Desaprovação

Foco em polêmicas frustra indecisos e sabatinas da Globo não mudam votos

Pesquisas de campanhas revelam insatisfação com foco em corrupção nas entrevistas de Lula e Flávio Bolsonaro em vez de propostas reais


César Tralli e Renata Vasconcellos comandaram as entrevistas
César Tralli e Renata Vasconcellos comandaram as entrevistas - Foto: Reprodução/Globo
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As sabatinas com os candidatos à Presidência da República realizadas pela Globo na última semana não conseguiram alterar a decisão da maioria dos eleitores que ainda não escolheram um nome para votar. Segundo pesquisas qualitativas realizadas por campanhas políticas durante ou logo após as entrevistas, 95% dos participantes permaneceram indecisos.

As informações foram obtidas pelo NaTelinha em conversas com integrantes de campanhas, que acompanharam a reação dos eleitores em tempo real. O índice foi considerado elevado por uma das equipes consultadas. Em 2022, segundo esse levantamento, 30% dos indecisos ouvidos após as sabatinas haviam definido o voto. Em 2018, o percentual teria chegado a 35%.

O principal motivo apontado pelos entrevistados não foi o desempenho dos candidatos, mas o formato das conversas conduzidas por Renata Vasconcellos e César Tralli. Na avaliação dos eleitores consultados, os jornalistas concentraram parte significativa das entrevistas em temas relacionados a corrupção, enquanto a expectativa era ouvir propostas para um eventual governo.

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A insatisfação teria sido mais evidente nas entrevistas de Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo os relatos obtidos pelo site, os participantes consideraram que assuntos envolvendo escândalos já conhecidos ocuparam espaço que poderia ter sido utilizado para discutir projetos e medidas concretas.

Entre os temas considerados prioritários pelos indecisos estavam segurança pública e educação. Para esse grupo, a escolha do candidato deveria estar mais relacionada às propostas apresentadas para essas áreas do que à avaliação sobre qual governo teria menor envolvimento com denúncias de corrupção.

Candidatos foram criticados após sabatinas

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Os candidatos também receberam críticas durante as pesquisas. Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury foram apontados por participantes como nomes que teriam apresentado poucas propostas concretas ou dado respostas consideradas pouco objetivas.

Lula, por sua vez, teria provocado reações distintas. Os entrevistados demonstraram incômodo com sua postura durante a conversa com Renata Vasconcellos e também questionaram respostas relacionadas ao Caso Master e à defesa de Adriano da Nóbrega.

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Flávio Bolsonaro também foi alvo de críticas pela avaliação dos indecisos sobre suas respostas durante a sabatina. Já Renan Santos teria sido considerado “imaturo” por parte dos participantes.

Apesar das ressalvas, Lula e Renan Santos receberam elogios em um aspecto específico: alguns entrevistados avaliaram que os dois demonstraram maior autenticidade durante as conversas.

O resultado das pesquisas qualitativas indica, portanto, que as sabatinas tiveram impacto limitado entre os eleitores que ainda não definiram seu voto. Para esse grupo, a expectativa de conhecer propostas acabou não sendo plenamente atendida pela dinâmica adotada nas entrevistas.

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