Polêmica

Globo esconde Virginia Fonseca de chamada do Domingão com Huck

A influencer vai cobrir a Copa do Mundo pelo programa de Luciano Huck


Virginia Fonseca
A Globo escondeu Virginia Fonseca de chamada do Domingão com Huck - Foto: Divulgação/Globo

A Globo resolveu esconder Virginia Fonseca da chamada de divulgação do Domingão com Huck deste domingo (14). Na edição, a digital influencer vai estrear como "repórter" da atração na Copa do Mundo do Canadá, Estados Unidos e México.

Em anúncios ao longo de sua programação, o canal anuncia a participação de Lívia Andrade direto dos EUA e mais um episódio do Quem Quer Ser um Milionário?. Além disso, no quadro Por Dentro da Camisa, Luciano Huck vai bater um papo com Gabriel Magalhães e com a esposa e a mãe do jogador.

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O programa, que nesta semana será exibido mais cedo e ao vivo, contará com duas edições, uma às 15h05, logo depois da Temperatura Máxima, e outra às 19h10, antes do jogo Costa do Marfim x Equador.

A contratação de Virginia Fonseca como "repórter" do Domingão com Huck tem causado polêmica desde que a notícia veio a público, em abril. Desde então, internautas, profissionais de imprensa e órgãos que representam as categorias envolvidas criticam a Globo por dar lugar a uma influencer em vez de um jornalista.

Fenaj critica presença de Virginia Fonseca na cobertura da Copa

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Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas, a Fenaj, repudiou e demonstrou preocupação com a presença de influencers fazendo as vezes de jornalistas na Copa do Mundo de 2026. A entidade chegou a falar em "sucateamento da cobertura jornalística".

"A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e seus 31 Sindicatos filiados manifestam profunda preocupação diante da divulgação de notícias de que 'influenciadores digitais' serão escalados como repórteres por emissoras na cobertura da próxima Copa do Mundo de Futebol", disse.

"A decisão expõe um processo cada vez mais evidente de sucateamento da cobertura jornalística de grandes eventos, marcado pela redução drástica das equipes profissionais, pelo corte de investimentos e pela substituição de jornalistas por figuras voltadas exclusivamente ao entretenimento e ao engajamento nas redes sociais", completou.

"Nos últimos anos, o mesmo movimento ocorreu em grandes coberturas de interesse público, como o Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, quando emissoras diminuíram a presença de repórteres e utilizaram artistas e nomes conhecidos da internet na 'cobertura' dos desfiles", criticou a Fenaj.

"O resultado disso é a desvalorização do trabalho jornalístico e a perda de qualidade da informação veiculada ao público. Grandes eventos, como uma Copa do Mundo, não se tratam apenas de entretenimento: a população brasileira, que acompanha os passos e jogos da Seleção, busca informações confiáveis, que só podem ser reportadas por profissionais preparados com capacidades técnicas e éticas", lembrou.

"A lógica da audiência instantânea e do engajamento algorítmico não pode se sobrepor à necessidade de cobertura jornalística séria, plural e qualificada. Influencer não é jornalista! Diante desse cenário, reforçamos a importância da aprovação da PEC do Diploma, uma luta histórica da categoria para que a retomada da exigência do diploma de Jornalismo como acesso à profissão seja um instrumento de valorização do jornalismo e defesa da qualidade da informação", concluiu a federação.

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