Maitê Proença diz que saída de Boni atrapalhou Globo: "Não ouviram"
Atriz relembra época da líder de audiência em que contava com Boni
Publicado em 25/08/2026 às 09:31,
atualizado em 25/08/2026 às 09:41
Maitê Proença apontou a saída de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, como um momento decisivo na transformação da Globo. A atriz afirmou que o antigo executivo fazia diferença pelo conhecimento que acumulou sobre televisão e pelo pulso firme nos bastidores, além de considerar que a emissora não seguiu um conselho importante deixado por ele. "Não ouviram", lamentou a atriz.
As declarações foram dadas em entrevista ao programa da coluna Gente, da Veja. Ao recordar seus primeiros anos na Globo, Maitê descreveu uma empresa com ambiente mais familiar, em uma época na qual, segundo ela, profissionais de diferentes áreas ainda aprendiam juntos a produzir novelas.
A atriz contou que Boni tinha o hábito de enviar memorandos, flores e presentes aos profissionais quando os resultados eram positivos. Maitê também avaliou que, naquele período, a relação entre artistas e televisão era diferente da atual, já que cinema e teatro tinham maior prestígio e a TV ainda precisava conquistar atores importantes.
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Com o desenvolvimento da indústria, porém, ela considera que o ambiente também mudou. Maitê afirmou que o aprendizado coletivo inicialmente tornava as pessoas mais humildes e que, depois, surgiu "uma certa arrogância" nos bastidores.
"A saída do Boni atrapalhou muito. O Boni era um intuitivo que conhecia tudo. Aprendeu sozinho, mas aprendeu muito, sabia muito. Para a TV Globo se manter no patamar que ela tinha, só nivelando por cima, porque por baixo já tinha quem fizesse. Não ouviram."
Maitê Proença relembra pulso firme de Boni na Globo

Maitê também recordou o estilo de comando do executivo. Para ela, Boni conseguia combinar sensibilidade pessoal com firmeza para tomar decisões difíceis. A atriz contou que ele demitia profissionais quando julgava necessário, mesmo que depois sofresse emocionalmente pela decisão. Também relembrou situações em que o então chefe da Globo determinava que trabalhos já gravados fossem refeitos por não considerar o resultado satisfatório.
"Ele tinha um pulso firme. Mandava embora quem tinha que mandar, sem medo", disse. Em seguida, recordou uma situação em que Boni teria ordenado a regravação de cinco capítulos de uma novela porque avaliou que o material estava ruim. "Faziam de novo, dava certo", resumiu.
A conversa sobre Boni levou Maitê a relembrar também a própria saída da Globo. Questionada sobre o encerramento de sua relação profissional com a emissora, ela afirmou que o processo foi abrupto. "Entrei com 20 anos, fui mandada embora com 60 e não teve carta, não teve aviso prévio, não teve fundo de garantia, não teve nada", relatou. Segundo a atriz, caso não tivesse organização financeira, a decisão "poderia ter destruído a vida".
Maitê afirmou ainda que soube do fim do vínculo por meio da imprensa e que havia recebido anteriormente a informação de que permaneceria na emissora. Na ocasião, ela acabara de participar de Liberdade, Liberdade (2016), sua última novela na Globo. A atriz disse que tentou conversar com pessoas com quem mantinha uma relação próxima, mas não conseguiu.
Por fim, reforço sua admiração pelo ex-todo poderoso da Globo: "O Boni é o maior. Ele é um visionário com um coração do tamanho de um bonde". Para Maitê, a capacidade de reunir emoção, objetividade e pragmatismo em uma mesma pessoa ajuda a explicar a importância que o executivo teve na história da televisão. "Só num gênio como o Boni", concluiu.
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