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Homero Salles desmente diretor do Viva a Noite e diz estar decepcionado com o SBT

"Se uma pessoa não sabe da história do programa, não copia", diz ele


Homero Salles em podcast e Jefferson Cândido com camiseta do Viva a Noite em foto montagem
"Na hora que o cara fala que 'ele nunca foi ao vivo como disseram', ele está me chamando de mentiroso", diz Salles - Foto: Reprodução/YouTube
Por Thiago Forato

Publicado em 31/03/2026 às 09:14,
atualizado em 31/03/2026 às 10:22

Diretor e criador do Viva a Noite nos anos 1980, Homero Salles afirmou estar decepcionado com o SBT. Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, ele se mostrou surpreso com a repercussão da crítica que escreveu em uma rede social após a volta do programa, e lamentou a maneira com que a emissora tenha levado isso à coletiva de lançamento.

"Um cara que criou, dirigiu, fez tudo pelo Viva a Noite e não sabe se o programa foi ao vivo ou não?", afirmou, em resposta ao diretor atual do semanal, agora comandado por Luis Ricardo. Nessa segunda-feira (30), Jefferson Cândido disse que o Viva a Noite nunca foi ao vivo. "Tá todo mundo perguntando, mas era ao vivo?", levantou. "Tá todo mundo perguntando não, uma pessoa só, na realidade", disse Fabiano Wicher, que também está na direção.

Enquanto a coletiva rolava, isso rapidamente chegou ao conhecimento de Homero. "Eu não conheço nenhum colunista de TV burro. Então, obviamente, quem estava lá me ligou. Porque perceberam na hora que isso estava relacionado ao que eu tinha escrito", explica.

"Prova que eles não querem ajuda", acrescenta ele, que dirigiu Gugu Liberato (1959-2019) e Silvio Santos (1930-2024). Salles ainda relembra que o Viva a Noite saiu da semana para o sábado, e não por questão de audiência, como também disse Cândido. "Naquela época, pra você ter ideia, demorava uma semana pra gente ter acesso à audiência. Não havia minuto a minuto, não havia nada. Era o dia correto [sábado] pra colocar o programa. Nós pleiteamos junto ao Silvio. Eu, o Gugu e a Nelly [Raymond], e conseguimos mudar para o sábado."

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Veja a entrevista completa com Homero Salles:

NaTelinha - Quando você redigiu essa crítica, esperava toda essa repercussão?

Realmente, não. Vou te falar que ia ter um pouco de repercussão principalmente com vocês, da imprensa, eu sabia. É o ex-diretor falando do novo, né? Isso eu sabia que poderia ter.

Agora, não iria imaginar que morderiam a linhada inteira e mais a vara, né? Não foi só o anzol. O problema é o seguinte: a gente quer ajudar. Te digo isso de coração. Graças ao bom Deus, não preciso de emprego. Não estou pedindo emprego. Todas as vezes que conversei com a Daniela [Beyruti], com o pessoal de lá, conversei despretensiosamente por um negócio que você vai falar: 'Ah, que ingenuidade!'. Mas pra mim tem importância: eu devo muito da minha vida ao Silvio.

O Silvio mudou minha vida. Então, vontade de ajudar a Daniela. Primeiro que fiz amizade com ela nos Estados Unidos, a gente conversava e tudo... Segundo, eu devo isso ao Silvio. Chega um programa que eu criei, aí não tem Nelly Raymond, a Nelly vinha no dia do pagamento...

O Gugu trabalhava na Rádio Capital. Eu ia para a Rádio Capital nos intervalos do programa do Gugu. A gente não tinha nem cadeira. A gente fazia o roteiro literalmente nas coxas. Não é Nelly Raymond. Isso é uma criação minha e do Gugu. E aí você acha que eu não tenho lugar de fala pra criticar?

A minha crítica foi super leve. Botei algumas coisas pontuais. Não citei nome, não falei de diretor. Não era isso. E aí os caras me metem isso numa coletiva?

NaTelinha - Como o que estava sendo dito na coletiva chegou pra você? Você não foi citado nominalmente.

Veja bem, eu não conheço nenhum colunista de TV burro. Então, obviamente, quem estava lá me ligou. Porque perceberam na hora que isso estava relacionado ao que eu tinha escrito.

Fico decepcionado com o tratamento que eles deram. Prova que eles não querem ajuda e principalmente minha decepção... Não é decepção, talvez o entendimento do que está acontecendo a partir desse desconhecimento do que é o programa.

Se uma pessoa não sabe da história do programa, não copia. Sai do zero como a gente fazia. Pega uma folha de papel em branco. Eu não sabia o que eu ia fazer na outra semana. Foi assim até o Domingo Legal. Ou você sai do zero, ou se você vai copiar, entenda o que está copiando.

Não tem aquele concurso do Tarzan, a cópia do Rambo? Para qual público é dirigido?

NaTelinha - Para o público feminino.

Tinha três mulheres lá. A coitada da Banhara [Renata], que é escolada em Viva a Noite falou que é "melhor ver de perto". E o apresentador não entendeu. Era hora de falar "vem aqui examinar mais perto". Botaram token pros caras votarem, para as mulheres votarem... O Gugu fazia disso 15 minutos com votação, público e auditório. Pega as mulheres e usa as mulheres.

É um quadro que o 'time' que tem que ver do outro lado quem estou atingindo.

Homero Salles desmente diretor do Viva a Noite e diz estar decepcionado com o SBT

NaTelinha - O diretor do Viva a Noite, Jefferson Cândido, comentou que o programa começou às terças e a audiência não foi tão boa, mas que depois o Silvio Santos mudou para os sábados e explodiu. Ele também disse que o Viva a Noite nunca foi ao vivo na história. Foi ou não foi? Na sua análise, você diz que o programa era ao vivo por natureza e sugeriu que a nova versão fosse assim.

Não é verdade. O programa começou realmente durante a semana, mas não tem nada a ver com audiência. Naquela época, pra você ter ideia, demorava uma semana pra gente ter acesso a audiência. Não havia minuto a minuto, não havia nada.

Era o dia correto [sábado] pra colocar o programa. Nós pleiteamos junto ao Silvio. Eu, o Gugu e a Nelly, e conseguimos mudar para o sábado. Durante a semana, o diretor da rede na época, ele achou que o programa não tinha qualidade para entrar na rede ainda. Que era melhor amadurecer o programa e aí passamos para o sábado, passando nacional.

Vou te dar a sequência: a gente fazia o programa, terminava meia-noite porque tinha uma ordem para parar o programa meia-noite. Mas a gente sempre vazava. Eu saía de lá e fazia dois circos. Tinha uma pessoa já na porta do circo arrecadando os ingressos. Dos dois, a gente ia pro forró, e esse forró chegávamos às 4 da madrugada, por aí. Pegava o carro na estrada porque no dia seguinte, aos domingos, a gente tinha show em cidade do interior. Rio Claro, Americana, Campinas... Eram shows grandes, aos domingos.

Olha o desconhecimento do cara. Como é que pode fazer cópia de um programa que ele não conhece a história? Não tem cabimento.

NaTelinha - Você conversou com o Luis Ricardo? Ele disse, como você viu, dizendo que comentaram que "o cenário estava muito grande".

Também me decepcionei com esse comentário. O Luis, mais do que ninguém, sabe que eu estava torcendo por ele. Ele precisava ter programa próprio. Sempre gostei do Luis. Ele é uma pessoa especial pra mim. Mas fiquei decepcionado.

Se eu estou falando isso, a pessoa não entende que eu não estou me referindo à parte física. O conceito de televisão para o "cenário muito grande" não tem nada a ver com o físico. Você vai fazer no mesmo espaço do estúdio.

Se o estúdio tem 500 metros quadrados e você fizer um cenário que ocupe 490, mas colocar todas as tapadeiras no meio, não importa o tamanho do estúdio. O que eu quis dizer de cenário grande é conceitual da intimidade daquele programa com a lente da câmera.

O Viva a Noite era intimista. Ele não era show. O Domingo Legal era show. O Viva a Noite não era show. E o cenário aberto do jeito que foi concebido, mais aquela câmera central que abre a lente e dá amplitude, deixa o cenário sem identificação com o público.

A melhor maneira de passar isso é o seguinte: existe música de orquestra e existe música de câmara. A música de câmara são cinco ou seis instrumentos. E a plateia é a mesma. Mas ali ela tem intimidade. E existe orquestra com 80 elementos. Então, é isso. Decepcionante.

NaTelinha - O que mais te decepcionou?

O que mais me decepcionou, na verdade, foi ninguém ter a humildade de levantar o telefone e falar: "Homero, você tem alguma dica pra dar?". Depois do artigo. Eu sou muito ingênuo. Muito bobinho. Eu esperava que o Luis, ou um dos dois diretores ligassem. Eles têm meu número. O Jefferson fez o documentário do Silvio comigo. "Pô, eu li, que chato. Mas você, com todo o conhecimento que você tem do Viva a Noite, pode me dar umas dicas?". Eu ia dar com o maior prazer.

É uma decepção geral. Não esperava. Tudo isso está me pegando de surpresa. Não esperava que a repercussão fosse dessa maneira. No fundo, no fundo, esperava que depois que alguns deles lessem, podiam dar uma ligada e falar: "Poxa, Homero você tem como ajudar?".

É óbvio, se o cara que fundou a Volkswagen estivesse vivo, ia pedir dica para o meu Fusca.

NaTelinha - O fato de terem levado isso pra coletiva também te chateou?

Veja bem, quando você está falando numa coletiva, você não tem uma troca. Alguém que possa fazer o contraponto. Obviamente se você está num debate, numa conversa pública, eu virava e falava... "Pera, pera, deixa eu só corrigir você. Lógico que ele foi ao vivo. Ele foi concebido para ser ao vivo. Se não fosse ao vivo, não teria chegado onde chegou".

O fato de ter sido gravado foi o causador da queda do Viva a Noite. Quando ele foi gravado, perdeu força. O Gugu nunca gostou de fazer programa nenhum gravado. Tanto que ele não voltava gravação. E eu que me lascava. Isso veio do início, quando o Gugu era cru. Ele era produtor também. E sabia o que tinha que fazer, então ele queria fazer uma vez só. O programa foi concebido para isso. Esse programa gravado não funciona.

Homero Salles desmente diretor do Viva a Noite e diz estar decepcionado com o SBT

NaTelinha - Você disse que esperava uma ligação. Ainda dá tempo? Você espera uma ligação?

Não espero. De jeito nenhum. Já foi, já foi.

NaTelinha - Mas se te ligassem, você ajudaria?

Eu preferia que não ligassem. Se ligarem depois dessa coletiva, espero no mínimo uma retratação. Na hora que o cara fala que "ele nunca foi ao vivo como disseram", ele está me chamando de mentiroso. A partir da hora que ele fala que "nunca houve Viva a Noite ao vivo", está me chamando de mentiroso.

Um cara que criou, dirigiu, fez tudo pelo Viva a Noite e não sabe se o programa foi ao vivo ou não?

Eu tinha dificuldades na minha época. Os artistas bons, que eu queria, eu tinha que agendar com meses de antecedência.

NaTelinha - Por ser sábado à noite?

Por ser sábado à noite. Agora olha como essa vida prega peças na gente, o Menudo só estreou no Viva a Noite, no Brasil, porque eles vieram para gravar Globo no domingo. O Menudo ia fazer o Chacrinha e o Fantástico. Gravar para o domingo. E aí ele veio, o empresário, conversei com ele nos Estados Unidos, dois dias antes, e ele veio dois dias antes, mas ele estava livre no sábado à noite. Então os Menudos estrearam no sábado à noite e depois passaram na Globo.

Tinha vantagens e desvantagens fazer ao vivo no sábado.

NaTelinha - Você recebeu comentários de gente do SBT concordando com sua crítica ao Viva a Noite?

Recebi. Não vou citar nomes, mas recebi. E é gozado, quando eu posto isso, a maior parte dos leitores é do SBT.

O público para quem se dirige é aquele que eu escrevi no LinkedIn. E o feedback desse pessoal geralmente é positivo.

Agora, minha relação com o SBT, acredite em mim, é simplesmente querer ajudar em agradecimento a tudo que o Silvio modificou na minha vida.

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