Esporte

Disciplina feminina em cena: o fisiculturismo como expressão e identidade


Mariana Senna
Um dos nomes que se destaca nesse cenário é Mariana Senna

O fisiculturismo feminino, por muito tempo visto apenas como um nicho dentro do universo esportivo, vem conquistando espaço como plataforma de expressão, disciplina e transformação pessoal. Mais do que um padrão estético, a modalidade envolve dedicação intensa, equilíbrio entre saúde física e mental, além de levantar debates sobre limites, riscos e as diversas formas de empoderamento.

Um esporte de performance e identidade

Para muitas mulheres, o fisiculturismo vai além da busca por um corpo escultural. Ele se torna um instrumento de afirmação, força e identidade, em que a disciplina dos treinos e da alimentação rigorosa representa uma escolha de vida. Cada categoria — como Wellness, Bikini, Figure ou Women’s Physique — oferece espaço para diferentes tipos de físico, reforçando a diversidade de perfis femininos no esporte.

Contudo, essa trajetória exige sacrifícios. Treinos diários de musculação, longas sessões de cardio, dietas calculadas com precisão e, em muitos casos, o acompanhamento de nutricionistas e médicos são indispensáveis. Entre os riscos, destacam-se lesões por sobrecarga, impactos hormonais e pressões psicológicas ligadas à busca da perfeição.

O exemplo de Mariana Senna

Um dos nomes que se destaca nesse cenário é Mariana Senna, soldado da Polícia Militar do Estado de São Paulo desde 2017, atuando no Corpo de Bombeiros, e atleta profissional de fisiculturismo filiada à IFBB Professional League desde 2022.

Sua história reflete os desafios e conquistas dessa jornada. “Em 2022 descobri uma nova paixão: o fisiculturismo. Conheci um dos melhores treinadores do Brasil, Hélio Henrique, e iniciei minha preparação. Graças à maturidade muscular adquirida ao longo de anos praticando esportes, conquistei todas as categorias em que competi no meu primeiro campeonato, o Horse Power Show”, relembra.

O desempenho abriu portas para o Mr. Olympia Brasil, o maior campeonato nacional do setor. Mesmo conciliando a rotina de quartel com treinos intensos e longas sessões de cardio, Mariana brilhou: venceu a sua categoria, conquistou o segundo lugar no overall e, em apenas seu segundo campeonato, tornou-se atleta profissional.

A rotina de Mariana ilustra o peso da disciplina: turnos no Corpo de Bombeiros, treinos em horários alternados e a exigência mental de equilibrar duas carreiras que demandam alto rendimento. “A determinação que aprendi na farda reflete no palco, e o fisiculturismo, por sua vez, fortalece minha atuação como militar” “meu turno tinha 24 horas, e às vezes eu atendia ocorrências o dia todo, só parando por volta de 2h da manhã, quando chegava ao quartel, ia treinar e fazer cardio, dormia quando dava, sem contar que muitas vezes, durante o treino, precisava parar para atender novas ocorrências” comenta Mariana.

Um futuro em construção

O crescimento do fisiculturismo feminino no Brasil acompanha a ascensão de atletas como Mariana Senna, que representam não apenas um corpo moldado pela musculação, mas uma narrativa de resiliência e superação. Ao mesmo tempo, a modalidade abre espaço para discussões sobre saúde, feminilidade, riscos e conquistas pessoais.

Mais do que um esporte, o fisiculturismo feminino se consolida como símbolo de coragem, disciplina e da capacidade das mulheres de ultrapassar limites, seja nas arenas, seja na vida cotidiana.

 


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