Ex-diretor do Viva a Noite analisa volta no SBT: "Acertaram no nome e erraram no resto"
"É apenas uma lembrança mal compreendida", escreveu ele
Publicado em 30/03/2026 às 09:28,
atualizado em 30/03/2026 às 10:45
Homero Salles, que formatou e dirigiu o Viva a Noite nos anos 1980 quando a atração teve Gugu Liberato (1959-2019) no comando, analisou a volta do programa que aconteceu no último sábado (28), no SBT. "Só acertaram no nome e erraram no resto", começou ele, em análise publicada no LinkedIn (análise completa ao fim da matéria).
"Sentei em frente à TV neste sábado para assistir, com esperança e nostalgia, a um revival do programa que eu e o Gugu criamos em 1982", seguiu ele. O Viva a Noite da época derivou de uma competição de danças trazida pela produtora argentina Nelly Raymond (1932-2020). "Cabia a mim e a ao Gugu reescrever tudo, criar quadros e adaptar o formato aos recursos da época — ou melhor, à ausência deles: zero verba e muita criatividade, improviso e televisão ao vivo", explicou.
Para ele, foi aí que começaram os erros do SBT em recriar a atração. "O principal: fizeram o programa gravado. Viva a Noite é, por natureza, um programa ao vivo. Não funciona gravado. Seu sucesso sempre esteve no improviso, na espontaneidade e na interação com o auditório. E nada disso estava lá", lamentou.
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Salles, no entanto, elogiou Luis Ricardo, apresentador escolhido para capitanear a nova versão. "Artista talentoso que esperou décadas por essa oportunidade e merecia muito mais. Surpreende também o mau resultado, considerando os dois bons diretores envolvidos. Percebe-se que o problema aqui é conceitual."
Viva a Noite é estado de espírito, diz Homero Salles
O ex-diretor de Gugu afirmou que se tivessem criado algo somente inspirado no original, talvez funcionasse. "Mas optaram por copiar quadros e brincadeiras sem entender o essencial: o diálogo com a câmera e com o telespectador."
"Esta versão gravada e pessimamente editada, com cortes bruscos, objetos e pessoas desaparecendo do nada... quebra completamente a imersão e compromete o ritmo, dando ao programa uma aparência frágil incompatível com a história que carrega. O cenário é grande demais para um programa que sempre foi intimista. O palco amplia mais ainda a sensação de vazio, agravada por um posicionamento da câmera central equivocado."
Homero Salles, diretor do Viva a Noite entre os anos 80 e 90
A falta de telemoças como Marriet, Rose, Walkiria e Silvinha também foi sentida por ele. "Eram parte do imaginário do programa, e as substituíram por um balé genérico, que atua em todos os programas da casa, descaracterizando o formato."
Homero ainda elencou problemas como o som e a plateia. "BG alto, apresentador em segundo plano e microfones dos participantes praticamente mudos. E, no caso de Nicki French, exposta sem suporte vocal, o resultado foi constrangedor", acrescentou.
"A plateia, que era protagonista, virou figurante. Entraram tokens frios no lugar de reação real. Luiz Ricardo pouco interagiu com o auditório e com o time das mulheres perdendo oportunidades claras de improviso", analisou.
O profissional ainda lista uma série de correções a serem feitas:
Se quiserem corrigir:
- PROGRAMA AO VIVO , ou esqueçam e façam outro formato - cenário comprimido , estilizado com elementos do passado
- plateia ativa, dividida em torcer para homens X mulheres
- apresentador improvisando mais
- menos roteiro, menos TP, mais verdade
- conversar com os convidados no início do programa para criar empatia
Do jeito que está, não é o Viva a Noite que voltou... é apenas uma lembrança mal compreendida dele."
Confira a publicação:

