Ator argentino de Jogada de Risco lamenta rivalidade no Brasil: "Me entristece"
Ramiro Martínez, que interpreta Nacho na série do Globoplay, detalha bastidores de cenas de nudez e revela “sequência muito intensa” de gravar
Publicado em 31/07/2026 às 06:54,
atualizado em 31/07/2026 às 11:13
O ator argentino Ramiro Martínez interpreta Nacho na série Jogada de Risco, do Globoplay. Ele dá vida a um problemático jogador de futebol, cujo comportamento violento esconde questões íntimas e secretas, como o intérprete comenta em entrevista exclusiva ao NaTelinha.
Na história, Nacho vive uma instabilidade emocional e se recusa a aceitar ajuda psicológica. As atitudes hostis incluem provocações homofóbicas contra Geraldo (Breno Ferreira). A cena da briga entre os dois, nus no vestiário, foi uma das mais comentadas da atração até agora.
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“Nacho é um homem que passou a vida tentando ser forte para os outros, mas nunca aprendeu a cuidar das próprias feridas”, define o ator, que gravou cenas intensas. “Ele chega ao auge do seu conflito interno e começa a se aproximar de ideias perigosas na tentativa de aliviar a dor que está vivendo.”
As sequências de nudez já repercutem nas redes sociais. No set, as gravações foram tranquilas, segundo ele. “Contamos com uma equipe incrível, e isso fez com que gravar esse tipo de cena fosse como gravar qualquer outra.”
Aos 41 anos, o argentino de Choele Choel, cidade da província de Rio Negro, realiza o desejo de trabalhar com Cauã Reymond, protagonista e idealizador de Jogada de Risco. Exibida por aqui em 2012, Avenida Brasil, que tinha o galã em um dos papéis centrais, também foi um sucesso na Argentina.
Martínez trabalhava como administrador de empresas. Ele já tem 10 anos de carreira como ator, com experiências na série El Marginal e no filme La Corazonada, ambos da Netflix, além de outras produções e peças de teatro. Em breve, poderá ser visto em outra produção brasileira, DNA do Crime.
Com família no Brasil, ele lamenta que a competição entre os dois países não seja restrita às quatro linhas. “O que realmente me entristece é quando essa rivalidade se transforma em violência ou em motivo para dividir dois povos que têm tanto em comum.”
Leia a entrevista com o ator Ramiro Martínez, da série Jogada de Risco
NaTelinha: Fale um pouco sobre os conflitos vividos pelo seu personagem em Jogada de Risco. Quais são os dilemas do Nacho?
Ramiro Martínez: O Nacho, meu personagem em Jogada de Risco, vive um conflito muito profundo dentro de si. Ele se sente extremamente desconfortável em vários aspectos da própria vida, mas não sabe como lidar com isso.
Eu costumo dizer que o Nacho é um homem que passou a vida tentando ser forte para os outros, mas nunca aprendeu a cuidar das próprias feridas. Acho que o maior dilema dele é justamente decidir enfrentar essa dor e encontrar uma forma de sair do estado em que está vivendo.
NaTelinha: Como lidou com a gravação das cenas de nudez? Elas foram um desafio para você?
Ramiro Martínez: Graças a Deus contamos com uma equipe incrível, e isso fez com que gravar esse tipo de cena fosse como gravar qualquer outra. Eu já havia conversado anteriormente com o diretor, Bruno Safadi, e estávamos totalmente alinhados sobre a proposta.
Também tivemos o acompanhamento da coordenadora de intimidade, Eduarda Azevedo, além de um set reduzido e de uma relação de muita confiança com os meus colegas de cena. Tudo isso trouxe muita tranquilidade para o processo.
NaTelinha: Há alguma lembrança, cena especial ou episódio mais marcante nos bastidores que possa nos contar?
Ramiro Martínez: Lembranças das gravações? Muitas! Foram momentos muito divertidos e prazerosos. Mas, como ator, uma das cenas mais marcantes foi justamente quando o Nacho chega ao auge do seu conflito interno e começa a se aproximar de ideias perigosas na tentativa de aliviar a dor que está vivendo. Foi uma sequência muito intensa de interpretar.
NaTelinha: Como vê a rivalidade do Brasil com a Argentina, principalmente quando falamos em futebol? Isso te afeta ou te ofende de alguma maneira?
Ramiro Martínez: Acho que a rivalidade, quando é saudável e respeitosa, faz parte da nossa relação como países vizinhos. Inclusive, acho isso até divertido. O que realmente me entristece é quando essa rivalidade se transforma em violência ou em motivo para dividir dois povos que têm tanto em comum.
Eu amo o Brasil, tenho família brasileira, sobrinhas, grandes amigos aqui e construí uma parte muito importante da minha vida neste país. Então, sim, fico triste quando tentam colocar brasileiros e argentinos como se fossem incompatíveis, porque, na minha experiência, é justamente o contrário.