Agradável, “Novo Mundo” foi uma ousadia que deu certo

Reprodução

Publicado em 25/09/2017 às 19:15:38 , atualizado em 25/09/2017 às 19:26:14

Por: Diogo Cavalcante

“Novo Mundo” foi, do começo ao fim, uma ousadia feliz no horário das 18h. A trama, que teve seu último capítulo exibido nesta segunda-feira na Globo, tirou atores da zona de conforto, promoveu misturas culturais, ensinou história do Brasil sem se tornar telecurso e apresentou uma fotografia e produção dignas de cinema. A aposta no diferente foi corajosa, e esse talvez tenha sido o maior valor da novela.

A mistura de culturas já começava nos personagens principais. Anna Millman (Isabelle Drummond), inglesa professora de português. Joaquim Martinho, um ator lusitano. Piatã (Rodrigo Simas), um índio criado pela família de Anna. Os três partiram em direção ao Brasil, lidando com mais culturas diferentes. Nos 161 capítulos da trama, tivemos brasileiros-colonos, portugueses, ingleses, espanhóis, indígenas, africanos e até piratas fizeram um choque cultural de perfeita sintonia.

Houve a representação histórica. Apesar do risco de se tornar chata ou didática, virando um verdadeiro telecurso, a condução e a aplicação dos fatores históricos no folhetim foi impecável. Alessandro Marson e Thereza Falcão conseguiram pôr os dois caminhando lado a lado, mesmos que parte do público, segundo pesquisa feita pela Globo, mostrasse desconhecimento de sua própria história. Não houve confusão nem didatismo.

Atuações fora da zona de conforto

Vivianne Pasmanter ficou feia. Guilherme Piva ficou horrendo. Leopoldo Pacheco raspou a cabeça e aplicou uma tatuagem na careca. Letícia Colin usou roupas para ficar mais gordinha. Rodrigo Simas e Giullia Buscacio viraram índios natos. Esses sete exemplos citados mostram o quanto a direção artística de Vinícius Coimbra buscou extrair muito mais que a simples atuação correta dos atores da novela.

Até mesmo quem não precisou de mudanças bruscas precisou se adaptar, seja nos trejeitos do século XIX, seja na linguagem cultural de cada etnia. Que o diga Gabriel Braga Nunes e Isabelle Drummond, com sotaques ingleses que não soavam forçados. A produção foi requintada - e olha que foi reutilizada a cidade cenográfica de “Liberdade, Liberdade”, com as devidas alterações. A fotografia de Alexandre Berra, esfumaçada e até borrada, não incomodou.

A produção musical de Sacha Amback foi um achado. Sem nenhuma música cantada, os temas instrumentais compostos pelo músico aprimoraram a estética épica da novela. A abertura, feita por Flávio Mac, Alexandre Romano e Roberto Stein, foi bastante criativa, num tempo que as vinhetas estão cada vez mais sem graça.

Nem sempre obras ousadas são agradáveis, especialmente pela falta de uma boa história que sustente, como foi o caso de produtos como “Os Dias Eram Assim”, “Nada Será Como Antes” e “Velho Chico”. “Novo Mundo” foi exemplo de qualidade artística e dramatúrgica. Valeu a pena.

 

Diogo Cavalcante é formando em jornalismo. Amante de televisão e apaixonado por novelas, fala sobre o assunto desde 2013. 

Twitter: @diogo_cc



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