Ascensão de novelas bíblicas expõe "Cidade Alerta Dependência" da Record TV

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"Os Dez Mandamentos" teve guinada no Ibope nos últimos dias

Publicado em 19/02/2018 às 06:00:00 ,
atualizado em 19/02/2018 às 09:29:09

Por: Redação NT com Edmar Nunes Júnior

Quando começaram a circular na mídia informações de que a Record TV planejava diminuir o espaço do “Cidade Alerta” e ocupar boa parte do tempo do jornalístico policial com a reprise da novela “Os Dez Mandamentos” e um jornalístico local nos mesmos moldes do "SPTV" da Globo, muitos duvidaram da ousada e arriscada mudança na grade, já que ela mexeria no pilar de audiência do final da tarde e início da faixa noturna da emissora da Barra Funda.

A estratégia de diversificar a programação e tentar fidelizar um novo público foram os objetivos principais dos executivos da emissora do bispo Edir Macedo. Além disso, a emissora queria mostrar que conseguiria atrair audiência sem o banho de sangue e violência que são ingredientes típicos do jornalístico comandado por Luiz Bacci.

Então, na última semana de julho de 2017, a Record TV colocou em ação sua nova grade de programação: diminuiu o tempo do "Cidade Alerta" das longas três horas de duração para apenas pouco mais de uma hora e estreou na faixa das 18h a reprise da novela “Os Dez Mandamentos”.

A trama de Vivian de Oliveira foi um fenômeno em sua exibição inédita na faixa das 20h30, mas sofreu em sua reprise na nova grade. O público não aceitou bem as mudanças e os maiores beneficiados foram o SBT e Band. Dados do Ibope apontavam quedas bruscas nos índices de audiência quando o “Cidade Alerta” terminava.

Datena e seu “Brasil Urgente” dispararam na audiência e alternavam sempre com o SBT e suas novelas mexicanas na vice-liderança, jogando dessa forma a trama bíblica para amargo quarto lugar.

A estreia do “SP Record” em nada contribuiu para reverter os baixos índices de audiência, pelo contrário, além de se mostrar um telejornal que em nada inovava, ainda ajudou a colar o selo de “fracassada” na novela inédita “Belaventura”.

Mesmo com o quarto lugar, na maioria das vezes, com os três programas, os executivos diziam que nenhuma mudança seria feita. O fato é que a nova grade gerou um efeito dominó afundando toda a grade noturna e seu prime-time, o horário mais valioso para o mercado publicitário. Nem mesmo a inédita e tida como superprodução milionária “Apocalipse” escapou do fracasso e das incontáveis derrotas para a novela infantil do SBT “Carinha de Anjo”.

A impaciência e desespero nos corredores da Barra Funda não suportaram por muito tempo a baixa audiência. Com o final de “Belaventura” terminava também a tentativa frustrada da nova grade de programação da Record TV.


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Como salvar o horário afundado entre a quarta e terceira posição no Ibope? E agora quem poderia defender a Record TV? O “Chapolin” seria o velho “Cidade Alerta”. O jornalístico tem fama de milagreiro no sentido que recebe com baixos índices das novelas da tarde e questão de menos de uma hora já eleva a audiência em três a quatro pontos, dificilmente ocupa uma posição que não seja a vice-liderança, isolada, diga-se de passagem.

Certamente já ouviu o ditado “Daí, pois, a César o que é de César”, pois foi o que os executivos de programação fizeram: devolveram o horário do “Cidade Alerta” que voltou com suas mais de três horas na grade da emissora.

Como consequência mudaram a reprise de “Os Dez Mandamentos” para a faixa que antes pertencia à novela “Belaventura”, na faixa das 19h45 antecedendo a principal dor de cabeça da Record TV que atendia pelo nome de “Apocalipse”. Atendia, mas não parece atender mais. Se os índices desabaram catastroficamente com a programação antiga, o efeito foi totalmente o contrário com essa nova realizada no início de 2018.

O “Cidade Alerta” aumentou seus índices, o que sem dúvida não causa muita surpresa, já que sempre foi o curinga da programação diária da emissora. O que sim surpreendeu foi o impacto dos altos índices de Luiz Bacci, que em seus minutos finais passa dos 10 pontos de audiência. Embalada, a reprise de “Os Dez Mandamentos” disparou, saltando para até 10 pontos, bem diferente dos míseros 5 que lutava para conseguir e que garantia não mais que uma terceira posição sofrida.

Agora, a reprise passou a vencer com certa facilidade o “SBT Brasil”, principal noticiário da emissora de Silvio Santos e que até então possuía a valiosa segunda posição no Ibope.

No embalo, quem também surpreendeu foi “Apocalipse”, que motivada pela alta audiência e divulgação devido aos episódios do Arrebatamento passou a bater de frente com “Carinha de Anjo” tomando dela a tranquila vice-liderança.

Todas essas mudanças tanto na programação quanto nos índices de audiência só evidenciam como a Record TV se tornou dependente do “Cidade Alerta” para impulsionar sua audiência e tirar do fundo do poço da audiência seus programas.

Depender de um programa cujo enfoque principal é a violência é mostrar-se incapaz e, de ser forma, acomodado e conformado com a dependência de um programa jornalístico que explora a mais triste realidade de um país que tem muito mais que violência e mortes para ser mostrado, afinal vivemos ou não em um “país que é bonito por natureza”?


Edmar Nunes Júnior é Instrutor de Ensino e formado em Letras, residente na cidade de Guarulhos, São Paulo. Faça como ele, envie sua análise, crítica ou reflexão sobre a TV. Saiba como aqui.



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