Grande nome do teatro e do cinema, Juca de Oliveira marcou novelas da Globo e do SBT
O ator esteve em tramas icônicas como Saramandaia, As Pupilas do Senhor Reitor, O Clone e Avenida Brasil
Publicado em 21/03/2026 às 15:22,
atualizado em 21/03/2026 às 15:46
Morto neste sábado (21), aos 91 anos, Juca de Oliveira marcou o teatro, a televisão e o cinema brasileiros. Foram quase 75 anos de dedicação às artes, se tornando um dos maiores nomes do setor. Além de ator, o veterano era diretor, dramaturgo e escritor.
Na TV, Juca estreou em 1964 na pele de Jorge na novela Gutierritos, o Drama dos Humildes, da extinta TV Tupi. Por lá, também emplacou A Outra (1965), Nino, O Italianinho (1969), A Fábrica (1971) e Camomila e Bem-Me-Quer (1972).
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Logo depois, Oliveira migrou para a Globo, onde esteve em O Semideus (1973), Fogo Sobre Terra (1974), Saramandaia (1976), Espelho Mágico (1977), Pecado Resgado (1978), Fera Ferida (1993), Torre de Babel (1998), O Clone (2001), quando imortalizou o médico Albieri, Mad Maria (2005), A Cura (2010), Avenida Brasil (2012), Flor do Caribe (2013) e Além do Tempo (2015), entre outras.
Seu último papel no gênero se deu justamente no plim plim, quando, a convite do autor Walcyr Carrasco, ele interpretou Natanael Montserrat em O Outro Lado do Paraíso (2017).
Juca de Oliveira também contribuiu com seu talento em projetos da Record, Manchete e Band, onde esteve em Ninho da Serpente (1982) e A Idade da Loba (1995), mas foi no SBT que o ator teve mais destaque fora dos domínios da Globo.
No canal fundado por Silvio Santos (1930-2024), o artista deu vida a Alceu Orion em Brasileiros e Brasileiras (1990) e Egisto Ghirotto em Os Ossos do Barão (1997), mas foi com Padre Antônio, de As Pupilas do Senhor Reitor (1995), que obteve uma das maiores repercussões de sua carreira televisiva.
No cinema, Juca emprestou sua grife para longas como O Jogo da Vida e da Morte (1972), À Flor da Pele (1976), Deu Veado na Cabeça (1982), Bufo & Spallanzani (2001) e O Signo da Cidade (2007), mas foi no teatro, sua grande paixão, onde encenou peças icônicas.
O intérprete esteve em montagens como Eles Não Usam Black-Tie (1962), A Morte do Caixeiro Viajante (1962), O Noviço (1963), Baixa Sociedade (1979), De Braços Abertos (1984), Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa (1990), Caixa 2 (1997) e Às Favas com os Escrúpulos (2007), que lhe renderam uma dezena de prêmios. Sua última peça foi Mãos Limpas, de 2009.
Morre o ator Juca de Oliveira

Em nota enviada à imprensa, a equipe de Juca de Oliveira lamentou a morte do ator, que no último dia 16 de março completou 91 anos.
Confira:
"Com pesar, comunicamos o falecimento do ator, autor e diretor Juca de Oliveira, ocorrido neste madrugada de 21 de março de 2026, aos 91 anos.
Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras, Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema. Membro da Academia Paulista de Letras, destacou-se como intérprete, mas também como autor e diretor de obras relevantes, marcadas por olhar crítico, sensibilidade social e forte presença de público.
Ao longo de sua carreira, participou de importantes produções teatrais, muitas delas de sua própria autoria, além de integrar elencos de novelas e programas televisivos de grande alcance nacional. Sua atuação sempre foi pautada pelo rigor artístico e pelo compromisso com a cultura brasileira.
Juca de Oliveira estava internado desde a última sexta-feira (13/03), na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardíaca do Hospital Sírio-Libanês, em decorrência de um quadro de pneumonia associado a uma condição cardiológica. Nos últimos dias, seu estado de saúde era considerado delicado.
A família agradece as manifestações de carinho e solidariedade."