O diretor Homero Salles, que trabalhou por anos no SBT e integrou a equipe de programas comandados por Gugu Liberato (1959-2019), publicou neste sábado (28) um texto em que questiona a estratégia atual da emissora. Com o título “O tal do DNA do SBT...”, ele afirma que há um “equívoco” na forma como a empresa tem conduzido a tentativa de resgatar sua identidade.
Salles menciona que, após a ausência de Silvio Santos, a emissora passou a adotar iniciativas que classifica como “tentativas muito bem intencionadas”, mas que, segundo ele, “não estão surtindo efeito”. Como exemplo, aponta a consolidação da Record na segunda posição de audiência e a ascensão da Band na disputa por público.
Ao abordar a gestão atual, ele afirma que Daniela Abravanel está à frente da emissora e escreve: “não poderia ser melhor essa escolha”.
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“Daniela é inteligente, preparada, dedicada, trabalhadora e tem as melhores intenções... mas não basta”. Para o ex-diretor, a insistência em trazer de volta programas e quadros do passado representa o erro central. “O DNA não é isso, longe disso”, pondera.
Segundo Salles, a identidade histórica do SBT estaria associada à “inovação, a ousadia, a procura do inusitado, a surpresa na programação e a irreverência no trato com o público telespectador”.
Ele relata ter convivido diretamente com Silvio Santos e afirma que o apresentador “sabia para quem estava fazendo televisão” e mantinha fidelidade ao público. “Não hesitava em contrariar opiniões para montar e insistir com a sua grade de programação”, escreve.
O ex-diretor também sustenta que a emissora perdeu identidade nas chamadas e na organização da programação. “SBT infelizmente não tem mais aquela identidade... suas chamadas não convencem e não seduzem... sua grade está uma colcha de retalhos”, afirma. Ele reconhece que Silvio alterava a grade com frequência, mas argumenta que, sob seu comando, “funcionava”.
Ex-diretor de Gugu relembra frase de Silvio Santos

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No texto, Salles relata uma frase atribuída a Silvio: “Homero, nós somos pipoqueiros e não devemos ter vergonha de vender pipoca”. Ao defender que a televisão deve identificar seu público e atender a essa demanda, ele questiona mudanças estruturais no meio e compara com o rádio: “e o Rádio, mudou?”. Em seguida, afirma que o veículo buscou nichos e permanece ativo.
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Salles acrescenta que, em março, Eliana estreia na Globo e que Tom Cavalcanti lançará novo programa aos domingos na Record. Ele observa que o domingo é o único dia em que o SBT mantém a segunda colocação de audiência.