Memória

Nunca mais: após escândalo, Globo apagou novela que chocou o público

Novela de Janete Clair que estreou há 45 anos, Coração Alado exibiu cenas polêmicas, envolvendo estupro e masturbação, chocou o público e foi apagada pela Globo


Vera Fischer em Coração Alado
Vera Fischer em Coração Alado

Se atualmente alguns temas abordados em novelas geram polêmicas, imagine uma trama que mostrou temas como estupro e masturbação no início dos anos 1980. Esse foi o problema de Coração Alado, de Janete Clair, que escandalizou a sociedade brasileira na época e fez a Globo sumir com um capítulo da produção, posteriormente apagando quase todas as fitas.

A novela estreou há 45 anos, no dia 11 de agosto de 1980, com direção de Roberto Talma e Paulo Ubiratan. O protagonista era Tarcísio Meira, que vivia Juca Pitanga, um artista plástico nordestino que vai para o Rio de Janeiro em busca de reconhecimento profissional. Ele se dividia entre o amor de Catucha (Débora Duarte) e Vivian (Vera Fischer).

Estupro

No meio da história, foi exibida uma cena de estupro envolvendo Vivian e Leandro, personagem de Ney Latorraca. Leandro se aproveitou de uma viagem de Mel (Joana Fomm) para atacar Vivian, sua cunhada. Ela engravidou e o público não sabia se o filho era de Leandro ou de Juca. Vivian pensou em aborto, mas desistiu da ideia. Ao ter seu filho, o abandonou, mas se arrependeu e foi em busca de recuperar sua guarda.

Ao jornal O Globo de 28 de setembro de 1980, Janete Clair contou que o momento em que Vivian foi violentada pelo cunhado era decisivo para a novela. “A partir desse fato, as emoções começam a se suceder. O que aconteceu com Vivian vai servir de fio condutor para o surgimento de muitas coisas novas”, explicou.

A autora também contou que criou a cena baseada em uma carta que recebeu, muitos anos antes, de uma telespectadora. “Recebi uma carta de uma moça simples, que foi atacada sexualmente pelo cunhado. O que ela me contou era fantástico, tão triste, que resolvi aproveitar na novela. Guardo essa carta comigo até hoje. Como Vivian, chega até a pensar em aborto. Mas, por uma questão de formação, leva a gravidez adiante e tem a criança. Esse filho é a saga da personagem e dará um novo rumo à novela”, concluiu.

Maria Helena Dutra, no Jornal do Brasil de 12 de outubro de 1980, criticou a cena do estupro. “A famosa cena seria até bem feita se não fossem os atores selecionados para o evento. Vera Fischer não tem o menor cacoete de indefesa criatura e é bastante mais atlética do que o frágil violentador Ney Latorraca. Qualquer cotovelada no plexo solar encerrava o assunto”, disse.

Masturbação com áudio vazado

Nunca mais: após escândalo, Globo apagou novela que chocou o público

Coração Alado também foi a primeira novela a exibir cenas de masturbação, através de uma cena quase explícita de Catucha. Para piorar, a sequência foi levada ao ar com um áudio vazado, no qual o diretor Roberto Talma orientava a atriz sobre como se comportar durante a situação.

Para se ter uma ideia do escândalo gerado, logo após a exibição do capítulo 171 a fita foi apagada e sumiram do arquivo da emissora todas as cópias do script.

Apesar de ter engrenado e conquistado boa audiência após patinar no começo, Coração Alado não deixou saudade para a Globo, que nunca reprisou a trama e posteriormente apagou sua versão integral. Foram preservados apenas seis capítulos (os dois primeiros, dois do meio e os dois últimos), disponibilizados através do Projeto Resgate do Globoplay em janeiro do ano passado.

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