Globoplay resgata minissérie com cena que chocou até Roberto Marinho
Sequência ousada de O Primo Basílio foi cortada da exibição na TV
Publicado em 11/05/2026 às 13:30
O Globoplay resgata nesta segunda-feira (11) a minissérie O Primo Basílio, que foi ao ar na Globo em 1988. Baseado no clássico romance do português Eça de Queiroz (1845-1900), o projeto chocou até mesmo o fundador e então presidente da emissora, Roberto Marinho (1904-2003).
O episódio é relatado no livro Gilberto Braga: O Balzac da Globo, escrito por Artur Xexéo (1951-2021) e Maurício Stycer, sobre a trajetória do autor de novelas. A publicação narra que, quando o diretor Daniel Filho anunciou a produção da minissérie, Roberto Marinho teria dado “um pulo na cadeira”.
“Com os olhos arregalados, e após se certificar de que não havia mais ninguém na sala, ele disse: ‘Mas, Daniel, no livro tem um minete!’”, narra a biografia. O termo, hoje pouco usual, se refere a sexo oral em mulheres.
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Em décadas de trabalho na Globo, aquela foi a única vez que o dono da Globo interferiu em uma produção de Daniel, segundo relato do diretor. Na época, ele estava no comando da Central Globo de Produções.
A referida cena foi cortada da exibição original na TV, mas consta na versão em DVD, lançada em 2007. A sequência mostra os primeiros beijos, mas termina sem que o espectador veja o rosto da protagonista. Com a tela escura, ouve-se apenas a exclamação: “Oh, Basílio!”.
Na trama, ambientada em Lisboa no século XIX, Luísa (Giulia Gam) tem a estabilidade de seu casamento com Jorge (Tony Ramos) ameaçada pela volta de seu primo Basílio (Marcos Paulo). O caso amoroso é descoberto pela empregada Juliana (Marília Pêra), que passa a chantagear a patroa.
Quando soube que Daniel Filho estava se movimentando para adaptar o romance para a TV, em 1987, Gilberto Braga (1945-2021) se ofereceu para fazer a adaptação. Para o papel de Basílio, o autor pensou em Fábio Jr., mas o escolhido foi Marcos Paulo (1951-2012).
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Para o papel principal, foram cogitados os nomes de Regina Duarte, Fernanda Torres e Malu Mader, mas quem ficou com o papel foi Giulia Gam, na época uma jovem atriz em ascensão no teatro, com apenas uma participação na TV: na primeira fase de Mandala (1987), no ano anterior à minissérie.
Elogiada no papel da vilã Juliana, Marília Pêra (1943-2015) sofreu para se despedir da vaidade ao dar vida à personagem. Com figurinos sombrios, aparência soturna e dentes estragados, a atriz chegou a se trancar no camarim para chorar e precisou ser convencida a gravar.