Ator de Guerreiros do Sol recorda visita ao circuito do Cangaço: "Silêncio, música e reflexões"
Marco França está no elenco de Homem com H e interpretou Fubá Mimoso em Mar do Sertão e No Rancho Fundo
Publicado em 11/07/2025 às 05:51,
atualizado em 12/07/2025 às 07:44
Completando 35 anos de carreira, Marco França tem muitos motivos para comemorar. Depois do sucesso estrondoso como Fubá Mimoso em Mar do Sertão (2022) e No Rancho Fundo (2024), o ator interpreta o cangaceiro Fabiano Sanfoneiro em Guerreiros do Sol, disponível no Globoplay e exibida também no Globoplay Novelas, antigo canal Viva.
Além disso, ele também pode ser visto no cinema, no elenco de Homem com H, cinebiografia sobre o cantor Ney Matogrosso, em exibição nas salas de todo o Brasil. E até o mês passado, o artista ainda estava em cartaz com a peça Territórios do Amor, no Rio de Janeiro.
As gravações de Guerreiros do Sol aconteceram em 2023 e duraram dois meses. Antes, porém, os atores participaram de uma experiência imersiva pelo nordeste e conheceu o circuito do Cangaço.

"Antes de iniciarmos as gravações [em abril de 2023] fizemos uma preparação de uma semana conhecendo o circuito do Cangaço, passando por rotas que o bando de Lampião fez e com algumas improvisações de cenas conduzidas por Andreia Cavalcante [preparadora de elenco]", disse o ator em conversa exclusiva com o NaTelinha.
NaTelinha: Como foi participar de um trabalho tão intenso quanto Guerreiros do Sol? Estava ansioso pra estreia da novela?
Marco França: Muito ansioso! Terminamos de gravar Guerreiros no final de 2023. Ou seja, estreou um ano e meio depois. Pra nós que fazemos audiovisual, quanto antes a obra for pro mundo melhor. O trabalho só se consuma quando chega no público. Isso aumenta a possibilidade de repercutir em outros trabalhos futuros. E a gente sabia que estava vivendo uma coisa muito especial. Sentíamos isso gravando as cenas. Certamente, esse trabalho marcará a vida de muitos de nós que fizeram parte dele.
NaTelinha: Guerreiros do Sol retrata o cangaço brasileiro, marcado por muita violência e muita dor. Você gravou no nordeste? Estava com o grupo que visitou a gruta onde Lampião e Maria Bonita foram mortos? O que sentiu?
Marco França: Sim, gravamos durante dois meses em alguns arredores e cidades como Piranhas, Delmiro Gouveia, Canudos e Paulo Afonso. Antes de iniciarmos as gravações [abril de 2023], fizemos uma preparação de uma semana conhecendo o circuito do Cangaço, passando por rotas que o bando de Lampião fez e com algumas improvisações de cenas conduzidas por Andreia Cavalcante [preparadora de elenco]. Finalizamos essa experiência visitando o local onde o bando foi executado [Grota de Angico / SE]. Lá, vivenciamos um momento de muita energia entre silêncios, músicas e reflexões. Selamos ali a nossa permissão e respeito pela história e memória daqueles que contaremos mais adiante. Muito especial…
NaTelinha: Além de atuar, você também é músico. Como é ter composições suas na trilha sonora da novela do Globoplay?
Marco França: Eu também sou compositor, né? Já estou acostumado a pensar música a partir de personagens e como não tem muitos registros de forrós dos anos 20 e 30, a gente acabou se baseando bastante no repertório do disco "As Cantigas de Lampião", na voz do Volta Seca — que, inclusive, foi um dos cangaceiros do bando! Então, compor músicas que conversassem diretamente com as cenas foi algo que rolou de forma muito natural pra mim. E acho que isso vai continuar acontecendo... Tenho certeza de que ainda vou cruzar com outros personagens que, assim como o Fabiano, vão me pedir emprestado esse lado músico que carrego. E isso, pra mim, é quase inevitável. Certamente é um diferencial no meu trabalho ser um ator/músico/ator.

NaTelinha: Na TV Globo, você interpretou o Fubá Mimoso, em Mar do Sertão e no Rancho Fundo. Apesar de matador, o seu personagem cativou o público. Por quê?
Marco França: Ah o Fubá, ele era realmente Mimoso [risos]... Eu coleciono alguns vilões na minha trajetória. Me divirto muito com eles. Acho que existe uma grande tendência do público gostar dos vilões. Eles movem a história contrapondo, criando conflitos, girando a roda! E eu acho que, além disso, foi um personagem muito bem escrito pelo Mário Teixeira pra uma trama das 18h, o que permite o uso do humor que se aproxima muito das pessoas através da linguagem popular e que é um tiro certeiro na audiência. Ele [Fubá] tinha características muito marcantes como o topete, o figurino e, principalmente, a unha pintada do dedo mindinho da mão. Até hoje, ele é um sucesso entre as pessoas que me encontram na rua.
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NaTelinha: Qual a cena de Guerreiros do Sol foi mais difícil ou mais tensa pra você?
Marco França: Xiiiii… Essa eu não posso responder. Seria um grande spoiler! Mas vocês saberão quando assistirem. Não tem como não saber. Será inconfundível!
NaTelinha: Além do streaming, você também pode ser visto no cinema, em Homem com H, filme que fala da vida e carreira de Ney Matogrosso. Com o cinema nacional cada vez mais em alta, você acredita que o brasileiro finalmente descobriu a nossa potência no audiovisual?
Marco França: Muitos já sabiam. É fato que vivemos um momento glorioso no cinema nacional depois do inédito Oscar que ganhamos. Mas já estamos fazendo um cinema de altíssima qualidade há alguns bons anos. Ainda assim, é importante para as novas gerações a reafirmação de quem somos e do trabalho incrível que fazemos. Sobretudo, nesse momento em que precisamos defender a inteligência humana além do óbvio e que a estupidez é celebrada como progresso