Finalista do Miss Bumbum Trans expõe preconceito em aeroporto
Rainha de bateria da Vizinha Faladeira, ela fala sobre os obstáculos que enfrenta como mulher trans
Publicado em 11/09/2025 às 12:10,
atualizado em 11/09/2025 às 12:54
Rainha de bateria da Vizinha Faladeira, escola de samba da Série Prata do Carnaval do Rio de Janeiro, Kamilla Carvalho se define como uma menina sonhadora, diante dos obstáculos que já enfrentou - e enfrenta - como uma mulher trans.
Aos 38 anos, ela, que é finalista do Miss Bumbum Brasil Transexual 2025, que acontece nesta quinta-feira (11), em São Paulo, destaca o apoio que recebe dentro da família. "Assim foi minha infância: a mistura de um menino gay com a essência feminina aflorada", revela.
"Tenho como uma das minhas grandes referências minha mãe, que me deu meu primeiro peito [silicone] e um sutiã aos 18 anos e me ajudou a me tornar a mulher que eu sou hoje. Também contei com apoio da minha família e amigos para me tornar esta mulher, especialmente em minha transição. Somos uma família que nos apoiamos e nos respeitamos muito", diz Kamilla Carvalho em entrevista ao jornal O Globo.
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Apesar do resguardo familiar, a rainha de bateria conta que continua sendo vítima de preconceito. "No início da minha carreira, por exemplo, sofri muito preconceito, justamente por ser uma travesti Musa na Prefeitura do Rio. Já passei situações preconceituosas em banheiro público, avião, infelizmente essa realidade existe para a mulher trans, mas nós vamos mudá-la", lembra.
"Em uma ocasião em que eu estava no aeroporto do Rio de Janeiro, precisei ir ao banheiro [feminino] e um segurança que estava lá chamou outros seguranças para me retirar por eu ser trans. Ele ignorou meu corpo feminino e achou que eu não tinha direito de usar aquele espaço", relata.
"Ele me disse que eu tinha que ter vergonha na cara e respeitar as pessoas, que era para usar o banheiro masculino. São situações difíceis, mas que nós transexuais temos que enfrentar de cabeça erguida, lutar pelos nossos direitos. Ser travesti é ser resistência e vamos cada vez mais ocupar nosso espaço. Não temos que ser aceitas ou inclusas, somos cidadãs comuns e merecemos respeito, assim como qualquer outro ser humano", reforça Kamilla.
"Lutar pelos meus direitos é a melhor forma de combater a transfobia. É preciso se informar, colocar a boca no trombone, compartilhar o que viveu e procurar a lei para ajudar. As pessoas precisam entender que respeito vem acima de tudo, e que, graças a Deus, vivemos em uma sociedade diversa e que isso é lindo", comenta a musa.
Carvalho deixa um conselho para quem já passou por isso. "Na situação que vivi no aeroporto do Rio de Janeiro, por exemplo, nem entrei na Justiça porque não iria valer minha paz e as pessoas que me coagiram não teriam condições, mas quando você passar por isso, a Justiça ajuda as pessoas a responder pelos seus atos perante a sociedade. Esse é meu conselho para quem passa por uma situação deste tipo", afirma.
Kamilla Carvalho fala sobre luta contra preconceito

No papo, Kamilla Carvalho diz que se orgulha da carreira no mundo do samba e pelo espaço que vem conquistando na mídia, mas lembra do preconceito.
"É muito difícil as pessoas ficaram felizes com a felicidade do próximo, mas muitas vezes não conhecem a nossa história a fundo, nem sabem o quanto a pessoa caminhou para chegar onde está", lamenta.
Por fim, Kamilla destaca que todos precisam continuar lutando por essa transformação da sociedade. "É assim que vejo o movimento LGBTQIA+ na TV e no Carnaval. Ganhamos nosso espaço porque estamos lutando por ele diariamente e seremos resistência. Precisamos de um país que respeite as diferenças, é simples, tudo está no respeito e nos direitos iguais para todos", conclui a musa.
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