"Verdinha" em xeque: Ludmilla pode ter violado lei municipal em show de Réveillon; entenda
Apresentação na Praia de Icaraí é alvo de denúncia por suposta apologia às drogas; vereadora aponta descumprimento da recém-sancionada 'Lei Anti-Oruam' pelo governo municipal
Publicado em 05/01/2026 às 19:25,
atualizado em 05/01/2026 às 19:26
O que deveria ser apenas a celebração de um recorde histórico de público — com mais de 700 mil pessoas na Praia de Icaraí — transformou-se em um embate jurídico e político em Niterói. A apresentação da cantora Ludmilla no Réveillon 2026 está no centro de uma acusação de descumprimento da recém-sancionada Lei Anti-Oruam.
A polêmica gira em torno da execução do hit Verdinha. Segundo a acusação, a letra faria apologia ao uso de drogas, o que é vedado pela nova legislação municipal em eventos financiados com verba pública e abertos a menores de idade.
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Sancionada pelo prefeito Rodrigo Neves (PDT) no último dia 24 de dezembro, a lei proíbe o uso de recursos do município para contratar ou divulgar espetáculos que façam apologia ao crime ou ao uso de substâncias ilícitas.
A vereadora Fernanda Louback (PL), autora do projeto, afirma que a prefeitura falhou em fiscalizar o conteúdo do show. "A lei é clara, está em vigor, foi sancionada pelo prefeito e deve ser cumprida inclusive e especialmente pelo Poder Executivo", declarou a parlamentar, em entrevista ao Globo.
Verdinha é apologia?

A letra da música não cita explicitamente a palavra "maconha", utilizando termos como "planta", "pé" e "verdinha". No entanto, a vereadora sustenta que a mensagem é clara: "Conforme interpretação preliminar, contém mensagens que podem ser interpretadas como apologia ao uso de drogas."
Por outro lado, movimentos sociais e partidos como o PSOL já vinham alertando para o risco de a lei ser usada como ferramenta de censura contra manifestações periféricas. Em nota nas redes sociais, o partido comparou a medida a perseguições históricas sofridas pelo samba e pela capoeira. "Trata-se de uma estratégia conhecida [...] que buscou controlar corpos, silenciar vozes e restringir o direito à cidade da população negra e pobre."
O que acontece agora?
Apesar de o prefeito ter vetado o artigo que previa multa automática de 100% do valor do contrato, a vereadora defende que medidas administrativas devem ser tomadas, incluindo a análise pelo Tribunal de Contas e uma possível apuração por improbidade administrativa dos gestores envolvidos.
Até o momento, a equipe de Ludmilla e a Prefeitura de Niterói não se manifestaram oficialmente sobre a acusação.
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