"Pecado Mortal" é suprassumo da TV e vai deixar saudades

Confira análise da coluna "Antenado"

No último capítulo, vilão se assumiu homossexual - Divulgação/TV Record

Publicado em 31/05/2014 às 16:27:41

Por: Sem autor

Podem falar o que quiser, que é novela da Record, que não deu tanta audiência assim, mas "Pecado Mortal", que se encerrou na noite desta sexta (30), é sim, um suprassumo da teledramaturgia recente, tanto quanto "Avenida Brasil".

Sucesso de crítica, a audiência não correspondeu tanto: média geral de 6 pontos no Ibope. Mas acho que este é um detalhe diante da qualidade de tudo que vi ao longo de oito meses.

"Pecado" foi a primeira trama de Carlos Lombardi na Record, e de fato pode-se dizer que foi uma estreia com o pé direito. Ousada, inteligente, ágil, com direção fenomenal e atuações incríveis, a história da decadência do jogo do bicho no Rio de Janeiro teve momentos imprevisíveis. Acho que a maior delas acabou se dando mesmo no último capítulo, quando o vilão Picasso - Vitor Hugo, o grande destaque da trama no meu ver - assumiu que era homossexual e acabou "morrendo de vergonha".

Outros destaques foram os mocinhos, Carlão e Patrícia, interpretados por Fernando Pavão e Simone Spoladore, Paloma Duarte, como Dorotéia, e Felipe Cardoso, como Otávio.

Acho que cabe aqui dizer que, mesmo com incontáveis problemas, Lombardi soube contornar vários problemas com sabedoria, tanto que a novela não perdeu o fôlego. A saída de Mel Lisboa para se dedicar ao teatro, por exemplo, deixou um mal estar, mas isso não transpareceu para o telespectador. Já a direção, que começou com Alexandre Avancini, também foi trocada, mas pra mim isso fez até bem para várias sequências. A morte de Michelle (Luiz Guilherme), por exemplo, foi de um primor que poucas vezes vi.

O fato é que "Pecado Mortal" vai me deixar saudades, pois como disse acima, pode até não ter sido badalada pelo público como "Avenida Brasil", mas eu posso dizer que vi uma das melhores novelas já feitas, e a melhor da Record desde que começou a investir maciçamente em dramaturgia.

Merecia um Ibope melhor, mas azar do público, que pelo ritmo, agora crê que não se faz mais tramas boas em outros lugares, fora a Globo. "Pecado" merecia uma chance. Eu dei e não me arrependo.


Gabriel Vaquer escreve sobre mídia e televisão há vários anos. Converse com ele. E-mail: gabriel@natelinha.com.br / Twitter: @bielvaquer



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