Estreava há 28 anos: o triste fim de Hilda Furacão que a Globo não mostrou
Minissérie que fez sucesso estreava há exatamente 28 anos na Globo, em 27 de maio de 1998; a protagonista vivida por Ana Paula Arósio foi baseada em fatos reais
Publicado em 27/05/2025 às 09:41
Há exatamente 28 anos, no dia 27 de maio de 1998, a Globo estreava uma das mais emblemáticas minisséries que já produziu. Estamos falando de Hilda Furacão, estrelada por Ana Paula Arósio.
Escrita por Gloria Perez, inspirada na obra de Roberto Drummond, a trama narrava a trajetória de uma jovem da classe média que chocou a sociedade mineira dos anos 1950 ao optar pela prostituição.
Mas nem todo mundo sabe que a história foi baseada em fatos reais, pois Hilda Furacão existiu de fato. A cortesã, inclusive, teve um triste final de vida, que não foi retratado na atração.
Trama

Hilda Furacão foi exibida na Globo entre 27 de maio e 23 de julho de 1998. Escrita por Gloria Perez e dirigida por Wolf Maya, a trama marcou a estreia de Ana Paula Arósio na emissora. Curiosamente, ela ainda era funcionária do SBT e foi "emprestada" à Globo por Silvio Santos.
Na história, a personagem principal é descendente de uma família tradicional da classe média mineira, mas rompe com os laços familiares ao desistir do matrimônio. A partir daí, passa a morar em um prostíbulo, onde se transforma em uma prostituta de renome.
Hilda Furacão torna-se, então, o desejo inatingível dos homens de Santana dos Ferros, no interior mineiro. Ela enlouquece, inclusive, o Frei Malthus (Rodrigo Santoro), um religioso que passa a viver em conflito entre o celibato e a atração pela garota.
Fatos reais
Sempre existiram incertezas quanto à real existência de Hilda Furacão. No entanto, em 3 de agosto de 2014, uma reportagem do Fantástico revelou que o jornalista Roberto Drummond se baseou na vida de Hilda Maia Valentim, jovem de berço nobre que se tornou prostituta em Belo Horizonte (MG).
Nascida em 30 de dezembro de 1930, em Recife (PE), Hilda se mudou, ainda criança, para a capital mineira com seus pais. Ela sempre teve acesso a tudo que desejava, já que era oriunda de uma família abastada, mas sempre sentiu fascínio por explorar os bairros noturnos da cidade. Foi assim que acabou ingressando na prostituição, ganhando o apelido de Furacão. Era chamada assim por seu gênio forte, já que não aceitava provocações sem revidar.
O que aconteceu com a verdadeira Hilda Furacão?

Hilda conquistou muitos admiradores e adorava ser alvo do desejo dos frequentadores. Até que, em 1950, uniu-se em matrimônio com o jogador Paulo Valentim, na época atuando pelo Atlético Mineiro. Por amor, Hilda abandonou a prostituição e se casou. O casal se mudou para Buenos Aires, na Argentina, onde Valentim passou a jogar pelo Boca Juniors.
No entanto, a trajetória de Hilda mudou drasticamente quando Paulo Valentim perdeu tudo o que possuía devido ao vício em jogos de azar e bebidas alcoólicas. A família, junto com o filho Ulisses, mudou-se para o México, onde Hilda passou a trabalhar como diarista, babá e costureira para garantir o sustento da família.
Paulo Valentim faleceu em 1984, e então Hilda e Ulisses voltaram a morar em Buenos Aires. Ela viveu com o filho até 2013, quando ele veio a falecer. Após sua morte, Hilda sofreu uma queda e ficou hospitalizada por seis meses em uma instituição pública. Ao receber alta, foi encaminhada para um asilo.
Morte

Foi a assistente social Marisa Barcelos quem identificou que aquela senhora era a famosa Hilda Furacão.
“Comecei a pesquisar no Google, peguei informações do hospital, fui ver os arquivos do Boca Juniors, escrevi para pessoas de Minas Gerais e cheguei à conclusão de que ela era a Hilda Furacão”, contou a assistente social à Folha de S.Paulo, em 2 de agosto de 2014.
Foi nesse período que o Fantástico viajou até a Argentina para entrevistar Hilda, que, aos 83 anos, se alternava entre momentos de clareza e lapsos de memória. Ela morreu em 29 de dezembro de 2014, pouco tempo após a exibição da entrevista no programa dominical da Globo.