Globo contra-ataca CazéTV e não planeja economizar para retomar 'filé' do esporte
A líder de audiência vai abrir os cofres
Publicado em 14/09/2026 às 12:30,
atualizado em 14/09/2026 às 16:08
A Globo decidiu endurecer sua atuação na disputa pelos principais direitos esportivos do mercado brasileiro. Após o crescimento da CazéTV e o impacto provocado pelo canal durante a Copa do Mundo de 2026, a ordem é não economizar para reconstruir um portfólio recheado das competições consideradas mais valiosas.
A movimentação mais recente é o retorno da Libertadores ao SporTV. O canal por assinatura voltará a transmitir a principal competição de clubes da América do Sul em 2027, sete anos depois de ter deixado o torneio após o rompimento entre Globo e Conmebol em 2020.
A Globo vinha tentando adquirir desde agosto um pacote com cerca de 70 partidas por temporada. O espaço surgiu após problemas envolvendo o acordo que estava encaminhado com a Paramount. A empresa já havia garantido anteriormente a permanência da Libertadores na TV aberta no ciclo entre 2027 e 2030.
O movimento, porém, é apenas uma peça de algo que vai ainda mais além. O NaTelinha apurou que a Globo mudou de postura depois da Copa do Mundo. Internamente, a orientação é partir de maneira agressiva para as próximas negociações de direitos consideradas imprescindíveis.
O objetivo passa também por reduzir o espaço disponível para o avanço da CazéTV, que se transformou em uma concorrente relevante pela aquisição de grandes eventos. Uma fonte ouvida pela reportagem resumiu a nova postura como uma disposição da Globo de "passar o rodo" no "filé mignon" do esporte.
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Globo sentiu crescimento da CazéTV na Copa
Enquanto a Globo exibiu 55 partidas na Copa do Mundo, a CazéTV foi a única operação brasileira com os 104 jogos do Mundial gratuitamente. O canal de Casimiro Miguel também acumulou recordes no YouTube durante a competição. Na semifinal entre França e Espanha, por exemplo, a transmissão chegou a 24,2 milhões de aparelhos conectados simultaneamente. Ao final do Mundial, a CazéTV ocupava 29 das 30 posições entre as maiores lives já registradas no YouTube.
A "recomposição" do portfólio esportivo da Globo, porém, já havia começado antes da Copa. A empresa retomou a Fórmula 1, que havia deixado sua programação em 2020 e permaneceu cinco temporadas na Band. Desde 2026, a categoria voltou à Globo e ao SporTV em um contrato válido até 2028.
Na Copa do Brasil, a empresa também manteve posição dominante na nova negociação para o período entre 2027 e 2030. A Globo ficou com a TV aberta e adquiriu um pacote multiplataforma para SporTV, Premiere e GE TV. A CBF arrecadará mais de R$ 4 bilhões com os novos contratos.
Outro sinal aconteceu neste fim de semana. A Globo superou a CazéTV na disputa pelo Mundial de Clubes de vôlei feminino, que havia sido transmitido pelo projeto de Casimiro em 2025. A competição passará para a GE TV.
Copa do Mundo de 2030 vira prioridade para a Globo
A próxima grande batalha já está no radar. Segundo apuração do NaTelinha, a Globo trata a Copa do Mundo de 2030 como prioridade e pretende entrar forte na negociação pelos direitos.
A Fifa ainda não definiu como serão comercializados os direitos para o mercado brasileiro. A intenção da Globo, entretanto, é evitar repetir o modelo de 2026, quando abriu mão de quase metade das partidas enquanto a CazéTV comprou o torneio completo.
O Campeonato Brasileiro também está no horizonte. Hoje, os direitos estão fragmentados por causa dos acordos realizados separadamente pelos blocos de clubes, cenário que colocou jogos tanto na Globo quanto na Record e em diferentes plataformas digitais.
A avaliação nos bastidores é que uma divisão semelhante dificilmente ocorrerá novamente sem forte resistência da líder. Quando o próximo ciclo entrar em negociação, a Globo pretende utilizar seu poder financeiro e sua estrutura multiplataforma para tentar recuperar o máximo possível dos jogos mais relevantes.