Regina Casé desabafa e expõe onda de ataques conservadores por causa de programa da Globo
A atriz e apresentadora revelou que a Dona Lourdes de Amor de Mãe a ajudou bastante
Publicado em 30/06/2026 às 12:09
Regina Casé abriu o coração e revelou que passou a conviver com ataques conservadores desde a época em que apresentou o Esquenta!, programa exibido nas tardes de domingo da Globo entre 2011 e 2017.
"Não acho que foi uma implicanciazinha não, foi latência de uma onda de um tsunami conservador que veio e que se manifestou claramente logo em seguida. Mas ali, como ainda não era expresso claramente, ninguém via, dava até impressão que era só comigo", disse a atriz e apresentadora em entrevista ao Sem Censura, da TV Brasil.
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"Porque é o seguinte: se você leva assim um casal gay muito bonitinho, loirinho, com a mãe, em um programa de noite, todo mundo chora, é mais palatável. Se eu levo, como eu levei por exemplo, um casal de cortadoras de cana, do sertão, que eram casadas, duas mulheres que lutavam muito pela vida de um outro jeito, aquilo causava muita rejeição", comentou Regina Casé.
"E como ninguém sabia o nome delas e via aquele tanto de preto no programa, pessoas diferentes em todos os sentidos, e já que todo preconceito e todo ódio têm que ter uma direção, eu virei um ralo para isso. Foi muito duro esse período, eu admito. Acho que Benedita sentiu muito, até o Roque sentiu", lamentou a famosa, citando os filhos.
"Era muito violento o que a gente chama hoje de 'hater' e que, naquela época, ainda não conseguíamos entender. Eu ainda tenho uma herança disso, porque é uma loucura, [a quantidade de] barbaridade e mentiras [inventadas sobre mim]. É muito grave", reforçou Casé.
Regina Casé fala sobre onda de rejeição

Na entrevista a Cissa Guimarães, Regina Casé confidenciou que graças aos seus personagens conseguiu diminuir essa onda de rejeição. "Na época do Esquenta!, chegou a um ponto que foi muito pesado, por conta desses grupos violentos e o preconceito com todas as coisas que estavam ali presentes. Hoje em dia, é mais suave", analisou.
"Quando você está na dramaturgia também é, porque não é você que está ali, é [por exemplo] a Dona Lourdes [protagonista de Amor de Mãe]. Eu digo que a Dona Lourdes me ajudou muito. Quando falei: 'Não estou aguentando mais', ela surgiu para limpar um pouco da minha barra, e dei uma respirada", admitiu.
Por fim, Casé refletiu sobre o que viveu. "Acho que vem anterior [ao Esquenta!], foi por conta de todos os trabalhos que fiz, como Central da Periferia e Minha Periferia. Aquilo gerava muito ódio e preconceito nesse tipo de grupo. Não eram aquelas celebridades super harmonizadas da televisão, eram só anônimos e pessoas da periferia. Mas acho que o auge disso foi no Esquenta!", concluiu.