Críticas negativas

Grotesca, imoral, sem nexo: Rainha da Sucata foi detonada na imprensa em 1990

“Uma novela que só serve para sucata”, “Maior decepção do ano”: veja como foram as críticas à trama da Globo na época da exibição original


Laurinha (Glória Menezes), Edu (Tony Ramos) e Maria do Carmo (Regina Duarte) em Rainha da Sucata
Laurinha (Glória Menezes), Edu (Tony Ramos) e Maria do Carmo (Regina Duarte) em Rainha da Sucata: clássico da TV, novela foi criticada em 1990 - Foto: Divulgação/Globo

“Uma novela que só serve para sucata”, “Maior decepção do ano” e “Fomentou a crueldade no público” foram algumas das críticas e acusações que surgiram em manchetes na imprensa em outubro de 1990, após o fim de Rainha da Sucata. A trama, que está novamente no ar no Vale a Pena Ver de Novo, na Globo, e hoje é considerada um clássico da TV, terminou duramente criticada.

A jornalista Cora Rónai, do Jornal do Brasil, classificou a produção como “uma novela que só serve para sucata”. Ela cravou: “Não sei se é a pior que a Globo jamais apresentou ou se fico com essa impressão só porque é a mais recente”.

No texto, a crítica colocou o folhetim no rol dos piores da emissora, ao lado, segundo ela, de títulos como Roda de Fogo (1986), Mandala (1987), Bebê a Bordo (1988) e O Salvador da Pátria (1989).

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“Foi uma chateação constante, cotidiana, um aborrecimento quase perpétuo”, seguiu Rónai, “uma novela em que o telespectador foi ludibriado desde o começo”. Ela ainda afirmou que Rainha começou como “comédia ligeira que, em pouco tempo, assumiu ares sinistros de dramalhão mexicano”.

A jornalista citou ainda uma suposta “imoralidade”, com “cenas de sadomasoquismo explícito e incesto escancarado”, referindo-se a Ingrid (Andréa Beltrão), personagem que se envolve com três irmãos, Gera (Marcello Novaes), Gerson (Gerson Brener) e Gino (Jandir Ferrari), e ao casal Alaíde (Patrícia Pillar) e Rafael (Maurício Mattar), que na trama acreditam ser irmãos.

“Ao longo de seis tediosos meses, toda essa bandalheira foi tratada com grande tranquilidade e compreensão, como se fosse apenas um pequeno retrato da vida normal, da existência rotineira de pessoas comuns.”

Cora Rónai sobre Rainha da Sucata, em outubro de 1990
Patrícia Pillar e Maurício Mattar em Rainha da Sucata
Alaíde (Patrícia Pillar) e Rafael (Maurício Mattar)  em Rainha da Sucata - Foto: Divulgação/Globo

Rainha da Sucata também foi acusada de fomentar a crueldade do público por Luís Antônio Giron, da Folha de S.Paulo. O jornalista rotulou a novela como um “dramalhão cômico-thriller”, que uniu o estilo da autora de novelas Glória Magadan (1920-2001), criadora de tramas capa-e-espada e melodramáticas na Globo nos anos 1960, ao do cineasta Alfred Hitchcock (1899-1980), mestre do suspense.

O suicídio de Laurinha (Glória Menezes) e as mortes causadas por Renato (Daniel Filho) foram exemplos citados no texto: “Os tabus da sociedade brasileira foram reduzidos a pastiche. Triângulos amorosos e rituais de crueldade viraram confeitos”.

Na percepção do crítico, “houve até a exaltação ao sexo grupal” por meio da relação entre Ingrid e os irmãos Gera, Gerson e Gino – o quarteto fica junto no desfecho.

Já Maria Helena Dutra, do jornal O Dia, definiu Rainha da Sucata como “grotesca” e “a maior decepção do ano”. Lançada com elenco estelar para comemorar os 25 anos da Globo, a novela “acabou se tornando apenas um insuportável velório de talentos desperdiçados”, de acordo com a jornalista.

Para ela, o autor Silvio de Abreu, de comédias de sucesso às 19h, “se mostrou totalmente sem inspiração” na estreia às 20h: “Uma trama doida, sem nexo, interesse, e repleta de apelações grosseiras e grotescas. Que mereceu direção adequada, no melhor estilo lambada, do saltitante Jorge Fernando”.

Aracy Balabanian em Rainha da Sucata
Dona Armênia (Aracy Balabanian) em Rainha da Sucata - Foto: Divulgação/Globo

Dutra elogiou a atuação de Aracy Balabanian (Dona Armênia): “Uma atriz sensível e preparada que, ao deixar de lado suas qualidades e se tornar um tipo de teatro infantil, chegou ao êxito”. Também foram poupados Raul Cortez (Jonas), Cleyde Yáconis (Isabelle) e Nicette Bruno (Neiva).

Por outro lado, a jornalista afirmou que “o gago apalhaçado” vivido por Antonio Fagundes “superou o nível do insuportável”; e que Daniel Filho, intérprete do vilão Renato, “ganha sem concorrência o título de pior ator do ano”. Já Laurinha teria sido “o papel mais ingrato da carreira” de Glória Menezes.

Sobre Regina Duarte, que viveu a protagonista, a crítica escreveu: “Berrou muito depois substituiu gritos por falar caipira mas não reeditou Porcina na sua implausível Maria do Carmo”, referindo-se ao papel da atriz em Roque Santeiro (1985).

“Que saldo. De um grande equívoco que nem parecia feito pela Globo. Capaz, no passado, de bons entretenimentos populares em forma de novela. Agora quase agonizante no setor. Pois em seu horário mais nobre não faz nada de digno ou mesmo divertido desde Vale Tudo.”

Maria Helena Dutra sobre Rainha da Sucata, em outubro de 1990

Para a crítica especializada, a melhor novela de 1990 foi Pantanal, da Manchete, que recebeu todos os principais prêmios daquele ano. Parte da rejeição da imprensa a Rainha da Sucata foi atribuída pelo autor à acusação de que a trama da Globo fazia um tipo de propaganda para o Governo Collor.

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Exibida na Globo em 1990, Rainha da Sucata foi escrita por Silvio de Abreu, com colaboração de Alcides Nogueira e José Antônio de Souza. A direção geral é de Jorge Fernando (1955-2019), com direção dele e de Jodele Larcher.

O NaTelinha divulga todos os dias os resumos dos capítulos, detalhes dos personagens, entrevistas exclusivas com o elenco e spoilers da novela Rainha da Sucata. Confira!

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