Calor, correria e mais: os bastidores do jogo da Seleção que a TV não mostrou
Às vésperas da Copa do Mundo, dezenas de jornalistas já estão nos Estados Unidos seguindo a Seleção Brasileira; confira o que aconteceu nos bastidores de Brasil e Egito
Publicado em 07/06/2026 às 07:01,
atualizado em 13/07/2026 às 02:02
Direto dos EUA - São 15 horas em Cleveland, nos Estados Unidos. Everaldo Marques, Júnior e Denilson chegam ao Huntington Bank Field, passam pela segurança e entram por uma porta lateral - incógnitos, já que, evidentemente, os funcionários do estádio não assistem à Globo e, geralmente avessos ao futebol, não percebem que ali estão dois dos maiores jogadores que já vestiram a camisa da Seleção Brasileira.
Levando as camisas que usarão na transmissão penduradas em cabides, eles seguem para o interior do estádio, onde um produtor da emissora já os aguarda, esbaforido, para levá-los ao quarto andar, local da sala de imprensa e da cabine de transmissão. Everaldo e Denilson param para dar uma olhada no gramado, enquanto Júnior sobe direto, reclamando de uma alergia que o incomoda.
Assim chegaram os integrantes da equipe da Globo ao estádio, mas eles não eram os únicos. Na mesma área destinada à imprensa, dezenas de profissionais, a maioria brasileiros, se preparavam para o amistoso entre Brasil e Egito, último compromisso das duas seleções antes da estreia na Copa do Mundo. E o NaTelinha também estava lá para acompanhar os bastidores dessa cobertura.
Sobrou resenha e faltou café
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Como costuma acontecer nesses eventos que envolvem a Seleção, praticamente todos se conhecem - o clima de camaradagem loga toma conta do ambiente. Ainda no início da longa jornada da Copa, alguns profissionais já sentem falta de casa. Afinal, para a maioria deles, serão pelo menos 40 dias longe da família.
Veteranos e novatos, como Paulo Vinicius Coelho, o PVC (foto acima), do UOL, Wellington Campos, da Rádio Itatiaia, e Guilherme Beltrão, da CazéTV, trocam figurinhas com os colegas enquanto saboreiam os lanches deixados pela organização. Um dos mais queridos é o decano Osires Nadal, que já cobriu 12 Copas do Mundo e leva seu bordão "o Paraná te abraça", estampado em sua camiseta, pelo mundo afora.
Um jornalista se surpreende com a fartura da mesa montada para a imprensa - no cardápio, duas saladas, sopa, três tipos de sanduíches e cookies, além de várias geladeiras cheias de refrigerantes e isotônicos. “Isso tudo é para nós?”, pergunta, demonstrando que nem sempre o tratamento é esse. Outro colega, porém, ressalta que já viu banquetes ainda maiores em partidas da MLS, a liga norte-americana, que cobriu nos últimos meses.
PVC só lamenta a ausência de café, já que pode ser visto com seu tradicional cafezinho até mesmo nos programas ao vivo em que participa.
Correria e calor
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Em outro canto do local, atencioso, Everaldo Marques interrompe a correria por alguns instantes para atender à reportagem. Ao ser questionado sobre a expectativa para as transmissões da Copa, no entanto, acaba interrompido por outro produtor, que precisa levá-lo imediatamente para a cabine. “Não consigo”, diz, sorrindo de nervoso para este repórter, meio que como um pedido de desculpas, e sai correndo junto com Denilson, que dava outra entrevista.
Enquanto a equipe da Globo corre para sua cabine exclusiva, os demais escolhem seus lugares na ampla sala de imprensa e se preparam para acompanhar a partida. O calor é intenso e o ar-condicionado parece não dar conta. Para piorar, o Sol incide diretamente sobre parte do setor durante o fim do primeiro tempo e o início da etapa final.
Durante a partida, uma verdadeira profusão de sons toma conta do local. Um narrador transmite o jogo para uma rádio, enquanto comentaristas e repórteres fazem entradas ao vivo para diferentes veículos. Todos falam ao mesmo tempo e, aparentemente, sem se atrapalhar, mesmo trabalhando praticamente lado a lado.
Profissionais que não estavam transmitindo a partida, como Vitor Sérgio Rodrigues e Monique Danello, da TNT Sports, Mauro Naves, do SBT, Belle Costa, do Goat, Raissa Simplício, da Placar, além de colegas da ESPN, da Band e de diversos canais do YouTube, acompanham atentamente os lances, anotam informações para análises futuras e gravam conteúdos para publicação posterior.
Zona mista ou zona de guerra?
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Perto do fim do jogo, uma assessora da organização faz um alerta aos presentes: estamos no quarto andar do estádio e tanto a coletiva de Carlo Ancelotti quanto a zona mista acontecerão no subsolo. Com apenas um elevador disponível naquela área, o congestionamento é inevitável e pode fazer alguém perder um fato importante.
Por isso, muitos deixam seus postos quando ainda faltam entre cinco e dez minutos para o apito final, posicionando-se antecipadamente nos espaços reservados para o pós-jogo.
A rápida coletiva de Ancelotti acontece diante de uma sala lotada, enquanto dezenas de jornalistas já disputam espaço nas grades da zona mista em busca dos melhores lugares. Apesar de não ser pequeno, o local se mostra apertado e, após reclamações dos repórteres, acaba sendo ampliado. Os jogadores demoram a aparecer e alguns passam direto, ignorando os insistentes chamados da imprensa. Num canto, um repórter novato lamenta que praticamente implorou, mas não conseguiu fazer uma pergunta ao técnico da Seleção.
“Me perdoe, mas é realmente uma zona”, brinca o experiente Wellington Campos, que participa de sua nona Copa do Mundo. “Muita gente acha que é fácil, mas é uma loucura. Vai passar um jogador e todo mundo está com o celular na mão para gravar. Antigamente era só o microfone. Mas são tempos modernos, temos que nos adaptar”, afirma o repórter, que relembra já ter presenciado diversas brigas ao longo dos anos, mas ressalta que a maioria dos profissionais costuma se ajudar.
Outros atletas, por sua vez, conversam pacientemente com os jornalistas, entre eles Igor Thiago, Marquinhos, Léo Pereira e Matheus Cunha. O diretor Rodrigo Caetano também concede várias e disputadas entrevistas.
São quase 10 da noite e essa é a etapa final da jornada. Os jogadores entram no ônibus e a estrutura da zona mista começa a ser desmontada. Uma segurança do estádio, séria, mas educada, avisa que a saída já nos aguarda. E assim termina a cobertura do amistoso da Seleção Brasileira.
A maioria dos profissionais voltará para a base da Seleção, em New Jersey, onde a pesada rotina de trabalho continuará nos próximos dias. Então já sabem que, sem folga, amanhã tem mais...