Márcio Gomes explica troca da Globo pela CNN e cita "estímulo financeiro"
"Foi uma das melhores opções que eu fiz", afirma o jornalista; ele revela pedido feito antes de deixar a emissora e que não foi atendido
Publicado em 31/03/2026 às 14:15,
atualizado em 31/03/2026 às 14:25
Márcio Gomes explicou o contexto de sua saída da Globo em 2020, quando trocou a emissora carioca pela CNN Brasil. O jornalista revelou os pedidos que fez e não atendidos antes de deixar a empresa. Ele citou ainda o "estímulo financeiro", além da proposta profissional feita pelo canal de notícias.
Em entrevista ao podcast NaTelinha Talk nesta terça-feira (31), Márcio Gomes contou que saiu da Globo em busca de novas experiências. Ele comparou a decisão a outra feita anteriormente, quando deixou de ser âncora do RJ2 para ser correspondente internacional no Japão.
"Depois que você passa pela experiência de correspondente internacional, você não volta a mesma pessoa. Você aprende muita coisa, você cresce muito. Quando voltei para cá, em 2018, após cinco anos no Japão, voltei achando que eu poderia fazer muito mais", disse.
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"Me colocaram como repórter do Jornal Nacional"
Na volta ao Brasil, em 2018, ele se frustrou com os rumos da carreira na Globo. "Me colocaram como repórter do Jornal Nacional. Super legal também, saí do RJ2 e voltei como repórter do Jornal Nacional... Alguns podem ver como um crescimento na carreira, um upgrade, mas para mim não era."
Apesar de gostar de fazer reportagens, Márcio almejava voltar ao posto de apresentador. "Eu estava sentindo falta de ter um estúdio, de fazer um jornal, e estava percebendo que eu não ia mais ter essa chance, não ia ter mais essa oportunidade da Globo."
"Eu pedia, por exemplo, para voltar a fazer a escala [como apresentadora substituto] do Jornal Nacional, aos sábados, como vinha fazendo já nos últimos 10 anos. 'Não, você tem que ter uma bancada'. Foi a justificativa que me deram. Não tem problemas nenhum. Ok, continuei fazendo as minhas matérias."
Márcio Gomes
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Ele acrescentou: "Consegui fazer, de tanto pedir, as folgas nos sábados do Jornal Hoje". Neste contexto, teve início a pandemia da Covid-19.
"Surgiu um buraco na programação da Globo, e o jornalismo foi cobrir esse buraco. Eu fui escolhido para fazer aquele programa, que foi um marco para mim e acho que para muita gente também, de levar informação sobre uma doença que nem os médicos sabiam o que era", relembrou.
Sobre o período, ele contou: "Quando o programa acabou, o que me deram foi o SP2. E era o máximo que eu ia conseguir: ser apresentador do SP2. Nenhum demérito contra jornal local. Adoro jornalismo local. Se me falarem para fazer jornalismo ali na esquina, eu vou fazer".
"Depois que você é correspondente internacional e passa por uma pandemia, você percebe que tem muito para compartilhar, você tem muito da sua experiência para entregar em assunto maiores. Falar da guerra em uma favela, em uma comunidade no Rio de Janeiro, é gravíssimo, a gente que falar. Mas falar de uma guerra no Irã, por exemplo, é algo maior, com consequências maiores e com maiores responsabilidades. Eu queria responsabilidades maiores."
Márcio Gomes
"Que foi um estímulo financeiro, é claro que foi"
Foi quando surgiu o convite da CNN Brasil. "Que foi um estímulo financeiro, é claro que foi, não vamos ser ingênuos aqui, mas foi, de novo, a experiência que me apresentaram: 'Você vai ter um programa seu, para tratar de assuntos do mundo, com analistas, com repórter, correspondentes internacionais. Você vai ter liberdade para fazer esse programa'", destacou o jornalista.
"Era impossível recusar. Eu fui super justo. A CNN me convidou na quinta-feira. Na sexta, com proposta. 'Esse é o valor, esse é o programa'. Na sexta-feira, eu falei: 'Globo, fui convidado pela CNN. Esse é o valor, essa é a proposta. Estou muito inclinado a ir. E aí?'", contou.
Sobre a negociação, ele detalhou: "Foram algumas semanas de negociação, mas era impossível chegar próximo ao que a CNN me oferecia, pelo menos do ponto de vista da Globo. Não fizeram propostas que me satisfizessem".
Márcio Gomes deixou a Globo após 24 anos na emissora. Na entrevista, ele se emocionou ao falar do apoio que recebeu da esposa e dos amigos na época. Há quase 6 anos na CNN Brasil, ele vê crescimento pessoal e na carreira. "Foi uma das melhores opções que eu fiz, profissionalmente falando", afirma.