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NT Internacional: Morte de personagem de "Family Guy" choca telespectadores

Mudança na série é definitiva, "Pulo do Tubarão", ou mero golpe de marketing?

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Entrada do personagem Vinny, o cão, marca a mudança inesperada nos rumos de "Family Guy" - Divulgação
Redação NT

Publicado em 27/11/2013 às 09:58:29,
atualizado em 13/05/2021 às 11:20:42

 

Fãs de todo o mundo ficaram atônitos no último domingo (24), quando o canal Fox exibiu o episódio da semana da animação "Uma Família da Pesada" (Family Guy) e, sem nenhum aviso prévio, apresentou a morte súbita, e, aparentemente irreparável, de um dos personagens principais da série.

Em "Life of Brian", o cachorro da família Griffin (dublado por Seth McFarlane, o próprio criador de "Family Guy"), é atropelado de forma brutal e falece após se despedir da família. Para tornar a morte definitiva, a máquina do tempo do caçula Stewie (também dublado por McFarlane) quebra no mesmo episódio, e ao final, um novo cachorro assume o lugar de Brian como mascote da família, Vinny (dublado por Tony Sirico, de "The Sopranos").

Em notícias anteriores à exibição do episódio, já se anunciara que o personagem de Sirico, contratado inicialmente para seis episódios, seria recorrente nesta temporada, chegando a participar da abertura da série. Mas nada indicava que sua entrada fosse tão traumática a ponto de modificar consideravelmente o status quo da produção, no ar há 12 temporadas - todas com Brian como o cachorro dos Griffin.

A repercussão entre o público, como já era de se imaginar, além de enorme, é majoritariamente negativa. Uns acreditam que este seja o início de um arco narrativo que terminará com a "ressurreição" de Brian: além da sinopse já divulgada do episódio de Natal dar margem a um "milagre" pedido por Stewie, um site (o qual a Fox, por enquanto, alega ser falso) faz uma contagem regressiva para 5 de dezembro, dia em que "Brian" supostamente faria um anúncio ao público.

Outras pessoas, já aceitando a morte do personagem, esperam uma queda de qualidade e uma possível rejeição gradual aos próximos episódios, evocando um termo famoso entre os fãs de séries americanas, o "jumping the shark". "Pular o tubarão", em português, é um termo inspirado em uma cena de "Happy Days", série famosa da década de 1970. Nela, Fonzie (Henry Winkler), um dos personagens mais queridos da produção, faz uma cena completamente inverossímil de acrobacias aquáticas - marcando o que fãs de "Happy Days" consideram o início do fim do seriado, quando, segundo eles, a "magia" do auge chegou ao fim, abrindo espaço para uma derrocada de qualidade que culminou no seu cancelamento.



É bom lembrar que, falando de um desenho animado, um personagem não vai espantar o público se, do nada, ele ressuscitar durante um episódio futuro ou mesmo aparecer vivo como se nada tivesse acontecido. Situação similar já ocorreu no final da quinta temporada de "South Park". Kenny, o famoso personagem que morre todo episódio, ganha enfim neste momento da série uma "morte definitiva", não retornando mais na edição seguinte. Sua ausência gera tramas para alguns episódios e é simplesmente ignorada em outros, até que, sem explicação, ele reaparece vivo na cena final do último episódio da sexta temporada. Kenny, desde então, perdeu a obrigação de "morrer", deixando inclusive de participar de todos os episódios.

E, se outros desenhos do horário nobre americano já mataram personagens secundários, geralmente foi por razões envolvendo a saída do dublador original. Maude Flanders, de "Os Simpsons", e o Chef de "South Park" são os primeiros exemplos que vêm na memória - e ambos os personagens não retornaram posteriormente. Mas não é esse o caso agora.

Por enquanto, a Fox aproveita o buzz em torno de "Family Guy", que deve ao menos render um interesse maior do público nos próximos episódios após tal reviravolta. Mas se, a longo prazo, Brian morreu definitivamente ou não, a melhor resposta que pode ser dada por enquanto é a que já é uma regra no mundo do entretenimento. Não há nenhum personagem querido morto que, mais cedo ou mais tarde, a ânsia por audiência não ressuscite. E, para isso, nem precisa ser um desenho animado.



 

Escândalo

O novo programa de TV de Alec Baldwin não durou cinco semanas na grade do canal jornalístico MSNBC. "Up Late" teve sua exibição suspensa no último dia 15, poucas semanas após a estreia, depois do ator e apresentador ser acusado de ofender um fotógrafo. Em um vídeo divulgado na internet, ele sai nervoso de seu carro atrás de um fotógrafo e reclama, soltando ofensas consideradas homofóbicas.



Inicialmente, a suspensão valeria por duas semanas, mas acabou causando um desgaste entre as duas partes, em especial para a imagem de Baldwin. Somado ao fato de uma edição do programa pronta para ir ao ar no último dia 22 ter sido completamente inutilizada, já que dialogaria com o aniversário da morte do ex-presidente John Kennedy, optou-se nesta terça-feira (26) pelo cancelamento definitivo do "Up Late".

Levando ainda em conta os índices pouco expressivos de audiência (houve uma queda de 40% no horário de "Up Late" em suas cinco semanas no ar), Baldwin, em uma postagem em seu blog semana passada, já deixava a decisão do canal subentendida, não trazendo grande surpresa na oficialização do cancelamento.

Segunda Chance

Anunciado em fevereiro, "Turbo F.A.S.T.", série de animação derivada do filme da Dreamworks "Turbo", ganhou seu primeiro trailer. Trata-se da primeira série de animação exclusiva do Netflix, após séries de ficção como "House of Cards", "Orange is the New Black" e "Hemlock Grove".

Diferente das outros seriados derivados de filmes da Dreamworks feitos dentro do próprio estúdio, a nova animação de "Turbo" é produzida pelo estúdio Titmouse (de títulos como "Superjail", "Metalocalypse" e "Motorcity") em animação tradicional, trazendo um design ligeiramente diferenciado do filme lançado nos cinemas em julho deste ano.



"Turbo", o filme (que visivelmente se inspirou em "Carros", da Pixar, na ambição de lucrar também na forma de uma potencial franquia de brinquedos) acabou se revelando um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, contrariando as expectativas do estúdio.

Espera-se que o potencial comercial do título tenha uma nova chance através do derivado para a internet, que, tal como as demais produções originais do Netflix, terá lançamento mundial nos países atendidos pela plataforma.


Pesquisador e produtor de projetos para televisão e cinema, Fábio Mendes traz para o NaTelinha as novidades e destaques das programações televisivas pelo mundo. Fale com ele pelo twitter: @fabio_menDS
 

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