Alfinetada

Bolsonaro foi fundamental para a existência de O Agente Secreto, afirma Kleber Mendonça Filho

Diretor de O Agente Secreto não perdeu a chance de falar de Bolsonaro


Kleber Mendonça Filho, diretor de O Agente Secreto, e Bolsonaro em montagem
Diretor de O Agente Secreto falou de Bolsonaro - Foto: Montagem

O cineasta Kleber Mendonça Filho detalhou como a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro e o cenário político brasileiro recente serviram de combustível criativo para a realização de O Agente Secreto.

O filme, um thriller político ambientado no Recife de 1977, utiliza a atmosfera de confinamento e paranoia do regime militar para traçar um paralelo direto com o autoritarismo contemporâneo. Na trama, Wagner Moura interpreta Armando, um ex-professor universitário e pesquisador de tecnologia que tenta fugir do país com o filho enquanto é perseguido por agentes do Estado.

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A relação entre a obra e o ex-mandatário foi reforçada pelo protagonista durante a campanha de promoção do filme nos Estados Unidos. Em entrevista ao apresentador Jimmy Kimmel, Moura chegou a classificar Bolsonaro como o "Trump brasileiro", ressaltando o fato de o político estar preso, e afirmou que a atmosfera política estabelecida entre 2018 e 2022 foi o que deu sustentação ao roteiro. Segundo o ator, "o filme não teria acontecido se não fosse por causa dele [Bolsonaro]", tratando a produção cinematográfica como uma resposta artística aos episódios e à condução política daquele período específico da história do Brasil.

Para a Veja, o diretor concordou. “É uma frase muito boa e, de uma maneira orgânica, ele não deixa de ter razão. Todo filme meu vem de uma espécie de “antena atmosférica”. Aquarius, por exemplo, nasceu da minha impressão com as demolições ao meu redor. Para Bacurau, foram nove anos de trabalho que pegaram fogo quando o Brasil começou a sair da estrada democrática. Em O Agente Secreto, eu achava que estaria isolado escrevendo sobre o ano de 1977, mas percebi que o clima daqueles quatro anos de governo era como se um grupo de homens velhos quisesse reeditar os anos dourados do regime militar. Eu não chegaria ao ponto de agradecer ao ex-presidente, mas, com certeza, o clima canalha instaurado naqueles anos me deu elementos cruciais para escrever o filme”.

Atualmente, O Agente Secreto vive um momento de consagração internacional ao concorrer ao Oscar em quatro categorias de peso: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator — pela performance de Moura — e melhor direção de elenco. A expectativa em torno da premiação é alta, com o diretor e parte do elenco presentes em Los Angeles para a cerimônia que ocorre neste domingo (15).

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