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Gran Hermano Uruguay

O mistério do Big Brother no Uruguai: por que 27 anos de atraso para a estreia?

Alto custo da produção tornou projeto inviável até emissora encontrar solução na Argentina; prêmio para o campeão no Uruguai é uma casa e um carro


Eduardo "colo" Gianarelli na estreia do Gran Hermano Uruguay
Eduardo "Colo" Gianarelli é o apresentador do Gran Hermano Uruguay - Foto: Reprodução/Instagram

A primeira edição uruguaia do Big Brother estreou no último domingo (20) e imediatamente se transformou em um acontecimento na televisão do país. Exibido pelo Canal 10, o reality show debutou como fenômeno e já foi alçado ao posto de atração mais vista pelos uruguaios no fim de semana.

O formato estreou na Holanda em 1999 e ganhou versões em dezenas de países, inclusive no Brasil e na Argentina. A adaptação uruguaia, porém, só saiu do papel 27 anos depois. Por quê?

A resposta está principalmente no tamanho da estrutura necessária. Construir uma casa, manter dezenas de câmeras funcionando ininterruptamente e mobilizar equipes durante três meses exigia um orçamento que nenhuma emissora uruguaia estava disposta a assumir.

O projeto só se tornou viável quando o Canal 10 desistiu de montar uma estrutura própria e fechou uma parceria para utilizar a casa das versões argentinas, localizada em Buenos Aires.

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Produção de Big Brother era considerada inviável

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Susana Estavillo, produtora-geral do Gran Hermano, revelou que a proposta foi inicialmente rejeitada dentro do próprio Canal 10. A emissora já havia adaptado formatos de grande porte, como MasterChef, Got Talent e The Voice, mas nunca tinha produzido um reality de confinamento.

"Todo produtor sonha em fazer Gran Hermano. Mas nós o víamos como algo realmente impossível."

Susana Estavillo ao El País

A maior barreira era a construção da casa. De acordo com Estavillo, os primeiros cálculos envolviam valores que simplesmente não eram praticados pela televisão uruguaia. A resposta inicial da produção foi: "Nem sonhem".

O tamanho da operação ajuda a explicar o receio. A casa utilizada pelo programa possui 2.800 m² de área coberta e outros 400 m² de espaços externos. São dois quartos, piscinas, academia, confessionário, sala de streaming e uma área destinada às provas e às compras semanais.

A convivência é acompanhada por aproximadamente 67 câmeras robóticas. Cerca de 150 técnicos trabalham na operação necessária para manter a transmissão durante as 24 horas do dia.

Além das equipes tradicionais, o formato exige estruturas pouco comuns na televisão uruguaia. O programa criou comitês de ética e de bem-estar responsáveis por acompanhar decisões que possam afetar os participantes.

Big Brother: casa da Argentina resolveu o problema

A conta começou a fechar quando surgiu a possibilidade de utilizar a estrutura mantida por Telefe e Kuarzo Entertainment em Buenos Aires. O mesmo centro de produção já havia recebido adaptações de Big Brother realizadas para Chile, Equador e Panamá.

A Banijay, dona internacional do formato, passou a negociar uma versão adequada ao mercado uruguaio. Michelle Wasserman, vice-presidente sênior da companhia para a América Latina, explicou que o programa pode preservar suas regras e identidade mesmo com uma operação menor.

“Os nossos formatos mantêm o mesmo padrão, mas são escaláveis. Podemos fazer um programa mais acessível”, declarou à revista especializada Produ.

A casa ficou na Argentina, mas os apresentadores entram direto dos estúdios do Canal 10, em Montevidéu. Parte dos produtores uruguaios permanecerá em Buenos Aires durante os três meses de confinamento, enquanto outra equipe cuidará das transmissões no Uruguai.

“A casa fica na Argentina, mas todas as entradas do apresentador são feitas aqui no Uruguai. A casa vai se ‘uruguayizar’”, explicou o apresentador Eduardo "Colo" Gianarelli ao El Observador.

Cores, móveis e elementos da decoração foram modificados. A produção também incluiu referências aos hábitos locais para evitar que o público enxergasse apenas uma continuação do programa argentino com participantes uruguaios.

Uruguai já acompanhava Big Brother da Argentina

O público uruguaio não passou 27 anos sem assistir ao Big Brother. As edições argentinas chegaram à televisão aberta do país e transformaram o formato em um produto conhecido muito antes da adaptação local. Em 2007, por exemplo, o Canal 4 transmitia ao vivo o Gran Hermano. Quando o reality voltou à Argentina em 2022, após seis anos fora do ar, passou a ser exibido pelo Canal 10.

A emissora uruguaia também criou programas próprios para comentar os acontecimentos da casa. Eliana Dide e Agustín Gil comandaram o Gran Hermano: El Día Después, produzido localmente para repercutir as edições argentinas.

Foi nessa época que começaram as primeiras conversas concretas sobre uma adaptação. Em novembro de 2022, Darío Turovelzky, executivo da Paramount para a América Latina, confirmou que a possibilidade estava sendo estudada. O plano já previa selecionar uruguaios e utilizar a casa argentina.

O envolvimento do público cresceu nos anos seguintes. Bautista Mascia venceu a edição encerrada em 2024. Santiago "Tato" Algorta repetiu o feito em 2025. Os dois uruguaios conquistaram temporadas consecutivas do programa argentino e ajudaram a demonstrar que havia audiência e mobilização suficientes para sustentar uma produção local.

As inscrições do Big Brother - ou Gran Hermano Uruguay - foram abertas em fevereiro deste ano.

Big Brother e o tamanho do Uruguai

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A questão financeira não era a única. Produtores e especialistas também questionavam se o comportamento do público e dos participantes uruguaios combinaria com um programa alimentado por conflitos e estratégias. Também existia o receio de que os participantes se conhecessem direta ou indiretamente, devido ao tamanho do país, e de que uma convivência menos explosiva produzisse pouco conteúdo.

A procura pelo reality show reduziu parte dessas dúvidas. Quase oito mil pessoas se inscreveram para entrar na casa. Segundo a produção, o número superou as candidaturas recebidas em processos semelhantes realizados na Argentina e no Chile.

Cerca de 600 interessados avançaram para as primeiras entrevistas. O grupo caiu posteriormente para 200 pessoas, submetidas a avaliações psicológicas, exames médicos e diferentes etapas de seleção.

Sem prêmio milionário no Big Brother do Uruguai

Eduardo "Colo" Gianarelli comanda a atração diretamente de Montevidéu. Na estreia, 21 pessoas entraram na casa. 18 foram apresentadas como participantes oficiais, enquanto outras três começaram o programa como aspirantes.

O programa principal é exibido de domingo a quinta-feira. Às sextas, o Canal 10 levará ao ar uma edição de debate. A grade ainda possui o Espiando la Casa durante as tardes e uma edição especial aos sábados.

A temporada terá aproximadamente três meses de duração. O vencedor receberá uma casa e um carro zero quilômetro. Prêmio bastante diferente do milionário brasileiro, por exemplo, que premiou com R$ 5,7 milhões - pouco mais de 1 milhão de dólares - a vencedora Ana Paula Renault, do BBB 26.  

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