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Televisão

Ibope da semana: o que foi mais assistido na TV brasileira

Um novo tipo de comportamento ajuda a explicar por que o interesse por transmissões esportivas ao vivo segue resistente mesmo em um cenário de audiência linear fragmentada pelo streaming


Audiência da semana
Audiência da semana

Como de costume, as novelas das nove e os telejornais de maior audiência seguem dominando o topo da lista semanal do Ibope, mas essa semana teve um capítulo à parte: a novela "Quem Ama Cuida" bateu recorde de público no sábado, enquanto "Iludida", na Record, emplacou um recorde negativo que acendeu o alerta na emissora. Ao mesmo tempo, o Jornal Nacional viveu um episódio raro de confusão nos bastidores da medição — um lembrete de como um simples detalhe técnico pode distorcer completamente a leitura de uma semana de audiência.

Esse tipo de oscilação, somado aos picos pontuais de audiência esportiva, tem um paralelo interessante fora da televisão: o consumo simultâneo de plataformas de apostas esportivas ao vivo, como a casa de aposta chinesa, que reúne operadores licenciados no país e permite acompanhar a cotação de uma partida em tempo real enquanto ela é transmitida na TV. Esse comportamento de "segunda tela" — assistir ao jogo pela TV enquanto se acompanha dados e cotações pelo celular — vem se tornando cada vez mais comum entre o público jovem, e ajuda a explicar por que o interesse por transmissões esportivas ao vivo segue resistente mesmo em um cenário de audiência linear fragmentada pelo streaming.

O susto do Jornal Nacional

O destaque técnico da semana ficou por conta do Jornal Nacional, exibido em 5 de setembro. Os dados preliminares divulgados logo após a exibição indicavam apenas 11 pontos de média na Grande São Paulo — o que seria, à primeira vista, a pior audiência do telejornal em 57 anos de história. A notícia circulou rapidamente, mas horas depois o Kantar Ibope Media esclareceu a discrepância: o resultado oficial consolidado foi de 19,33 pontos, bem distante do número inicial. A diferença aconteceu porque a edição foi exibida simultaneamente pelo sinal da TV Globo e da TVT, uma transmissão conjunta que exige um processamento específico para a medição de audiência — e que, sem esse ajuste, gera leituras parciais e enganosas. Com a correção, o Jornal Nacional deixou de carregar o rótulo de pior audiência da sua história, e o episódio serve como um bom lembrete de que números preliminares de Ibope sempre merecem uma segunda checagem antes de virar manchete.

Novelas: recorde de um lado, alerta do outro

Enquanto o telejornal vivia sua confusão estatística, a faixa de novelas seguiu movimentando o ranking. "Quem Ama Cuida" registrou recorde de público no sábado, consolidando-se como um dos destaques de audiência do mês na faixa das nove. Do outro lado, "Iludida", exibida na Record, teve o cenário oposto: marcou um recorde negativo que já foi tema de matérias específicas sobre a queda de desempenho da atração, colocando a emissora carioca em posição mais delicada na disputa direta com a concorrência nesse horário.

Esse contraste entre uma novela em alta e outra em baixa é justamente o tipo de movimento que os sites especializados em audiência — como o Ibope Já, o Notícias da TV e o O Planeta TV — monitoram dia a dia, atualizando os números praticamente em tempo real conforme as edições vão ao ar.

Futebol: Brasileirão mantém os picos de sempre

No fim de semana, o Brasileirão voltou a puxar os picos pontuais de audiência que já são característicos do gênero esportivo. O clássico entre Botafogo e Palmeiras, disputado no domingo (6) e encerrado em 0 a 0, atraiu atenção mesmo com o resultado sem gols — prova de que, em se tratando de futebol ao vivo, o interesse do público está muito mais ligado à expectativa e à disputa em si do que ao placar final. Esse tipo de pico pontual, concentrado em poucas horas de transmissão ao vivo, é justamente o que torna o esporte um dos gêneros mais valiosos para as emissoras em termos de publicidade, mesmo competindo em uma grade dominada por ficção e jornalismo.

Também chamou atenção nesta semana o desempenho do SBT nas tardes de domingo, com a programação da emissora aparecendo como a segunda escolha do público na Grande São Paulo em mais de uma faixa, atrás apenas da líder histórica do horário.

Por que o esporte ainda sustenta picos de audiência

Diferentemente de novelas e séries, que podem ser assistidas em qualquer momento via streaming sem perda de experiência, o futebol ao vivo carrega um valor de urgência que nenhuma plataforma sob demanda consegue replicar — resultado e emoção perdem grande parte do apelo quando assistidos horas depois. Esse fator segue sendo o principal motivo pelo qual competições como o Brasileirão, clássicos regionais e jogos decisivos de copas internacionais aparecem de forma recorrente entre os programas de maior pico de audiência da semana, mesmo diante do crescimento constante do consumo sob demanda.

Como as emissoras têm respondido à fragmentação

A fragmentação da audiência linear, acelerada pelo crescimento de serviços de streaming, vem levando emissoras tradicionais a reforçar justamente o esporte como âncora de programação ao vivo — um dos poucos gêneros que ainda garante audiência simultânea em massa. Pacotes de pay-per-view como o Premiere, parcerias com plataformas de streaming para transmissão exclusiva de partidas e a expansão de canais digitais próprios das emissoras têm sido as principais respostas do setor a esse movimento, na tentativa de capturar tanto o público que ainda assiste pela TV tradicional quanto o que migrou para o consumo via aplicativo ou smart TV.

O público de segunda tela durante os jogos

Levantamentos sobre hábitos de consumo digital apontam um crescimento consistente do uso do celular como "segunda tela" durante transmissões esportivas ao vivo, seja para acompanhar estatísticas, redes sociais ou, cada vez mais, cotações de apostas esportivas em tempo real. Esse comportamento simultâneo — televisão e celular ligados ao mesmo evento — tende a reforçar, e não a competir com, a audiência linear da TV durante jogos de maior apelo, já que mantém o espectador engajado com a transmissão principal enquanto explora conteúdo complementar na segunda tela.

O que esperar das próximas semanas

Com a sequência de rodadas decisivas do Brasileirão, o desfecho da disputa entre "Quem Ama Cuida" e "Iludida" na faixa das nove, e o calendário de competições internacionais ainda movimentado, a tendência é que os picos de audiência ligados ao esporte se mantenham firmes nas próximas edições do ranking semanal — acompanhando de perto o crescimento do consumo simultâneo de conteúdo esportivo pelo celular, um hábito que já se consolidou como parte do ritual de assistir futebol no Brasil.

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