Alfonso Aurin

Homem de confiança de Silvio Santos expõe pela 1ª vez o que barrou o Big Brother no SBT

Bastidores foram revelados durante o The Noite


Alfonso Aurin no The Noite e Silvio Santos na Casa dos Artistas
Alfonso Aurin era homem de confiança de Silvio Santos; ele esteve envolvido na criação da Casa dos Artistas - Foto: Montagem/NaTelinha

O SBT esteve próximo de assinar a compra do Big Brother, mas abandonou o negócio depois de encontrar uma mudança milionária no contrato apresentado pela Endemol. A desistência levou Silvio Santos (1930-2024) a ordenar a criação da Casa dos Artistas (2001-2002). Quase 25 anos depois, a emissora ainda estuda maneiras de resgatar a marca, conforme confidenciou Daniela Beyruti. "Todo ano a gente pensa", disparou ao The Noite já na madrugada desta quinta-feira (20).

Os bastidores da negociação foram revelados por Alfonso Aurin, atual vice-presidente de Negócios e Facilities do SBT e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do reality show. Ele foi um dos homens de confiança do Homem do Baú.

Alfonso contou que viajou para a Holanda depois de receber treinamento e participar da preparação do projeto brasileiro do Big Brother. José Roberto Maluf, então vice-presidente do SBT, também acompanhou a negociação. O acordo estava encaminhado, e um jantar com John de Mol, criador do formato, havia sido marcado.

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SBT desistiu do Big Brother na Holanda

Homem de confiança de Silvio Santos expõe pela 1ª vez o que barrou o Big Brother no SBT

A situação mudou durante a última revisão do contrato. Um advogado do SBT que tem bom inglês jurídico encontrou uma cláusula diferente daquela discutida anteriormente. Segundo Aurin, o canal seria obrigado a investir em outras produções da Endemol nos cinco anos seguintes. O valor envolvido seria praticamente igual ao cobrado pelos direitos do Big Brother.

Alfonso telefonou para Silvio Santos, que estava gravando o Qual É a Música?, e aguardou o apresentador retornar ao camarim. O empresário quis saber se a nova exigência fazia parte do acordo original. Diante da resposta negativa, determinou que o SBT não aceitasse a mudança: "Essa, não".

Os representantes da Endemol ainda tentaram renegociar o valor. Alfonso, porém, afirmou que conhecia a maneira de Silvio conduzir os negócios e sabia que o patrão não voltaria atrás. A reunião terminou, e o jantar com John de Mol foi cancelado.

De volta ao Brasil, o executivo lamentou o fim da negociação. Silvio perguntou se seria possível prosseguir com o projeto. Aurin ponderou que o SBT havia assinado um acordo de confidencialidade e não poderia simplesmente reproduzir a mecânica apresentada pela Endemol.

O dono do Baú respondeu que não pretendia copiar o programa. A ideia seria desenvolver outra atração, com participantes famosos e mudanças suficientes na estrutura: "Nós faríamos outro tipo. Nós faríamos com artistas".

Silvio Santos deu 90 dias para criar reality

Silvio estabeleceu duas condições. Somente ele e Alfonso poderiam conhecer o projeto, e o novo programa precisaria estrear dentro de 90 dias. O apresentador havia comprado uma casa vizinha à sua residência, no Morumbi, em São Paulo, para receber os participantes.

Daniela Beyruti revelou que nem mesmo a família sabia o que estava sendo construído. A mesa utilizada por eles durante as refeições ficava próxima ao muro da obra, mas Silvio evitava responder às reclamações e perguntas das filhas.

Todos os trabalhadores assinaram contratos de confidencialidade. Como um dos quartos era verde e outro rosa, surgiu entre os operários o boato de que o local abrigaria uma casa de prostituição. Alfonso decidiu não desmentir a história porque a versão ajudava a esconder o verdadeiro projeto.

Aurin também mencionou diferenças criadas pelo SBT. No lugar do confessionário, os participantes conversavam diante de um espelho. Uma psicóloga permanecia escondida atrás dele e atendia os confinados quando percebia algum abalo emocional.

O programa transformou-se em um fenômeno e alcançou 47 pontos de média e 55 de pico na final da primeira edição. Posteriormente, a Globo e a Endemol processaram o SBT. A Justiça considerou a Casa dos Artistas um plágio do Big Brother. Em 2015, o STJ negou um recurso da emissora em uma ação cuja indenização era calculada em aproximadamente R$ 18 milhões.

Casa dos Artistas pode voltar ao SBT?

Segundo Alfonso, o SBT conserva o direito de utilizar o nome Casa dos Artistas, mas não pode repetir a mecânica julgada como cópia. Um eventual retorno precisaria apresentar uma proposta inteiramente diferente.

A casa utilizada pelo programa na segunda e terceira temporada, em 2002, continua de pé e serviu como locação para novelas da casa. Ao ser questionada por Danilo Gentili sobre uma possível retomada da marca, Daniela admitiu que o assunto aparece com frequência nos bastidores. "Todo ano a gente pensa", disse ela sobre uma possível volta do programa utilizando o mesmo título.

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