Discreto, Renato Machado era casado com jornalista e teve filha protagonista de novela
Renato Machado construiu uma das carreiras mais respeitadas do telejornalismo, mas sempre preservou a vida pessoal, marcada por discrição, família e poucos holofotes
Publicado em 16/07/2026 às 13:29
A morte de Renato Machado, nesta quinta-feira (16), aos 83 anos, encerra uma das carreiras mais longevas do telejornalismo brasileiro. Durante décadas, o jornalista entrou diariamente na casa de milhões de brasileiros, mas, fora do estúdio, seguia um caminho bem diferente daquele de muitos colegas da televisão: evitava a exposição e fazia questão de preservar a vida pessoal.
Quem convivia com Renato sabia que esse comportamento não era uma estratégia. Era uma escolha. Entrevistas sobre assuntos particulares eram raras, assim como aparições em eventos sociais. A família permaneceu distante dos holofotes durante praticamente toda a carreira do jornalista.
Vida longe da exposição
Nos últimos anos, Renato dividia a vida com Mônica Morel. O casamento foi oficializado em 2011, depois de um longo período de convivência. Ela também trabalhou na Globo e passou pela Editora Record, mas manteve o mesmo perfil discreto do marido. Em abril deste ano, os dois fizeram uma das raras aparições públicas durante o lançamento do livro Eu e Elas: Histórias Maternas, da jornalista Cecília Malan.
Antes disso, Renato viveu outro relacionamento conhecido do público. Foi casado com a jornalista e escritora Danuza Leão. Mesmo sendo duas figuras bastante conhecidas, nunca transformaram a relação em assunto frequente na imprensa, preferindo manter a intimidade distante da curiosidade pública.
O jornalista deixa a atriz Maria Eduarda Machado, que ganhou projeção nacional na temporada de 2007 de Malhação e depois participou de novelas da Globo, Record e SBT. Embora acompanhasse a trajetória profissional da filha, Renato quase nunca falava sobre a família em entrevistas.
Também deixa uma neta. Pessoas próximas costumavam dizer que os momentos longe do trabalho eram dedicados justamente aos familiares, círculo que ele preservou até os últimos anos de vida.
Mesmo depois de deixar a apresentação diária dos telejornais, não abandonou completamente o jornalismo. Continuou trabalhando em reportagens especiais, mas passou a levar uma rotina muito mais tranquila do que aquela vivida durante décadas na bancada do Bom Dia Brasil.
Trajetória no jornalismo
![]()
Pouca gente lembra, mas Renato Machado começou a carreira artística antes de descobrir a profissão que o tornaria conhecido em todo o país. Ainda jovem, participou de grupos de teatro amador e esteve em montagens como A Tempestade, de William Shakespeare, Antígona e Os Filhos Terríveis.
A televisão apareceu cedo em sua vida. Em 1965, pouco depois da inauguração da TV Globo no Rio de Janeiro, fez pequenas participações em novelas, trabalhou como dublador e chegou a integrar o elenco do filme O Mundo Alegre de Helô, lançado no ano seguinte.
O jornalismo entrou em sua vida quase por acaso. Em 1967, participou de um teste de narração e tradução em inglês, ficou em primeiro lugar e ganhou um estágio na BBC, em Londres. A experiência mudou seus planos profissionais. De volta ao Brasil, passou pelo Teatro Oficina antes de ingressar no Jornal do Brasil, onde trabalhou como tradutor e repórter esportivo.
Foi nesse período que estreitou a relação com Armando Nogueira. Depois de alguns convites recusados, aceitou integrar a equipe da Globo em 1982. A estreia aconteceu no Globo Repórter, em uma reportagem sobre o comércio ilegal de sangue na Baixada Fluminense. Mais tarde, costumava brincar que havia sido "o único repórter que entrou na Globo dando o próprio sangue", já que participou da reportagem como doador.
Vieram depois coberturas internacionais importantes. Correspondente em Londres, acompanhou acontecimentos que marcaram a história mundial, como o desastre de Chernobyl e atentados terroristas na Europa.
Em 1990, deixou temporariamente a Globo para trabalhar na TV Manchete, onde participou da cobertura da Guerra do Golfo. O retorno aconteceu no ano seguinte. De volta à emissora, esteve à frente de reportagens sobre momentos decisivos da história recente do Brasil, entre eles o impeachment de Fernando Collor e a morte de Ayrton Senna.
Foi no Bom Dia Brasil, porém, que Renato Machado construiu sua imagem mais conhecida. A partir de 1996, assumiu a apresentação e a edição do telejornal, permanecendo no posto por 14 anos. Sob seu comando, o programa ganhou um formato mais conversado, com participação constante de comentaristas e entradas ao vivo de repórteres espalhados pelo Brasil e pelo exterior. Ao lado de Leilane Neubarth e, posteriormente, de Renata Vasconcellos, ajudou a consolidar o jornalístico como uma das principais referências das manhãs da televisão brasileira.
Em 2011, voltou a morar em Londres para assumir novamente a função de correspondente internacional. Permaneceu na cidade até 2016. No retorno ao Brasil, passou a atuar como repórter especial do Globo Repórter.
Entre os trabalhos desse período está A Arte como Passaporte, reportagem exibida em 2016 sobre projetos sociais ligados à música e à dança. O programa foi indicado ao Emmy Internacional na categoria Atualidade.
Ao se despedir da profissão, Renato deixou uma marca construída sem alarde. Preferiu que o trabalho falasse por ele, enquanto mantinha a vida particular longe das câmeras que o transformaram em um dos rostos mais conhecidos do jornalismo brasileiro.