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SBT completa 35 anos como um "museu de novidades"

"Enfoque NT" analisa atual momento do SBT no seu 35º aniversário

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SBT completa 35 anos nesta sexta-feira (19) - Divulgação
Thiago Forato

Publicado em 19/08/2016 às 10:36:00

O SBT completa 35 anos nesta sexta-feira (19) ocupando a vice-liderança de audiência no PNT (Painel Nacional de Televisão) sem investir montanhas de dinheiro como a Record ou com grandes novidades.
 
O canal de Silvio Santos, que por muitos anos se gabou de ter a liderança absoluta do segundo lugar, viu o panorama se transformar seriamente a partir de 2004, quando a Record passou a investir de maneira maciça no jornalismo e dramaturgia.
 
Com isso, a rede de Edir Macedo virou um concorrente sólido do SBT, e até os dias de hoje, a briga por esse segundo lugar continua intenso. Por décimos. 
 
A diferença entre Record e SBT é que a primeira investiu caminhões de dinheiro, e a segunda, embora já tenha concentrado esforços maiores, hoje se limita ao arroz com feijão (talvez, nem o feijão, já que está caro).
 
 
Já há algum tempo, a emissora da Anhanguera não promove "pacotes de estreias", tendo apenas algumas pontuais na grade. É claro, a crise econômica que o país atravessa colabora para a falta de investimentos maiores, mas o SBT, há muitos anos, se encontra numa zona de conforto crítica.
 
Observem a grade de programação do canal: regado a enlatados e reprises. O mais surpreendente disso tudo é que ainda assim, briga efetivamente pelo segundo lugar. É sinal, lógico, que o telespectador engole o que o SBT coloca no ar.
 
Desenhos reprisados à exaustão, novelas (justiça seja feita, as clássicas estão "descansando") e produções da Televisa reinam durante o dia na emissora. 
 
 
Pouco ali tem um frescor de novo, como "Bake Off Brasil", o "Programa do Ratinho", que mesmo após 18 anos de casa continua sendo atrativo, a série "A Garota da Moto" ou o "The Noite", por exemplo, produtos que o SBT carecia.
 
Comodismo
 
O sinal do absoluto comodismo é apostar no "looping infinito" na transmissão das novelas infantis. Quando estava terminando "Rebelde" às 21h15 no ano passado e a emissora anunciou "Carrossel", com os bons números aparecendo, alguém duvidou de que "Chiquititas" voltaria?
 
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Dito e feito. A partir de setembro, uma produção que terminou há apenas um ano está de volta na grade, às 21h15. Extremamente previsível. 
 
É claro que o investimento nessa área é louvável. O SBT descobriu um filão importante e assim vem fazendo na faixa das 20h30 há quatro anos. Mas cai no óbvio ao reapresentar "Chiquititas", que se der certo, só terminará em outubro de 2018.
 
E aí, a pergunta, qual será a novela que deve substituir "Chiquititas" daqui dois anos? "Cúmplices de um Resgate", possivelmente. Difícil adivinhar. 
 
 
Aos finais de semana, o SBT apresenta o "Programa Raul Gil", que necessita de uma grande reformulação há tempos. É o mesmo programa de duas décadas atrás. Porém também temos que lembrar que sua audiência é bastante razoável pelo que é apresentado. O cheiro de naftalina exala.
 
No domingo, então, onde o SBT já foi referência, viu sua hegemonia ruir, fato que este espaço já explanou em abril.
 
Com uma programação desinteressante, a começar por um "Domingo Legal" descambando para o lado emotivo, numa mudança em que nada tem a ver com o DNA de Celso Portiolli, o SBT perdeu o segundo lugar absoluto e o gostinho de tirar a Globo da ponta há tempos. 
 
Estabilidade
 
Neste 35º aniversário, uma coisa já não faz mais parte do SBT: a grade voadora. Novelas são exibidas até o final nos seus respectivos horários, programas deixaram de ser cancelados sem avisos prévios e o "Chaves" parou de aparecer de surpresa em qualquer faixa.
 
 
De fato, houve uma profissionalização nesse sentido, resgatando a confiança do mercado publicitário.
 
Mesmo depois de mais de três décadas no ar, a emissora tem a simpatia do telespectador pelo momumental carisma de seu dono, Silvio Santos.
 
Fazer qualquer previsão do SBT sem a figura de Senor Abravanel é impossível. Mas, embora ele tenha voltado afiado da Europa em julho e colocando alguma de suas ideias em prática, como o "Fofocando", é bem verdade que não há mais toda aquela dependência em torno do Homem do Baú.
 
Por conta do dono, o SBT é realmente a TV que tem torcida. 
 
 
Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 11 anos e assina a coluna Enfoque NT há cinco, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter: @tforatto
 
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