Falou mesmo

Oscar Magrini critica politicamente correto e influencers nas novelas: "Não é ator"

Aos 63 anos, o artista está afastado da telinha desde 2021, quando fez Gênesis na Record


Oscar Magrini
Oscar Magrini criticou a presença cada vez maior de influencers nas novelas - Foto: Reprodução/Instagram

Longe da telinha desde Gênesis (2021), na Record, Oscar Magrini, 63, se mostrou crítico ao politicamente correto nas novelas e a presença, cada vez mais frequente, de influenciadores digitais nos folhetins.

"Eu tenho vontade de voltar às novelas. Todo mundo já sabe disso. Sempre falo. Essa profissão é difícil. Difícil chegar, mas mais difícil ainda é permanecer. Eu não tenho parado, graças a Deus estou trabalhando. Em julho, completei 35 anos de carreira. Foram 40 novelas. Trabalho desde 1990, quando comecei no teatro, com Uma Ilha para Três. Foi nessa peça que conheci minha mulher, Matilde Mastrangi. No ano seguinte, fiz meu primeiro filme, Perfume de Gardênia, do Guilherme de Almeida Prado. E depois, minha primeira novela, Deus nos Acuda, em 1992", lembrou o ator em entrevista ao site de Heloisa Tolipan.

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"Acho que os produtores de elenco hoje são muito jovens. Talvez nem saibam quem foi Carlos Zara (1930-2002), quem foi Eloísa Mafalda (1924-2018), quem foi Raul Cortez (1932-2006). Além disso, pesa o fato de eu ser de Atibaia, e não de São Paulo ou do Rio. O SBT é em São Paulo, mas a Record e a Globo são no Rio. Então, talvez seja caro me levar, ou não estejam dispostos, a não ser que queiram muito a mim no elenco", analisou Oscar Magrini.

No papo, o artista falou sobre seu personagem em O Rei do Gado (1996), o Ralf, que fez bastante sucesso. "Se eu pudesse, faria de novo o Ralf, mas hoje isso esbarraria na questão da violência contra a mulher, no feminicídio. O Ralf marcou muito. Ele era um cafetão. Hoje em dia não poderia. Ele batia em mulher em troca de presentinhos. Essa novela não poderia ser exibida - ainda que tenha sido reprisada quatro vezes na Globo", disse.

"Hoje, para fazerem um remake dessa novela, o Ralf talvez fosse gay, teria um caso com o Rei do Gado, não com a mulher. Porque, tendo um caso com o homem, talvez se resolvessem na briga sem que isso recaísse numa agressão à mulher. O que, claro, seria impossível. O tempo do politicamente correto, da ideologia, do 'não pode isso, não pode aquilo', tornou a vida muito chata. As pessoas deixaram de compreender que novela é ficção - e é feita para provocar reflexão. O Brasil tem inúmeros casos de feminicídio, assalto, latrocínio, roubo, corrupção. Nós estamos à frente de muitos países nesse sentido", criticou Oscar.

"A televisão ficou quadrada. Eu sou uma pessoa pública, tenho que pensar três vezes antes de contar uma piada, de falar alguma coisa. Senão, me xingam, me lacram. É o pessoal da lacração, do mimimi, do cancelamento. É assim que funciona. A internet virou terra de ninguém. Cada um fala o que quer. E quem não tem coragem de mostrar a cara, põe fake. São os haters, essas coisas todas. Então, tudo ficou chato pra caramba", prosseguiu.

"Eu não falo de política, porque isso é muito relativo. Eu sou pessoa pública, e as pessoas julgam o que é ou não ser de direita ou esquerda. Não. Eu sou pelo Brasil. Eu quero o Brasil certo. Eu não tenho plano B. Moro no Brasil. Moro aqui - e é aqui que quero que tudo dê certo", declarou.

Oscar Magrini critica influencers nas novelas

Oscar Magrini critica politicamente correto e influencers nas novelas: \"Não é ator\"

Oscar Magrini também criticou a presença de influencers nas novelas. "A novela está deixando de ser o que era. Estão colocando influencers para trabalhar - e por quê? Porque vendem bolo, vendem moda, e aí acreditam que são atores. Hoje, se você tem um pouco de celebridade, um pouco de holofote, vira ator. Então banalizaram a profissão. Um ator estuda para ser ator. Influencer não é ator", detonou.

"Os que têm 5, 6, 10 milhões de seguidores... Com certeza esses seguidores não vão seguir a novela que a pessoa está fazendo. Isso é muito efêmero, isso é fugaz. Acontece e depois acaba. O ator, não. O ator está aí, faz faculdade, faz canto, dança, fonoaudiologia, estuda texto, biografia, interpretação. Tem que estudar. Isso é ser ator, não ser influencer", afirmou Magrini.

"Antigamente, numa novela das nove com vários núcleos, você tinha de 40 a 45 atores. Dos 45, você conhecia 44, 43. Hoje, de um elenco com 45, você conhece 8, 10. Todo mundo tem que começar, claro. Se tem talento, sim. A gente também começou um dia. Mas o que a gente vê hoje é que muitos desses que chegam não são atores. Isso tirou o trabalho de quem estudou, de quem se preparou. A culpa não é deles - é de quem contrata. É um tiro no pé. E está aí o resultado nas audiências", alfinetou Oscar.

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