Vinheta mais temida pelo público estreava há exatamente 35 anos na Globo
Globo já teve diversas formas de interromper sua programação para dar notícias importantes, mas icônica vinheta do Plantão entrou no ar há exatamente 35 anos, em maio de 1991
Publicado em 21/05/2026 às 11:41
Vinheta mais temida dos telespectadores de todo o Brasil, por normalmente ser associada a alguma tragédia, morte ou fato que pode influenciar a vida do público, o Plantão da Globo começou a ser usado há exatamente 35 anos, em 21 de maio de 1991.
Antes disso, no entanto, a emissora já exibia outros tipos de vinhetas para destacar qualquer acontecimento mundial que merecesse interromper a programação normal - mas nenhuma delas teve o mesmo impacto.
A força do Repórter Esso
Nas primeiras décadas da televisão, inaugurada no Brasil em 1950, o veículo ainda perdia feio para o rádio no quesito instantaneidade.
Sem os modernos links para transmissão ao vivo via satélite ou pela internet que existem atualmente, os canais sofriam para transmitir informações em tempo real até meados dos anos 1980.
Nos anos 1950 e 1960, o Repórter Esso, noticiário que marcou época no rádio, era o veículo oficial para quem quisesse ficar sabendo das últimas novidades. Seu tema de abertura era o equivalente ao plantão global dos dias atuais.
Com a sua extinção, em 31 de dezembro de 1970, o Jornal Nacional, transmitido pioneiramente para todo o Brasil, dominou o telejornalismo brasileiro.
Como era o Plantão da Globo antes da criação da vinheta?
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Nos anos 1970, a Globo interrompia sua programação com uma tenebrosa imagem de uma mão, acompanhada da palavra "Atenção". Essa imagem foi descoberta recentemente, quando a emissora colocou a primeira versão de Pecado Capital no Globoplay - ela aparece num capítulo da trama para informar um fato fictício relacionado à trama.
Já nos anos 1980, quando o canal queria dar alguma informação importante para o público, colocava no ar um selo referente ao período de exibição de seus telejornais.
Se o fato acontecesse até certo período da tarde, por exemplo, era o Jornal Hoje que informava. Depois, era a vez do Jornal Nacional. No fim da noite, o Jornal da Globo. As coberturas regionais eram feitas pelos telejornais locais, como o SPTV e o RJTV.
Na maioria das vezes, ninguém aparecia no vídeo. Em 1982, na estreia do Brasil na Copa daquele ano, o plantão do Jornal Nacional, com o locutor esportivo Oliveira Andrade, informava sobre o andamento da Guerra das Malvinas, entre a Argentina e o Reino Unido.
Uma cobertura famosa foi a da morte do presidente eleito Tancredo Neves, em 1985. Os primeiros plantões foram do Jornal da Globo, com Celso Freitas e Leda Nagle. Depois, a equipe do Bom Dia Brasil, com Carlos Monforte, seguiu com as informações.
Eram frequentes, também, boletins sobre o aumento dos combustíveis em tempos de hiperinflação. Mas os casos de maior comoção do público sempre acontecem com a morte de alguém conhecido, principalmente quando se trata de um fato inesperado.
Quando foi criado o Plantão da Globo?
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Em 1991, a emissora resolveu criar uma vinheta oficial para seu plantão, com um tema marcante. Atendendo um pedido de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que era o todo-poderoso do canal, o músico João Nabuco, que estava na emissora há pouco tempo, criou a música que assombra o público até hoje.
Enquanto o tema segue inalterado, a animação, criada por Hans Donner, já ganhou várias versões, que acompanharam as mudanças visuais e de marca da Globo.
"Na verdade, não é uma questão da vinheta. As pessoas acham que notícia ruim é mais urgente do que notícia boa. Se uma pessoa morre, é urgente. Se alguém nasce, pode esperar até 20h30 para ver no Jornal Nacional", disse Nabuco em entrevista ao UOL, em 2016.
O recorde de exibições de plantões da Globo em um mesmo dia aconteceu em 1º de maio de 1994, com a morte de Ayrton Senna, quando ocorreram nove interrupções na programação.
Na era das informações em tempo real, já há algum tempo a Globo tem reduzido a utilização da vinheta de plantão em sua programação, deixando-a para casos realmente extremos.
É comum, em vários momentos, como em fatos que exigem atualização frequente, que os jornalistas da emissora entrarem diretamente no ar, sem necessidade de uso da temida trilha.