"Deus Salve o Rei" enche os olhos, mas precisa de leveza

Fotos: Reprodução/TV Globo

Publicado em 09/01/2018 às 21:11:38 ,
atualizado em 09/01/2018 às 21:46:44

Por: Ariane Fabreti

Há uma anedota que por muitos anos assombrou a produção de época brasileira, fosse ela no cinema ou na TV: se as perucas dos atores fossem boas, então a produção era de qualidade.

Pensamento difícil para quem acompanhou o primeiro capítulo de "Deus Salve o Rei" nesta terça-feira (9), nova novela das 19h da Globo, escrita por Daniel Adjafre ("Sete Vidas", "Cidade dos Homens") e dirigida por Fabrício Mamberti ("A Cara do Pai", "Saramandaia").

Difícil porque o cuidado com os detalhes em uma trama ambientada na Idade Média saiu do aspecto teatral e exagerado para se aproximar do naturalismo das séries internacionais que retratam o mesmo período. O esmero com os figurinos, os cenários e a direção de arte enchem os olhos e também justificam a ampla divulgação que a emissora carioca fez da nova novela com insistentes chamadas ao longo da programação e exibição do capítulo de estreia em várias salas de cinema do país.

"Deus Salve o Rei", como deixa antever o título, retrata uma Idade Média formal, quase cerimoniosa, com seus jogos de poder, mensageiros apressados, monarcas solenes e intrigas nos corredores dos palácios.

Em um acordo comercial amigável de muitos anos entre os reinos de Artena e Montemor para que o abastecimento de água e de minério continue, desfilam as figuras da princesa ambiciosa Catarina (Bruna Marquezine), pouco afeita ao pacifismo do pai, rei de Artena (um ótimo Marcos Nanini, como sempre), a rainha de Montemor, Crisálida (Rosamaria Murtinho) e seus netos, Afonso (Rômulo Estrela) e Rodolfo (Johnny Massaro, excelente), respectivamente o herdeiro heróico e o herdeiro fanfarrão.

É fácil prever que uma guerra irá despontar e um triângulo amoroso se formará com Catarina, Afonso e a plebeia Amália (Marina Ruy Barbosa). Como bem convém a uma trama medieval, os personagens são definidos e o binômio bem/mal, bastante resolvidos, assim como o ar grave dos nobres e certa comicidade/suavidade dos plebeus.

Apesar de comparada a "Game of Thrones", sucesso da HBO americana que colocou a Idade Média suja e ríspida no mapa, "Deus Salve o Rei" obedece o gênero novela, mais especificamente a novela das 19h, e economiza no lado árido, mas não o suficiente para se levar muito a sério em determinados momentos.

Se é louvável o esforço de Bruna Marquezine em se livrar de personagens infantilizados e dar um tom sombrio à sua Catarina, também é constrangedor assistir as cenas de luta capa e espada mal coreografadas e à interpretação irregular de Rômulo Estrela junto aos colegas Johnny Massaro e Rosamaria Murtinho.

"Deus Salve o Rei" preenche a cota de beleza e esmero necessária ao telespectador, mas ainda precisa encontrar o seu cadinho de conto de fadas.

Ariane Fabreti é colunista do NaTelinha. Formada em Publicidade e em Letras, adora TV desde que se conhece por gente. Escreve sobre o assunto há oito anos.



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