Padre Juarez rebate promessas em troca de dízimo
A entrevista com Padre Juarez foi conduzida por Drika Oliveira e Helô Amighini no canal NT+Talk, no YouTube
Publicado em 26/11/2025 às 20:52,
atualizado em 26/11/2025 às 21:29
Durante entrevista ao NaTelinha Talk, transmitida ao vivo nesta quarta-feira (26) no canal NT+Talk, o padre Juarez de Castro discutiu práticas de arrecadação no meio religioso e apresentou críticas ao que classificou como uso da fé como instrumento de obtenção de recursos. A conversa, conduzida por Drika Oliveira e Helô Amighini, abordou discursos que associam contribuições financeiras a promessas de retorno espiritual.
Ao tratar da relação entre fé e dinheiro, o sacerdote afirmou que esse vínculo não pode assumir caráter de negociação. “Quando a fé vira produto, acabou. A fé virou produto, acabou. A fé não pode ser produto, algo para trocar com Deus”, disse.
Ele afirmou que a prática de vincular doações a benefícios espirituais desvia o sentido das contribuições. “A gente não troca nossa fé por dízimo e nem por nada disso”, declarou.
O padre também comentou orientações que relacionam pagamento de dízimos a recompensas divinas. Segundo ele, discursos desse tipo desconsideram princípios religiosos. “Essa coisa de falar ‘tem que dar para Deus’ é muito perigoso”, afirmou.
Ao argumentar sobre interpretações bíblicas usadas para defender benefícios financeiros provenientes de doações, ele acrescentou. “Onde tirou que dar dinheiro na igreja, pagar o dízimo vai fazer você receber alguma coisa? Do Malaquias? Vai ler direito a bíblia”.
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O sacerdote afirmou que contribuições materiais servem ao funcionamento das igrejas e não devem ser tratadas como exigência espiritual. “Quem precisa do dízimo? A igreja para pagar a luz, os funcionários, compra o papel higiênico”, disse. Ele destacou que esses recursos são destinados ao cotidiano das paróquias.
“Se eu não pagar o dízimo, Deus ficará de mal de mim? Não”, afirmou ao reforçar que doações não devem comprometer gastos essenciais. “Não precisa tirar dinheiro do remédio, da comida para pagar dízimo”.
O padre também criticou o acúmulo de recursos e práticas financeiras fora do escopo administrativo das igrejas. “E o dízimo tem que ser usado para a igreja e não para fazer caixa ou aplicações. Igreja não é banco”, disse.
Para ele, a administração adequada impede distorções na relação entre fé, comunidade e recursos. “Temos que ter responsabilidade com o dinheiro para a fé não virar comércio”.
Quem é o Padre Juarez

Além das críticas, a entrevista expôs aspectos da trajetória do sacerdote. Padre Juarez nasceu em Lavras, Minas Gerais, e descobriu sua vocação aos 18 anos. Ordenado em 1995, mudou-se para a diocese de São Paulo, onde atuou no Santuário São Judas Tadeu e exerceu o cargo de Secretário-Geral do Vicariato da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo.
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A partir de 1996, iniciou atividades em rádio e televisão e passou a integrar a grade da Rede Vida, onde apresenta programas como Rosário da Vida e Bendita Hora.
Sua atuação também inclui produção musical e publicação de livros, entre eles Quem Tem Fé Não Precisa de Sorte, voltados à reflexão e espiritualidade. Segundo ele, o trabalho em diferentes meios amplia o alcance de sua missão religiosa.