Próxima das 19h

Como Coração Acelerado vai misturar sertanejo, força feminina e redes sociais

Autoras falam sobre a concepção da novela, que estreia na Globo em 12 de janeiro


Elenco de Coração Acelerado, próxima novela das 19h da Globo
Zilá (Leandra Leal), Alaorzinho (Daniel de Oliveira), Alaor (Marcos Caruso), Naiane (Isabelle Drummond): família de Coração Acelerado está ligada ao agronegócio - Foto: Divulgação/Globo
Por Walter Felix

Publicado em 26/12/2025 às 06:00,
atualizado em 26/12/2025 às 12:16

Sertanejo, força feminina e o poder das redes sociais se misturam em Coração Acelerado, próxima novela das 19h, que estreia em 12 de janeiro, substituindo Dona de Mim. A história vai falar sobre o empreendedorismo das mulheres e o papel que as plataformas digitais ocupam hoje no universo da música.

A ideia de escrever uma novela sobre música sertaneja partiu da autora Izabel de Oliveira, que mais tarde se juntou a Maria Helena Nascimento. A primeira tem no currículo Cheias de Charme (2012), enquanto a segunda assinou Rock Story (2017), duas novelas essencialmente musicais.

O eletroforró de uma e o rock de outra agora dão espaço para o estilo mais ouvido do país. O Centro-Oeste, “sede” do gênero musical, é o cenário da história, que também vai retratar universos correlatos, como o agronegócio e a potência das plataformas digitais.

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Como Coração Acelerado vai misturar sertanejo, força feminina e redes sociais
Agrado (Isadora Cruz), Zuzu (Elisa Lucinda) e Janete (Letícia Spiller) em Coração Acelerado: unidas pela música - Foto: Divulgação/Globo

Enquanto João Raul (Filipe Bragança), um cantor de sucesso, sofre com a superexposição, Agrado (Isadora Cruz), uma artista em ascensão, sofrerá com o “cancelamento” na internet. No decorrer da trama, ela vai formar dupla com Duda (Gabz), que também almeja o sucesso.

Mais detalhes sobre o que vem por aí na história serão conhecidos pelo público em breve. Antes disso, as autoras falaram sobre a concepção da novela em coletiva de imprensa com a presença do NaTelinha. Leia a seguir:

Uma novela sobre música sertaneja

Izabel de Oliveira: A ideia de fazer essa novela sertaneja e falar sobre esse universo começou ali por 2019, quando o feminejo estava bombando. Nesta época, já havia mudado demais os cenários. A comunicação com o público era feita pelas redes sociais, as festas de rodeio ganharam uma importância gigante.

Toda a questão tecnológica e a conversa com as redes entrou demais na narrativa, como maneira diferente de lidar com o público e a superexposição.

As redes sociais e a “novela da vida real”

Izabel de Oliveira: Essa é uma realidade da vida das celebridades, e o nosso triângulo amoroso principal - Agrado, João Raul e Naiane (Isabelle Drummond) - é totalmente invadido pelas narrativas fakes, e tudo isso é muito importante na história.

Maria Helena Nascimento: Os artistas estão sempre à beira do burnout. Não é algo inspirado em alguém em particular, mas está sempre tão na cara da gente, que não dá para ignorar.

Izabel de Oliveira: Não é que a gente tenha se influenciado com um caso específico, mas quando começamos a ler e a estudar, vimos vários casos que se assemelhavam. Então dissemos: ‘Isso precisa entrar na história de alguma maneira’.

Também abordamos um pouco a vida real em contraste com a vida midiática. Há um embate entre a verdade e a mentira. A mentira das redes, a vida falsa. As pessoas se cansam um pouco disso. Os artistas da novela se cansam dessa exposição, da rapidez com que as mentiras se espalham e da força que elas ganham.

Nora (Virgínia Rosa), Rosalva (Luciana Souza) e Leocádia (Cida Mendes)
Nora (Virgínia Rosa), Rosalva (Luciana Souza) e Leocádia (Cida Mendes): as ribeirinhas do Caturama em Coração Acelerado - Foto: Divulgação/Globo

Empreendedorismo feminino atravessa a história

Izabel de Oliveira: O empoderamento feminino talvez seja o tema mais forte. Não só com as protagonistas, Agrado e Eduarda, que batalham para mostrar o seu trabalho e fazê-lo ser respeitado. Também personagens como a Janete (Letícia Spiller) e a Zuzu (Elisa Lucinda), mulheres que começam do zero e fazem grandes empreendimentos.

Há também as vilãs. A Zilá (Leandra Leal) é uma super empresária que também se preocupou em casar e ter filhos. é uma pessoa tradicional. O que ela quer no começo da história é ter voz no grupo da família. E as ribeirinhas do Caturama, artesãs que vivem disso, abrem uma cooperativa e trazem a resistência do trabalho artesanal.

Em Goiás, conhecemos muitas mulheres trabalhadoras e muito fortes. Não necessariamente no mundo da música. Era gente que trabalhava com moda, com confecção. Isso nos influenciou e nos deixou encantadas.

Maria Helena Nascimento: Não podemos generalizar, mas todas que conhecemos eram assim: primeiro, a família; depois, cuidando da família, vem o trabalho. Não tem aquela coisa de trabalhar e deixar o resto de lado.

 

Novela musical após Cheias de Charme e Rock Story

Maria Helena Nascimento: Nós duas temos uma atração por esse universo [da música]. Como espectadora, sempre que estou zapeando e vejo alguma coisa sobre música, eu paro e vejo. Isso me atrai muito e acredito que à Izabel também.

Acho que fomos “juntadas” nesse projeto por isso. No meu caso, foi um pouco por acaso. Vinha de outro projeto e fui parar no dela e nos acoplamos muito bem.

Izabel de Oliveira: Sempre tive uma admiração pelo texto da Maria Helena. É uma autora muito sensível, que tem um entendimento dos personagens. Sempre me emocionei com as cenas dela, até quando a gente colaborava com outros autores [elas trabalharam em Insensato Coração (2011), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares].

Eu tinha esse argumento sobre o universo sertanejo, e gosto de parcerias, acho uma coisa boa, que acrescenta. Uma novela é um trabalho muito sofrido, muito difícil, desesperador às vezes. Queria muito trabalhar com uma pessoa, e foi um entendimento. Queria que fosse a Maria Helena, e a Globo entendeu que seria legal que fosse ela. A gente se juntou por isso.

Maria Helena Nascimento: A gente se completa. Ela é mais solta, meio Almodóvar, eu sou mais séria, e acaba funcionando muito bem.


Coração Acelerado tem direção artística de Carlos Araújo. Bruna Ferreira assina a produção, e Lucas Zardo, a produção executiva. A direção de gênero é de José Luiz Villamarim. Assista a uma chamada da nova novela da Globo:

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