Morte de Laurinha em Rainha da Sucata fez Globo quebrar regra histórica
Sequência que vai ao ar em breve na reprise marcou a TV brasileira
Publicado em 04/03/2026 às 04:44
A morte de Laurinha Figueroa, a vilã interpretada por Glória Menezes em Rainha da Sucata, fez a Globo quebrar uma regra histórica: a de não exibir uma cena de suicídio, o que até então era vetado em novelas. A sequência, que marcou a TV, vai ao ar em breve na reprise da trama de 1990 no Vale a Pena Ver de Novo.
Reportagem da Folha de S.Paulo, em outubro de 1990, apontou que a morte de Laurinha seria o primeiro suicídio explícito, exibido em detalhes na TV. O tema era considerado tabu, tratado de forma velada no horário nobre, e foi apontado como “a última arma da emissora na guerra de audiência”.
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Apesar de não ser inédito nas novelas e várias vezes sugerido nas tramas, o suicídio nunca havia sido retratado abertamente pelas câmeras mesmo em outras emissoras, ainda de acordo com a matéria. Geralmente, os personagens eram encontrados já mortos, e o suicídio era sugerido ou mencionado.
Tradicionalmente, a mídia evita mostrar cenas de suicídio ou mesmo tocar abertamente no assunto. Trata-se de uma prevenção para que a divulgação do assunto não induza pessoas vulneráveis a copiar o ato.
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Na trama, Laurinha se atira do alto do edifício na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), onde funcionam a Do Carmo Veículos e a boate Sucata, símbolos do poder da heroína Maria do Carmo (Regina Duarte).
Antes de pular, Laurinha atrai Maria do Carmo até o local com um plano perverso. Enlouquecida, a antagonista arranca o brinco da rival para simular uma briga. O objetivo da megera, com a própria morte, é fazer com que a inimiga seja acusada de assassinato.

A cena foi filmada na madrugada de 7 de outubro, um domingo, no edifício Cetenco Plaza, na Avenida Paulista. As gravações duraram mais de 12 horas e foram acompanhadas por cerca de 300 pessoas, segundo estimativas do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.
O diretor Jorge Fernando (1955-2019) usou uma boneca de pano com cabeça de manequim, que foi jogada do alto do prédio com o figurino da personagem. O local foi isolado a pedido da produção.
A sequência da tragédia é entrecortada pelo show da bailarina Adriana (Cláudia Raia), que apresenta canções do clássico musical Cabaré. Os números musicais foram gravados no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro (RJ). Veja a cena:
Exibida na Globo em 1990, Rainha da Sucata foi escrita por Silvio de Abreu, com colaboração de Alcides Nogueira e José Antônio de Souza. A direção geral é de Jorge Fernando (1955-2019), com direção dele e de Jodele Larcher.
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