Walter Salles faria discurso político no Oscar de Ainda Estou Aqui: "Ditadura nunca mais"
Cineasta vencedor do Oscar, Walter Salles não fez o discurso histórico
Publicado em 04/03/2025 às 14:20
Walter Salles iria fazer um duro discurso político na cerimônia do Oscar no último domingo (2). O cineasta por trás de Ainda Estou Aqui havia preparado um texto duro contra ditadura e em favor da democracia, mas acabou subindo ao palco e resumindo suas intenções durante a cerimônia. As mudanças de plano aconteceram não por temer represália, mas por um motivo bem mais inusitado: ele perdeu a anotação.
Em coletiva na manhã desta terça-feira (4) ainda em Los Angeles, ao lado de Fernanda Torres e Selton Mello, o diretor revelou que o discurso da vitória de Ainda Estou Aqui como Melhor Filme Internacional não era o que ele planejou. Segundo Walter, ao subir no palco e pegar a estatueta, ele procurou suas anotações e simplesmente não encontrou, tendo de improvisar.
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“Fiquei com os óculos, mas sem ter o que ler”, comentou ele aos risos. Embora lembrasse parte do texto, muita coisa acabou ficando de fora. Por isso, o cineasta aproveitou para celebrar Eunice Paiva, a personagem real que deu vida à protagonista do longa vencedor do Oscar, além de Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, mãe e filha que interpretaram a personagem nas telonas.
Após a cerimônia, Salles encontrou o discurso e o divulgou, mostrando que seria uma pedrada em favor da democracia e denunciando o ressurgimento de regimes autoritários.
Ainda Estou Aqui narra a história de Eunice Paiva (Fernanda Torres), que vê seu marido Rubens Paiva (Selton Mello) ser levado pela ditadura militar e desaparecer. Ela passou anos tentando provar que o homem havia sido assassinado pelo regime e só se tranquilizou quando conseguiu a certidão de óbito do ex-deputado. O filme é inspirado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho do casal, e rendeu o primeiro Oscar da história do Brasil.
Leia a íntegra do que seria o discurso de Walter Salles no Oscar
"Obrigado, em nome do Cinema Brasileiro. Agradeço à Academia por reconhecer a história de uma mulher que, diante de uma tragédia causada por uma ditadura militar, optou por resistir para proteger sua família. Em um tempo em que tais regimes estão se tornando cada vez menos abstratos, dedico esse prêmio a Eunice Paiva e a todas as mães que, diante de tamanha adversidade, têm a coragem de resistir. Que nos ensinam a lutar sem perder a capacidade de sorrir, mesmo quando elas se sentem frágeis.
Este prêmio também pertence a duas mulheres extraordinárias, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro. Elas não apenas elevaram nosso filme, mas representam o fato de que a arte resistiu no Brasil
Governos autoritários surgem e desaparecem no esgoto da história, enquanto livros, canções e filmes ficam conosco… Obrigado a todos, em nome do cinema brasileiro e latino-americano! Viva a Democracia, Ditadura Nunca Mais!"
Veja o discurso de Walter Salles no Oscar
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