhou o apelido de campeão de audiência

De Tieta a Senhora do Destino: os fenômenos de Aguinaldo Silva
Aguinaldo Silva deixou a Globo - Foto: Reprodução

Publicado em 02/01/2020 às 19:50:00 ,
atualizado em 02/01/2020 às 20:06:45

Por: Daniel César

Após o fracasso e confusões em O Sétimo Guardião (2018), Aguinaldo Silva não teve seu contrato renovado com a Globo. Mesmo responsável pelas maiores audiências da emissora no campo da dramaturgia, a trama que marcou a volta do autor ao realismo fantástico foi a gota d’água para dar um ponto final na parceria dele com o canal.

Só que a carreira de Aguinaldo vai muito além do enredo protagonizado por Bruno Gagliasso e Marina Ruy Barbosa. Ele teve papel fundamental em sucessos como Roque Santeiro e Vale Tudo, além de ter guiado Tieta e Senhora do Destino.

Por conta disso, confira a lista de sucessos de Aguinaldo Silva abaixo:

Roque Santeiro (1985)

A história era uma sátira do Brasil da época e contava os segredos da cidade de Asa Branca, onde os moradores acreditavam em supostos milagres de Roque Santeiro (José Wilker), um coroinha e artesão de santos de barro que teria morrido como mártir ao defender o município do bandido Navalhada (Oswaldo Loureiro).

O falso santo, entretanto, volta em carne e osso quase duas décadas depois, ameaçando o poder e a riqueza de autoridades. Sinhorzinho Malta (Lima Duarte) se torna o grande rival de Roque e eles formam um triângulo amoroso com Viúva Porcina (Regina Duarte).

A criação foi de Dias Gomes em 1975, mas a trama foi impedida pela ditadura militar de ir ao ar. Dez anos depois, a Globo retornou com o projeto e a história se tornou em um grande fenômeno, tendo a maior média de audiência da história com 74 pontos.

Aguinaldo Silva se tornou o titular a partir do capítulo 41, mas entregou a história de volta a Dias a partir do capítulo 163, guiando a produção até o capítulo 209.

Vale Tudo (1988)

O criador do argumento de Vale Tudo foi Gilberto Braga e o autor tinha muito cacife dentro da Globo, já que havia escrito grandes sucessos como Escrava Isaura (1976) e Dancin' Days (1978). Mas ele convidou Leonor Bassères e Aguinaldo Silva para escrever em parceria.

A produção tinha como pano de fundo questionar até que ponto vale ser honesto em um país em que todos são desonestos. Claro que a trama se tornou um fenômeno – há quem considere a novela mais bem-sucedida da história do Brasil – e, segundo o Memória Globo, Aguinaldo ficava responsável por fazer as escaletas.

Tieta (1989)

Primeiro fenômeno indiscutível de Aguinaldo Silva, já que ele teve que dividir as honras de Vale Tudo e Roque Santeiro com outros companheiros. A novela tem início quando Tieta (Claudia Ohana) é escorraçada da cidade pelo pai, Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos), irritado com o comportamento liberal da jovem e influenciado pelas intrigas de sua outra filha, Perpétua (Adriana Canabrava).

Humilhada, ela vai embora e promete voltar para se vingar. Depois de 25 anos, Tieta (Betty Faria) reaparece em Santana do Agreste, rica, exuberante e decidida a se vingar das pessoas que a maltrataram. A ousada Tieta diz que veio para ficar e acaba mudando a rotina de todos os moradores da pequena cidade.

A produção teve uma audiência avassaladora – média de 65 pontos – e sempre entra na lista das melhores novelas da história de especialistas de dramaturgia.

A Indomada (1997)

A história se passa na fictícia Greenville, cidade do litoral do Nordeste ocupada pelos ingleses no século XIX para a construção da ferrovia Great Western Railway, e onde costumes britânicos e nordestinos se misturam. Altiva (Eva Wilma), mulher má e mesquinha, causou as maiores vilanias e entrou no hall de grandes vilãs da TV.

A produção se tornou outro grande sucesso da carreira de Aguinaldo Silva e o Brasil se rendeu ao bordão “Oxente, my god”. O realismo fantástico da história continuava em alta no país e o autor se mostrava um especialista no estilo.

Senhora do Destino (2004)

Novela de maior audiência do século e com uma vilã de tirar o fôlego, Nazaré Tedesco (Renata Sorrah). Após Porto dos Milagres (2001) não ter tido a repercussão esperada por Aguinaldo Silva, ele resolveu apostar numa trama urbana e conseguiu conquistar o público.

O autor trouxe temas atuais e abordou de forma nua e crua. Porém, não deixou de lado o bom humor do seu texto, tanto que Nazaré e Giovanni Improtta (José Wilker) ganharam o coração do público e viraram personagens icônicos. O enredo fechou com média geral de 50 pontos.

 Império (2014)

Quarta novela consecutiva de Aguinaldo Silva sem ter realismo fantástico. Por sinal, o autor buscou uma linguagem mais próxima das séries, apostando em um protagonista ao invés de uma protagonista. O Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) era um verdadeiro anti-herói e ganhou o carinho do público.

Se as vilãs eram a marca registrada do autor, na novela não obteve tanto sucesso com as vilanias das mulheres. Cora (Drica Moraes/Marjorie Estiano) e Maria Marta (Lília Cabral) foram perdendo o posto de malvadas para um vilão misterioso que só foi descoberto sua verdadeira identidade na última semana. Império ganhou o prêmio Emmy Internacional de 2015.




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