Após cancelar debate, Globo ignora Lula e coloca candidatos para atacar STF e TSE
Globo entrevistou os candidatos, que atacaram o judiciário, após o cancelamento do debate
Publicado em 01/10/2026 às 22:46,
atualizado em 01/10/2026 às 22:46
Horas após decidir cancelar seu debate presidencial no primeiro turno nesta quinta-feira (1º), a Globo decidiu colocar os candidatos para atacarem o STF (Supremo Tribunal Federal) e TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com duras críticas pelas decisões judiciais que interfiram nas regras do encontro entre os candidatos.
No intervalo da novela Quem Ama Cuida, Pedro Bassan entrou ao vivo no estúdio em que aconteceria o debate e leu a nota oficial da Globo anunciando o cancelamento, como já havia ocorrido com César Tralli dentro do Jornal Nacional.
Porém, dessa vez ele foi além. "Agora pouco, nós ouvimos as reações dos candidatos que já estavam aqui nos Estúdios Globo para o debate. Augusto Cury do Avante, Romeu Zema, do Novo e Ronaldo Caiado do PSD. E também do candidato Flávio Bolsonaro, do PL, que momentos antes do cancelamento, havia anunciado que não iria participar", contou.
+ Associações defendem a Globo após cancelamento do debate e acusam 'excessos judiciais'
+ Globo cancela debate após desistência de Flávio Bolsonaro e alega 'interferências nas regras'
A partir daí, uma reportagem mostrando o que dizia cada candidato foi ao ar, com ataques de todos os tipos. Augusto Cury fez questão de detonar o Supremo. "Vem também o STF, que ganha protagonismo. O STF deveria ser os alicerces da democracia e alicerces ficam no solo, discretamente, como guardião da Constituição. Os debates representam o oxigênio da democracia, sem os debates os nossos céus não têm estrelas, nossas manhãs não têm orvalho. Sem os debates você não conhece as ideias, sem as ideias você fica no obscurantismo", filosofou.
Flávio Bolsonaro, que já havia cancelado, assim como Lula, também teve espaço e aproveitou para atacar o judiciário, repetindo frases que seu pai, Jair Bolsonaro, eternizou. "Essa insegurança jurídica, que é óbvia, todos percebem e que não vem acontecendo de agora. Agora chegou no seu ápice", iniciou.
E ele prosseguiu, tentando elogiar a Globo. "Poucos minutos antes de iniciar o debate da Globo, onde milhões de pessoas estavam aguardando ansiosamente pra comparar as propostas dos candidatos, escolherem o seu candidato. Pra daqui a 3 dias comparecerem às urnas na maior festa da democracia, e vem uma decisão ou várias decisões, que colaboram com a censura", insistiu.
Chamou a atenção que a Globo também entrevistou Romeu Zema, candidato que estava nos Estúdios Globo para participar do debate somente porque também ingressou no TSE e conseguiu uma liminar do presidente, Kássio Nunes. Mesmo assim, ele atacou a Justiça brasileira. na Globo, que deu o espaço.
"Lamentável que, na última hora, tudo tenha mudado de última hora, sem nenhum respaldo na legislação. O que nós estamos vendo é a politização total do judiciário, que fica atuando, não de acordo com a lei, mas de acordo com algum candidato que eles querem que ganhe pra manterem os seus privilégios e corrupção, como nós temos visto", disse ele.
Por fim, Ronaldo Caiado chegou a cogitar que as eleições não aconteceriam. "O que nós estamos assistindo hoje é uma afronta completa à democracia, onde o TSE mais o Supremo Tribunal Federal provavelmente terão a pretensão de se reunir entre eles e escolher o presidente da república, isso é inaceitável. Olha, comprometeram o resultado do processo eleitoral, impedindo que nós tivéssemos um debate com a importância como esse, sendo que todos os partidos assinaram as regras", garantiu.
Entre todos os candidatos representados, apenas Lula não foi entrevistado para falar sobre o cancelamento do debate. Ele estava ao vivo no Flow Podcast enquanto a confusão se desenrolava.