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Pólvora pura

Kajuru relembra demissão do SBT e detona ex-diretor da emissora

Em entrevista exclusiva, Kajuru fala de reality que apresentou, desavença entre Silvio e Galisteu e lembra com detalhes de demissão do SBT

Kajuru no Senado
Kajuru é Senador pelo estado de Goiás
Thiago Forato

Publicado em 11/12/2020 às 04:00:00

Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser, popularmente conhecido como Jorge Kajuru, é pólvora pura. Atualmente Senador pelo estado de Goiás, tem longa carreira na televisão. Passou pela RedeTV!, TV Cultura, Band, Esporte Interativo e SBT. Nesta última, guarda com grande carinho sua passagem, onde descreve Silvio Santos como o homem mais completo da história da TV. Por lá, apresentou o esportivo Jogo Duro (2006), o Fora do Ar (2005) e o reality Casamento à Moda Antiga (2005-2006), que completa 15 anos de seu lançamento nesta sexta-feira (11).

Numa entrevista exclusiva ao NaTelinha, Kajuru faz questão de dizer que com ele não existe "em off" e que é tudo "em on", ou seja, tudo o que fala pode ser gravado e creditado com seu nome, nos jargões do jornalismo. Sem papas na língua, Kajuru relembra o Casamento à Moda Antiga que apresentou no SBT e ganhou de nomes como Adriane Galisteu, Sabrina Parlatore, Raul Gil, Marcos Mion e Danilo Gentili para comandar a atração diariamente.

Ele também resgata um episódio em que Galisteu, ainda no SBT, deu um prêmio de cerca de R$ 8 mil à sua mãe, dona Emma, por conta de uma falha da produção. E que Silvio chamou sua atenção, foi ofensivo e acabou a colocando nas madrugadas. "A carreira dela acabou", lamenta.

Kajuru ainda fala sobre quando foi demitido pelo então diretor artístico do SBT, Ricardo Valladares, a quem adjetiva como "o maior mau-caráter da história" da emissora. Ele lembra com detalhes da manhã do dia 14 de agosto de 2006, quando foi mandado embora por telefone pelo executivo. Segundo Kajuru, Valladares o demitiu dando risada. "Mandei para a puta que pariu", enfatizou.

A seguir, você confere uma entrevista sem filtro ou cortes, exatamente como Kajuru gosta e fazia na televisão. É nitroglicerina pura.

NaTelinha - Pouca gente se lembra, mas você já apresentou um reality no SBT. O Casamento à Moda Antiga, que era um sucesso nos EUA, o Married by America. Como surgiu o convite para apresentar o programa?

Jorge Kajuru - Fiz tudo em televisão. As pessoas não lembram. Ali foi um momento histórico, privilegiado, porque o Silvio escolheu 14 apresentadores. Foi um monte de gente fera na época. Sabrina Parlatore, Adriane Galisteu, Raul Gil... Botou 14 pessoas pra fazer um piloto pra apresentar o reality de segunda a sábado, e domingo ele faria. Domingo era ele.

Eu nem imaginava que eu fosse ganhar entre esses 14. Tinha Marcos Mion. Tinha muita gente. Danilo Gentili participou... Então na época achei que era bobagem e continuei fazendo meu programa de esportes que era o Jogo Duro domingo, com o Sócrates (1954-2011). E de repente eu recebo um telefonema do Guilherme Stoliar, que é o sobrinho do Silvio Santos. Na época vice-presidente do SBT e diretor artístico também. Era o segundo homem do grupo, da televisão em especial. Vou para falar com ele... Ele levanta sorrindo: 'É você, é você! Você que vai fazer o Casamento à Moda Antiga!'. Eu fiquei muito feliz, emocionado, porque ser escolhido pelo Silvio Santos, que na época estava em plena vivacidade... Gravava todo dia, não está como hoje, até por questões de idade.

O Silvio me chamou no camarim. Como sempre, até com a Hebe ele não falava mais que cinco minutos. Quem fala que que conversou com o Silvio mais de 10 minutos, é mentira. Conversei os devidos 10 minutos. O salário acertamos em 30 segundos. "Silvio, pra mim é pouco, me desculpa".

NaTelinha - Qual foi o valor que ele te ofereceu?

Jorge Kajuru - Na época ele me ofereceu R$ 30 mil. Eu já ganhava R$ 80 mil pra fazer o Jogo Duro. O que eu aleguei rapidamente é que esse programa exige dedicação total. Tenho que ficar o dia inteiro olhando a casa, me preparando, e ter você [Silvio] como titular... Vou fazer o diário, mas todo mundo sabe que o programa é teu. Então, Silvio, acho que o salário de R$ 30 mil é pouco. E aí ele falou: então está fechado R$ 60 mil.

Ele me mandou um cartão, tenho guardado até hoje, me cumprimentando pela apresentação. A Hebe (1929-2012) falou pra mim: 'ele não faz isso com ninguém'. Ele disse que eu estava indo muito bem. Foi um período legal, diferente e que permitiu a mim mostrar que além de tudo que eu havia feito, isso não era um bicho de sete cabeças.

NaTelinha -  Você acompanhava realities de confinamento como o Big Brother e Casa dos Artistas?

Jorge Kajuru - Nunca vi Big Brother na minha vida, graças a Deus. Casa dos Artistas também não vi, A Fazenda então, tenho pavor. Prefiro ler um livro, ouvir uma música. Não vou perder tempo de ver Big Brother na minha vida.

NaTelinha - E como aceitou fazer um programa desse tipo?

Jorge Kajuru - Pra mim ele tinha uma diferença, era mais interessante, né? Dependendo de você saber fazer as perguntas, cutucar os entrevistados, provocá-los, cairia na minha opinião como um reality show mais atrativo. E pra mim foi questão de desafio mesmo. Fui escolhido entre tantos caras, ou considerados fera, né? Muitos são umas bostas na minha opinião. Por que não aceitar? E fiquei até o final.

NaTelinha - Tem notícias de alguém que tenha se casado?

Jorge Kajuru - Parece, lembro que uma... Era a mais bonita do programa, uma morena. Muito inteligente. Lindíssima. Eu a conheci depois do programa, nos bastidores. Ela veio falar pra mim: 'minha família é apaixonada por você'. E fiquei sabendo que ela acabou se casando com um dos colegas lá.

Foi legal. O próprio Silvio gostou, senti que ele gostava de fazer.

NaTelinha - O programa surgiu com uma enorme expectativa, tinha a convivência todo dia, numa tentativa de reaver o sucesso da Casa dos Artistas. Por que você acha que o programa não deu certo? O reality show foi interrompido em março de 2006, e Silvio Santos prometeu que ele mudaria de horário, mas nunca mais voltou para o ar. Que loucura foi essa?

Jorge Kajuru - O Silvio cisma ali. Quando não é a audiência, ele cisma com alguma coisa que não tá indo bem, algum integrante que tá colocando o programa pra baixo. E aí ele tira. Com a experiência dele, com a capacidade dele, e com as loucuras dele também. Tem as loucuras dele também. Vou tirar do ar pronto e acabou.

Como quando ele cismou de tirar a Galisteu do ar, colocando ela de madrugada, e ela fazia o programa de pijama, lembra disso? Embora ele tivesse razão, porque a própria Hebe falou na época, que ela cometeu um erro grave.

NaTelinha - Erro grave? Qual erro?

Jorge Kajuru - No programa dela lá, Como vai, Galisteu? E ganhava um dinheiro. E ia acumulando. Tinha um prêmio acumulado. Era quase R$ 8 mil e o telefonema deu problema, a produção correu e colocou a mãe dela pra falar como vai Galisteu. Entrou a mãe dela, dona Emma. E acabou pagando o prêmio pra mãe. O Silvio ficou puto com isso. Foi isso que levou o Silvio a fazer uma reunião com ela, com advogados. Cumpriu o contrato porque tinha multa rescisória muito alta. Nessa discussão o Silvio teve a razão dele. Não precisava ser ofensivo com ela [Galisteu]. Foi ofensivo demais.

NaTelinha - Ofensivo como?

Jorge Kajuru - Ele adjetivou atitudes dela como se fosse uma coisa, tipo estelionato. Ela ficou puta, levantou da mesa e foi embora. Ela teve muita personalidade. Mas depois eles se entenderam. E nunca mais trabalhou no SBT. A carreira dela acabou. Foi o fim da carreira dela.

NaTelinha - Você participou do Qual é a Música? como convidado e ganhou, do Nada Além da Verdade levou o prêmio máximo de R$ 100 mil, fez até o Gente que Brilha como jurado do Silvio Santos... Nesse tempo todo de convivência no palco, como foi isso? O que você tirou de aprendizado?

Jorge Kajuru - É o homem de televisão mais completo da história. Nunca mais haverá um igual. E pra começar, ele te mostra ao vivo... Eu participando de vários programas e sendo jurado, eu ficava vendo. Ele não erra nenhuma vez. E é gravado. Ele estabelece com a equipe o seguinte: se alguém errar, esse alguém está liquidado. É carta fora do baralho, é o próximo a ir para a rua. Ele não erra de jeito nenhum. Ele não usa TP [teleprompter], mas usa cartolina, a famosa dália, porque tem coisas ali que não tem como falar de improviso também.

Essa facilidade de comunicar, capacidade de ficar seis horas gravando sem errar. Ficar ali de pé, sem intervalo para ir ao camarim. Fui jurado dele e o programa era longo, várias apresentações. Vivi momentos incríveis de rachar de rir, porque ele quando chamava a atenção de alguém no ar, chamava como se fosse fora do ar. Fez até com a Hebe Camargo. Ele era desse jeito. Não tinha gente diferente pra ele. E quando gosta de alguém, ele até acaba deixando o outro convidado sem graça.

No último programa que fui dele o ano passado [Jogo das Três Pistas], com o Kim Kataguiri [deputado federal por São Paulo], o Silvio primeiro errava o nome dele toda hora. Ele chegou no camarim e falou: 'quem é você? Não te conheço'. Falei: 'Silvio, ele é deputado federal'. 'Mas por onde? Eu não te conheço, ninguém te conhece'. Deixou o menino sem graça pra caramba. O menino educadíssimo. Isso no camarim. Quando foi pro ar, ele repetiu, fez a mesma coisa. Diante da plateia, pode pegar o programa no YouTube. 'Alguém conhece ele? Repete o seu nome!' E ninguém na plateia conhecia.

Fiquei até sem graça. Durante o programa ele fazia as perguntas e demorei pra responder, falava: 'Poxa, Kajuru, estou torcendo pra você!' E Kim falou o seguinte: 'Poxa, Silvio, até isso?' Então ele tinha isso mesmo. No programa de 100 perguntas [Nada Além da Verdade], que na verdade ele escolhe 25. As 100 você faz com a produção, com aquele equipamento de FBI. Na hora que ia gravar com ele, escolhia 25. E ele fazia perguntas e antes de começar, ele já dava uma risada. Veio perguntar pra mim se eu tinha feito troca-troca. Eram coisas do arco da velha. E o prazer dele era dar risada. E ele falava assim: 'Essa você vai errar, Kajuru'. Eu respondia e ele falava: 'Não é possível'. Ele deixa o entrevistado muito à vontade. Ele inventou gente na televisão.

NaTelinha - E você ganhou os R$ 100 mil tudo certinho?

Jorge Kajuru - Na hora ele inclusive pediu pra não cobrar o imposto, porque eu estava no SBT de Ribeirão Preto. Como estava em Ribeirão e ganhava menos, ele pediu pra não cobrar, se não cairia pra 80 e poucos. 27% [de imposto], né?

Outra coisa, na época da Copa do Mundo de 2006, eu não aceitava fazer merchandising. E veio lá o Torpedo Tim. E ele pediu para o Orlando Macrini, diretor do SBT na época, fazer com que eu aceitasse falar: 'Vem aí, o Torpedo Tim'. E outra pessoa entrasse pra fazer o merchandising, que era o César Filho. E eu fazendo isso normalmente, porque tinha um bom salário, e simplesmente no final do mês, pediram outra nota fiscal pra mim de R$ 100 mil. Esse foi o pagamento do merchandising. O Silvio considera só de ter falado 'Vem aí, o Torpedo Tim'. Eu não esperava esse dinheiro nunca na minha vida. R$ 80 mil mais R$ 100 mil. É um homem totalmente desprendido financeiramente. Paga bem se você der retorno.

O que ele exigiu de mim do Jogo Duro foi que eu não perdesse para a Record, e ficasse em segundo lugar. Chegamos a ficar até em primeiro lugar. Demos 12 pontos de média e pico de 17. Eu, Sócrates e Nasi depois da eliminação da seleção brasileira em 2006. Não tinha atração grande nenhuma.

E a felicidade de receber rigorosamente em dia. Eu fiquei 16 anos no SBT. Eu tinha 23 anos de idade. Desde essa vez até a última, saindo e voltando. E toda vez que eu saía, ele me tratava como um funcionário que tem direito a um acerto, a um acordo salarial, de rescisão. O que ele fazia? Ele me pagava um salário a mais e outro salário de prêmio. Você recebia mais que ter trabalhado com ele em carteira.

NaTelinha - Como foi o Silvio Santos como patrão? Você já sofreu algum tipo de censura?

Jorge Kajuru - A única que vou te falar e nunca falei, foi depois da Copa de 2006, o Silvio foi convidado pelo Ricardo Teixeira especialmente. Quando ele voltou da Copa, o Silvio veio falar comigo que as reclamações em relação a mim estavam aumentando sensivelmente e não estava suportando mais.

NaTelinha - Quando você diz reclamações, reclamações de quem?

Jorge Kajuru - Ele falou: Políticas e esportivas.

NaTelinha - Citou nomes?

Jorge Kajuru - Fernando Henrique Cardoso, Lula, Aécio Neves...

NaTelinha -  Mas o Fernando Henrique já não era mais presidente...

Jorge Kajuru - Eu metia muito o pau nele, naquele programa que eu fazia, o Fora do Ar. E de vez em quando, no esporte, tinha alguma coisa política e eu dava uma porrada nele. E sempre falava de algum político. O Aécio Neves era direto. Tinha a fama de cruzeirense.

O Silvio falou pra mim que estava tendo reclamações demais e centralizou no Ricardo Teixeira. Ele falou: 'Vamos tirar você do ar nacionalmente, já que você está morando em Ribeirão Preto, você continua lá'. O SBT de Ribeirão Preto é dele. E quem dirigia até lá, e quem dirige até hoje é o sobrinho dele, o Maurício Abravanel.

Aí o Silvio falou: 'Você vai pra lá com o mesmo salário'. Deu liberdade total pra mim. E vou pedir pra colocar o programa em todo o interior. Colocou em Bauru, Santos, Campinas... Ter um programa no interior de São Paulo é como ter um programa no segundo maior estado do Brasil. E colocou à vontade. Escolhi um programa chamado Kajuru na Área. O programa disputava pau a pau com a afiliada da Globo, a EPTV. Tem programas no YouTube que são de arrepiar. E o Silvio nunca me ligou ou mandou ligar para mim.

Fiquei lá quatro anos maravilhosamente bem. E só saí porque recebi uma proposta do Esporte Interativo e me ofereceram o triplo do salário e eu fui. Fui com o Zico, fomos como as maiores estrelas da emissora. Tanto que começaram a crescer e hoje estão do tamanho que estão.

NaTelinha - Ele foi então honesto com você nesse sentido. E por que ele deu ouvidos a essas reclamações?

Jorge Kajuru - Porque politicamente, você sabe, a concessão é do governo. Uma coisa que ninguém sabe, é que o Silvio sempre teve medo de perder a concessão dele. Tanto que ele criou aquele programa, a Semana do Presidente, que era tradicional.

Mas o Silvio nunca cedeu... 'Não fala pra esse cara não falar esse assunto'. Tenho um exemplo. Fiz uma entrevista com a Heloísa Helena, que era Senadora, na TV Alphaville, que é TV fechada do Silvio. E a entrevista, pedi pra ela comparar o Lula com o José Dirceu. Que o Lula você chegava, dava um abraço nele e ele mandava uma pessoa te esfaquear pelas costas. E o José Dirceu falava na tua cara: 'Olha, vou te aniquilar'. Avisava o que ia fazer na sua cara. E a entrevista naquela época foi uma bomba.

A entrevista foi para o ar no SBT, tentaram de todo jeito impedi-la de ir. Quando anunciaram, tentaram impedir e o Silvio não aceitou. A questão minha, é que estava pesado demais, principalmente com o Ricardo Teixeira. Na minha opinião, não saí por causa dos políticos. Eu acho que o problema foi a questão do Ricardo Teixeira, por carinho. Eu tiro o Kajuru de rede nacional, mas coloco em Ribeirão, não vou deixar ele mal. Nenhum dono de televisão faria.

NaTelinha - O Ricardo Teixeira foi direto no pedido dele?

Jorge Kajuru - Foi direto.

NaTelinha - O pessoal do SBT enchia teu saco, não o Silvio, mas os diretores mesmo, em censurar, ou pedir pra você não colocar tal coisa no ar?

Jorge Kajuru - Eu fiz um acordo com o Silvio e em um minuto ele aceitou, começou no Fora do Ar. Eu só queria te pedir uma coisa: quando houver qualquer tipo de pedido pra não ir para o ar isso ou aquilo, você pode, você mesmo pedir para não ir ao ar. Ele nunca me telefonou. Por quê? Porque os diretores dele enchiam o saco o tempo inteiro. Tanto que essa entrevista da Heloisa Helena falavam pra não colocar no ar. Eu falava que só respeitava o Silvio Santos. Eu vou esperar o Silvio me ligar.

No Fora do Ar ficamos esperando um telefonema do Silvio e nunca teve. Politicamente, se o Silvio hoje está assim, se o comportamento dele é esse hoje, com a saída da Rachel Sheherazade, que pra mim não poderia ter saído... Se ele está assim hoje, pode ter certeza que é a mudança de ares. Ele não tem a tranquilidade de antes. A saúde dele não está boa.

Acabou se apaixonando pelo Bolsonaro... Na minha época ele não tinha uma paixão dessa. Nunca vi ele levar o Lula, Dilma, no programa. O Bolsonaro ele levou. Foi uma mudança de comportamento dele, pra nós, surpreendente.

NaTelinha - Tem um nome no SBT da sua época e que coincidiu com tua saída: Ricardo Valladares, uma espécie de consultor, mas que tinha poderes, né?

Jorge Kajuru - Eu falo: o maior mau caráter da história do SBT. Picareta! Mau-caráter! Fazia negociata lá dentro, entendeu? Foi a pior coisa que o Silvio fez atendendo um pedido de um jornalista da revista Veja.

NaTelinha - Que tipo de negociata ele fazia?

Jorge Kajuru - O Ricardo Valladares era de convidar pessoas que ele tinha interesse para participar de programas. Pessoas que faziam negócios com ele. Ele tinha uma produtora. Misturava negócios com o cargo dele. Não tinha nenhuma competência para ser diretor artístico do SBT. Como ia ser diretor artístico do SBT? Se tem alguma coisa que ele podia trabalhar em televisão era numa oficina de TV, consertando TV. Nunca como diretor. Foi o maior mau-caráter da emissora.

NaTelinha - Você se sentiu prejudicado por ele?

Jorge Kajuru - Fui, claro. O Jogo Duro acabou por causa dele.

NaTelinha - Como assim? Por causa dele?

Jorge Kajuru - Foi ele que botou na cabeça do Silvio Santos o negócio do Ricardo Teixeira.

NaTelinha - Ele fez o lobbyzinho então?

Jorge Kajuru - O Silvio, por consideração ao Ricardo, onde ele ficou na Alemanha com ele, acabou atendendo o Valladares. Quem acabou me demitindo por telefone às 9 da manhã do dia 14 de agosto de 2006, foi o Ricardo Valladares. Com o maior prazer, e dando risada. Mandei ele para a puta que pariu, chamei ele de picareta no telefone. Depois liguei para o Silvio e não me atendeu. Mas pediu para o Guilherme Stoliar me atender. E ele foi gentil demais comigo no acerto, porque no fundo, não queria me demitir ou me tirar do ar. Tanto que ele me mandou para o interior, mesmo contra a vontade do Ricardo Valladares.

NaTelinha - Tem algo que você queira fazer na televisão e ainda não conseguiu? Pretende se reeleger?

Jorge Kajuru - Eu saio na hora. Não vou ficar nesse chiqueiro aqui [política] nunca. A única coisa que eu toparia voltar a fazer se fosse com o Silvio Santos, mas não sei se até lá Deus vai permitir que ele esteja conosco...

NaTelinha - Quando acaba seu mandato?

Jorge Kajuru - Em 1º de janeiro de 2027.

NaTelinha - O Silvio estaria com quase 97 anos.

Jorge Kajuru - E eu com 67 anos. Ou fazer no SBT sem o Silvio, mas com alguém que dirigisse o SBT com um caráter parecido, um programa parecido com o do Jô Soares. Com todo o respeito ao Bial, Danilo, que fazem programas de entrevistas, na minha opinião eu faria muito melhor, porque eu pergunto melhor que eles.

NaTelinha - O Danilo deu certo no SBT, né? Está fazendo sucesso...

Jorge Kajuru - Mas ele é mais humorista que entrevistador. Ele é um ótimo humorista, agora como perguntador é uma bosta.

NaTelinha - E o Bial?

Jorge Kajuru - É meu amigo, jornalista e tal, mas num programa da Globo não é um perguntador que o telespectador quer. Não consegue provocar o entrevistado a falar coisas surpreendentes. Ele é muito mais educado, é um gentleman. Ali tinha que ser um Kajuru.

NaTelinha - E o Jô, faz falta?

Jorge Kajuru - É gênio. Programa igual a ele nunca mais teremos.

NaTelinha - E fazer esse programa em outra TV? Voltar à TV em 2027 é uma realidade?

Jorge Kajuru - Depende de quem dirige a emissora. E voltar nesses moldes. Mas eu prefiro continuar com rede social. Pra fazer televisão tem que ser uma coisa muito especial realmente. Numa emissora especial, um cara especial.

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