Rui Vilhena sobre "Boogie Oogie": "desfechos inesperados vão acontecer"

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Publicado em 09/02/2015 às 15:40:11

Por: João Gabriel Batista

Diferente do que muitos podem imaginar, "Boogie Oogie", que está em contagem regressiva na faixa da 18h na Globo, guarda particularidades que vão além da simples estreia de um autor, como muitas que ocorreram ao longo dos últimos anos.

A atual trama das seis é assinada por Rui Vilhena, nome então desconhecido por muitos mas com um currículo extenso e com histórico profissional por quatro países. Rui é natural de Moçambique, mas foi criado no Brasil. Morou mais de 15 anos em Portugal, porém complementou seus estudos nos Estados Unidos.

Contratado da Globo desde 2011, o autor, que colaborou com "Fina Estampa", já ameaçou, ainda que de forma indireta, sua atual casa. Ele escreveu "Ninguém como Tu" em Portugal pela TVI, rival da SIC, parceira do canal carioca. A trama, que é um dos maiores fenômenos da dramaturgia do país, impôs amargas derrotas à "Belíssima", de Silvio de Abreu. O placar chegava a ser de avassaladores 43% para a novela de Rui ante modestos 9% da história protagonizada por grandes estrelas brasileiras, como Fernanda Montenegro e Glória Pires.


Autor de "Boogie Oogie", Rui chegou ao posto de autor solo com responsabilidades de roteiristas longevos. A sua história chegará ao fim com mais de 180 capítulos, sendo a mais longa em quase 10 anos na faixa (a última mais longa foi "Sinhá Moça", em 2006). Tal fato, no entanto, não incomoda o roteirista: "Meu objetivo principal é contar bem a história, o tempo que isso vai levar, depende da própria história. Não fico preso a isso".

Outra prova de que Rui não foi poupado por ser novato é exemplificado na época de lançamento de sua novela. "Boogie Oogie" começou em agosto e, apesar de ter mantido a liderança isolada, enfrentou concorrentes que todos os autores buscam evitar. Dois meses após a estreia, em outubro, começou o Horário de Verão. Em dezembro, o verão propriamente dito, assim como as compras de Natal, festas de fim de ano e diversos eventos que fazem com que uma das últimas vontades do telespectador seja estar à frente da TV. Tal oscilação não incomoda Rui: "Estou muito feliz com o desempenho da novela!".

O ritmo eletrizante de toda a narrativa deverá ser ainda mais intensificado daqui para frente. "Daqui para frente, muitas outras viradas e desfechos inesperados vão acontecer", antecipou.

Confira entrevista exclusiva de Rui Vilhena concedida ao NaTelinha:

NaTelinha - "Boogie Oogie" é a sua primeira novela no Brasil após várias tramas de sucesso em Portugal. Qual diferença entre escrever para lá e para nós? Que adaptações ou cuidados você, como autor, teve de tomar para esta missão?
 
Rui Vilhena -
Está sendo maravilhoso escrever uma novela aqui no Brasil. Eu já tinha trabalhado como colaborador do Aguinaldo Silva em "Fina Estampa". As novelas portuguesas são parecidas com as brasileiras e o público de lá está acostumado com os produtos daqui. É tudo muito semelhante.
 

NaTelinha - De onde nasceu a sinopse de "Boogie Oogie"? Ela foi criada pensando no público brasileiro?
 
Rui Vilhena -
Sim. Acho que a ideia central veio da vontade de fazer uma novela que se passasse nos anos 70. A partir daí, eu fiz uma pesquisa sobre o período para criar o tema. Eu tinha 18 anos em 1978, que é o ano em que se passa a novela. Fui ver como era a vida nas discotecas, aquela alegria toda no Rio de Janeiro, porque a cidade naquele ano era realmente uma festa, com uma descontração muito grande. Foi uma época muito marcante.

 
NaTelinha - A novela deve terminar com mais de 180 capítulos, sendo assim a mais longa da faixa das 18h desde "Sinhá Moça", em 2006. Como enxergou o desafio de ter sua primeira trama da casa com tamanha extensão e como vem sendo trabalhar nisso?
 
Rui Vilhena -
Meu objetivo principal é contar bem a história, o tempo que isso vai levar, depende da própria história. Não fico preso a isso. Eu sou muito exigente com o meu trabalho, por isso, tento fazê-lo da melhor maneira possível. Escrever novela requer um comprometimento muito grande e envolve muitos profissionais. Mas, posso lhe dizer que é o que mais amo fazer na vida!
 

NaTelinha - Apesar de ter começado com bons índices, "Boogie Oogie" perdeu força com o Natal, Réveillon, horário de verão e outros agravantes comuns às novelas de todos os horários. Você acompanha os índices de audiência? Houve algum tipo de pressão por parte da Globo ou alguma interferência feita em cima dos índices?
 
Rui Vilhena -
Estou muito feliz com o desempenho da novela! Minha proposta era contar uma história de amor, de encontros e desencontros durante a década que marcou uma geração, criou tendência na moda, na música e no estilo de vida. E acho que consegui!

A novela teve a década de 70 recriada de forma brilhante pela equipe de produção de arte, figurino, cenografia, além da trilha sonora, é claro, e de todos os outros elementos que compõem uma novela. O que existe é o comprometimento de toda uma equipe em fazer um trabalho conjunto da melhor forma possível, um complementando o outro. E eu acredito que esse resultado, nós alcançamos.
 

NaTelinha - "Boogie Oogie" é uma trama cheia de reviravoltas e uma história densa. Houve alguma inspiração na vida real para criação, ainda que seja para um personagem, contexto ou até mesmo a sinopse como um todo?
 
Rui Vilhena -
Não me inspirei em nenhum fato ou pessoa específica. Mas costumo dizer que o autor tem um pouco de cada personagem.
 

NaTelinha - Um dos maiores segredos de "Boogie Oogie" gira ao redor da personagem Carlota. A amargura dela tem a ver com o segredo escondido a sete chaves?
 
Rui Vilhena -
Com certeza. Acho que todos carregam na personalidade algumas características de experiências e situações vividas no passado. A Carlota esconde um segredo que envolve um grupo de pessoas. Aparentemente, ela foi enganada por alguns e se sacrificou por outros. De certa forma, isso causou amargura na personagem.
 

NaTelinha - O que realmente aconteceu quando da saída temporária de Giulia Gam da novela? À época falou-se bastante em desetendimentos nos bastidores.

Rui Vilhena - A atriz não saiu da novela. A personagem Carlota (Giulia Gam) desapareceu quando foi procurar a filha Vitória (Bianca Bin) em Paris. Estava previsto na trama dela.
 

NaTelinha - Como lidou ao saber que teria que abrir mão de Deborah Secco para uma outra novela? Que tipo de mudanças foram feitas?

Rui Vilhena - Na trama, Inês (Deborah Secco) recebeu um convite para trabalhar nos Estados Unidos e aceitou a proposta. Foi o rumo da personagem. Acho que Deborah fez muito bem seu papel na novela e fiquei muito feliz por tê-la no elenco.

NaTelinha - Você consagrou sua carreira em Portugal, porém "Boogie Oogie" ainda não chegou ao país pela TV aberta. Como acredita que será a recepção por lá? Tem recebido retorno de quem mora lá e acompanha a novela pela Globo Internacional?
 
Rui Vilhena -
Eu espero que seja boa. Eu tenho um ótimo relacionamento com o público de Portugal e tive uma experiência muito boa com os trabalhos que desenvolvi no país. O telespectador gosta do mesmo estilo de novela daqui. Então, acredito que também gostem de "Boogie Oogie"!
 

NaTelinha - O que o telespectador pode esperar para a reta final de "Boogie Oogie"?
 
Rui Vilhena -
Ao longo da novela – que contou com um trabalho de sucesso das equipes de produção de arte, figurino, cenografia e trilha sonora – o público pôde acompanhar viradas de trama surpreendentes. Daqui para frente, muitas outras viradas e desfechos inesperados vão acontecer. Mas não posso entregá-los agora (risos). O que posso dizer é que o ritmo da novela se mantém até o final!



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