Como Coração Acelerado vai misturar sertanejo, força feminina e redes sociais
Autoras falam sobre a concepção da novela, que estreia na Globo em 12 de janeiro
Publicado em 26/12/2025 às 06:00,
atualizado em 26/12/2025 às 12:16
Sertanejo, força feminina e o poder das redes sociais se misturam em Coração Acelerado, próxima novela das 19h, que estreia em 12 de janeiro, substituindo Dona de Mim. A história vai falar sobre o empreendedorismo das mulheres e o papel que as plataformas digitais ocupam hoje no universo da música.
A ideia de escrever uma novela sobre música sertaneja partiu da autora Izabel de Oliveira, que mais tarde se juntou a Maria Helena Nascimento. A primeira tem no currículo Cheias de Charme (2012), enquanto a segunda assinou Rock Story (2017), duas novelas essencialmente musicais.
O eletroforró de uma e o rock de outra agora dão espaço para o estilo mais ouvido do país. O Centro-Oeste, “sede” do gênero musical, é o cenário da história, que também vai retratar universos correlatos, como o agronegócio e a potência das plataformas digitais.
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Enquanto João Raul (Filipe Bragança), um cantor de sucesso, sofre com a superexposição, Agrado (Isadora Cruz), uma artista em ascensão, sofrerá com o “cancelamento” na internet. No decorrer da trama, ela vai formar dupla com Duda (Gabz), que também almeja o sucesso.
Mais detalhes sobre o que vem por aí na história serão conhecidos pelo público em breve. Antes disso, as autoras falaram sobre a concepção da novela em coletiva de imprensa com a presença do NaTelinha. Leia a seguir:
Uma novela sobre música sertaneja
Izabel de Oliveira: A ideia de fazer essa novela sertaneja e falar sobre esse universo começou ali por 2019, quando o feminejo estava bombando. Nesta época, já havia mudado demais os cenários. A comunicação com o público era feita pelas redes sociais, as festas de rodeio ganharam uma importância gigante.
Toda a questão tecnológica e a conversa com as redes entrou demais na narrativa, como maneira diferente de lidar com o público e a superexposição.
As redes sociais e a “novela da vida real”
Izabel de Oliveira: Essa é uma realidade da vida das celebridades, e o nosso triângulo amoroso principal - Agrado, João Raul e Naiane (Isabelle Drummond) - é totalmente invadido pelas narrativas fakes, e tudo isso é muito importante na história.
Maria Helena Nascimento: Os artistas estão sempre à beira do burnout. Não é algo inspirado em alguém em particular, mas está sempre tão na cara da gente, que não dá para ignorar.
Izabel de Oliveira: Não é que a gente tenha se influenciado com um caso específico, mas quando começamos a ler e a estudar, vimos vários casos que se assemelhavam. Então dissemos: ‘Isso precisa entrar na história de alguma maneira’.
Também abordamos um pouco a vida real em contraste com a vida midiática. Há um embate entre a verdade e a mentira. A mentira das redes, a vida falsa. As pessoas se cansam um pouco disso. Os artistas da novela se cansam dessa exposição, da rapidez com que as mentiras se espalham e da força que elas ganham.
Empreendedorismo feminino atravessa a história
Izabel de Oliveira: O empoderamento feminino talvez seja o tema mais forte. Não só com as protagonistas, Agrado e Eduarda, que batalham para mostrar o seu trabalho e fazê-lo ser respeitado. Também personagens como a Janete (Letícia Spiller) e a Zuzu (Elisa Lucinda), mulheres que começam do zero e fazem grandes empreendimentos.
Há também as vilãs. A Zilá (Leandra Leal) é uma super empresária que também se preocupou em casar e ter filhos. é uma pessoa tradicional. O que ela quer no começo da história é ter voz no grupo da família. E as ribeirinhas do Caturama, artesãs que vivem disso, abrem uma cooperativa e trazem a resistência do trabalho artesanal.
Em Goiás, conhecemos muitas mulheres trabalhadoras e muito fortes. Não necessariamente no mundo da música. Era gente que trabalhava com moda, com confecção. Isso nos influenciou e nos deixou encantadas.
Maria Helena Nascimento: Não podemos generalizar, mas todas que conhecemos eram assim: primeiro, a família; depois, cuidando da família, vem o trabalho. Não tem aquela coisa de trabalhar e deixar o resto de lado.
Novela musical após Cheias de Charme e Rock Story
Maria Helena Nascimento: Nós duas temos uma atração por esse universo [da música]. Como espectadora, sempre que estou zapeando e vejo alguma coisa sobre música, eu paro e vejo. Isso me atrai muito e acredito que à Izabel também.
Acho que fomos “juntadas” nesse projeto por isso. No meu caso, foi um pouco por acaso. Vinha de outro projeto e fui parar no dela e nos acoplamos muito bem.
Izabel de Oliveira: Sempre tive uma admiração pelo texto da Maria Helena. É uma autora muito sensível, que tem um entendimento dos personagens. Sempre me emocionei com as cenas dela, até quando a gente colaborava com outros autores [elas trabalharam em Insensato Coração (2011), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares].
Eu tinha esse argumento sobre o universo sertanejo, e gosto de parcerias, acho uma coisa boa, que acrescenta. Uma novela é um trabalho muito sofrido, muito difícil, desesperador às vezes. Queria muito trabalhar com uma pessoa, e foi um entendimento. Queria que fosse a Maria Helena, e a Globo entendeu que seria legal que fosse ela. A gente se juntou por isso.
Maria Helena Nascimento: A gente se completa. Ela é mais solta, meio Almodóvar, eu sou mais séria, e acaba funcionando muito bem.
Coração Acelerado tem direção artística de Carlos Araújo. Bruna Ferreira assina a produção, e Lucas Zardo, a produção executiva. A direção de gênero é de José Luiz Villamarim. Assista a uma chamada da nova novela da Globo: