No Roda Viva, Tony Ramos recusa palanque político: "Nunca concordei em induzir"
Ator reforçou defesa intransigente da democracia, cobrou verbas para a cultura e revelou seus critérios para escolher candidato
Publicado em 28/09/2026 às 22:50,
atualizado em 29/09/2026 às 10:34
Tony Ramos afirmou que tem posição política e candidato escolhido para as eleições, mas decidiu não revelar publicamente seu voto. O ator falou sobre o assunto nesta segunda-feira (28), durante a edição especial do Roda Viva em comemoração aos 40 anos do programa.
Ao explicar sua postura, Tony separou a atuação profissional da condição de cidadão. Segundo ele, antes do artista existe Antônio, que possui opiniões políticas e acompanha os debates do país. O ator afirmou que nunca declarou voto nem subiu em palanque para fazer campanha por um candidato.
“Antes do Tony Ramos, existe o cidadão Antônio. Sempre me perguntam de onde vem o Ramos e eu digo que vem da família de minha mãe, que nos deixou há poucos dias [...] Esse cidadão Antônio tem posição política e toda manifestação após uma entrevista, quando eu digo ‘nada melhor do que uma democracia’ [...] Jamais declarei voto e subir em palanque político”, afirmou.
Tony lembrou que a única participação política de caráter suprapartidário da qual fez parte foi durante a campanha das Diretas Já, quando participou de caravanas e defendeu a volta da democracia.
O ator explicou que, apesar de ter posição definida, não pretende utilizar sua visibilidade para conduzir a escolha eleitoral de outras pessoas. Para ele, a exposição pública de um artista pode ter um peso diferente justamente por causa da popularidade.
“Jamais fugi e nunca fugirei, mas não faço campanha para ninguém. Não declaro voto. Sou uma pessoa, sem hipocrisia, peço até desculpas pelo que vou falar, mas muito conhecida e sei bem o que é pegar um avião e tirar fotos neste meio caminho. Não há interação maior, nem em rede social, do que a popular. Nunca concordei em induzir ninguém a voto. Tenho candidato sim, tenho posição clara sim. Quem é íntimo sabe. Propagar não farei”, declarou.
Na entrevista, Tony também fez questão de dizer que não considera que artistas devam se calar sobre política. Ele argumentou que, como cidadão e contribuinte, tem o direito de expressar suas opiniões e discutir os rumos do país.
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“Sou contra propagar? Não. O artista paga imposto, eu pago imposto direto na fonte. Então tenho direito de falar sobre política. Eu sou um ser político. Ao falar esse monte de palavras, estou sendo político. Estou pensando política”, afirmou.
O ator relacionou essa posição à própria experiência durante o período de falta de liberdade democrática no país. Tony disse conhecer as limitações impostas à atividade artística durante a não democracia e, por isso, colocou a defesa da liberdade de expressão e de pensamento entre os princípios que considera fundamentais.
“Eu sou um homem da democracia. Eu conheço a não democracia, de ter que fazer teatro, mas não direito. De fazer televisão, mas não direito. Então esse homem, esse ser político que sou, não tem que necessariamente precisar propagar voto, mas defendo a democracia, a liberdade de expressão e de pensamento, porque ninguém tem a verdade absoluta”, declarou.
Tony também afirmou que, embora não seja mais obrigado a votar, faz questão de participar do processo eleitoral. Ao explicar como escolhe um candidato, citou três áreas como critérios centrais: educação, saúde e cultura. “Não sou obrigado a votar mais, mas faço questão”, disse.
Tony Ramos falou sobre educação

Na sequência, o ator detalhou a importância que atribui à educação. Ele mencionou o educador Darcy Ribeiro e a proposta de uma formação em período integral que também contemplasse atividades culturais. Tony ainda citou a trajetória da própria família, lembrando que sua mãe e sua irmã eram professoras.
“Meu critério para votar em um candidato é pela educação, saúde e cultura. A educação é um sonho meu. O professor Darcy Ribeiro estava tentando construir isso no país. Ele queria a criança ocupada com suas obrigações acadêmicas, mas também com cultura no período integral. Minha mãe e minha irmã eram professoras”, afirmou.
Na avaliação apresentada pelo ator, há recursos e condições para ampliar os investimentos na educação. “Você vê agora o dinheiro saindo para o outro lado. Dizem que não tem dinheiro para educar tanta criança. Há dinheiro sim. Há condição sim”, declarou.
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Ator defendeu Cláudia Raia
Durante a conversa, Tony também recordou um episódio envolvendo a atriz Cláudia Raia e a eleição presidencial de 1989. Ele mencionou as vaias recebidas por ela em um evento da Globo depois de perguntar aos colegas da emissora quem participaria de um evento do então candidato Fernando Collor de Mello.
Para Tony, a reação enfrentada pela atriz não foi compatível com o direito de manifestação política que ele defende.
“Não acho que foi democrático o que fizeram com ela. Aí que começam as grandes confusões. Quando uma pessoa defende que o povo tenha melhores condições, vem alguém e diz: ‘comunista’. Você fica: ‘como é? Você sabe o que é comunismo de fato?’ Não sabe para falar isso”, afirmou.
Ao retomar o episódio, Tony ressaltou que pessoas com melhores condições de vida também podem se posicionar sobre os problemas enfrentados pela população. “Uma pessoa que tem a vida bem resolvida precisa sim se preocupar com a vida do seu grande povo. Isso é fundamental”, disse.
O ator concluiu a lembrança reforçando que considera que Cláudia estava exercendo um direito ao se manifestar naquele contexto. “Não foram democráticos com a Cláudia. Depois se provou que o Collor era... Enfim, isso é outro assunto. Naquele momento, ela estava exercendo seu direito democrático”, completou.