Série bonita, "Nada Será Como Antes" só chama atenção por polêmicas

Antenado

Divulgação/TV Globo
Por Redação NT

Publicado em 17/11/2016 às 16:34:02

Bem próxima do seu fim, a série "Nada Será Como Antes" certamente encerrará sua trajetória com menos pompa e expectativa do que se esperava antes da sua estreia nas noites de terça da Globo

Em suas primeiras chamadas, ainda mais por causa do frisson que causou "Justiça" durante toda sua exibição, esperava-se que a série mantivesse o mesmo nível de produção, em todos os aspectos. 

É bem verdade que, na questão produção, o seriado seguiu com louvor o nível da faixa das 22h30 de terça. Fotografia é impecável e sua edição é algo que salta aos olhos no melhor dos sentidos. 

O nível de atuação também foi linear durante os episódios, com um destaque imenso para Débora Falabella, Murilo Benício, Bruna Marquezine, Daniel de Oliveira e Letícia Colin. Os protagonistas, realmente, estão dando um show. 

O grande problema de "Nada Será Como Antes" é o seu roteiro, e isso prejudica demais toda a produção. Os diálogos são bons, mas o caminho é tão previsível que assusta tamanha falta de criatividade.

Nenhum diferencial chama a atenção neste sentido, principalmente no quesito "história da televisão" ou em "história do Brasil no início dos anos 50". Tudo o que é dito já foi mostrado, discutido, revisitado... Dá um quê mesmo de que se viu aquilo em outro lugar, até de uma maneira melhor contada. 

Não à toa, a audiência deu uma caída. Da linha de shows atual da Globo pós-novela das 21h, é a que menos tem Ibope - entre 18 e 19 pontos, enquanto as outras sempre estão acima de 22 de média, até mesmo a sessão de filmes "Tela Quente". Ninguém falou da série por conta de cenas ou de seu conteúdo, como "Justiça", e sim pelas polêmicas - o beijo lésbico de Bruna Marquezine e Letícia Colin, ou o vazamento de cenas de sexo de Bruna com Daniel de Oliveira. 

"Nada Será Como Antes" é realmente bonita, mas deixa a desejar em vários quesitos. É mais um exemplo do que tem permeado a Globo nos últimos tempos em dramaturgia, seja em novelas ou em seriados: a falta de ambição.

Gabriel Vaquer escreve sobre mídia e televisão há vários anos. No NaTelinha, é responsável por reportagens variadas e especiais. Ainda assina as colunas "Antenado", sobre TV aberta, e "Eu Paguei pra Ver", sobre TV por assinatura. Converse com ele. E-mail: gabriel@natelinha.com.br / Twitter: @bielvaquer

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