Confira

Santos, a cidade litorânea que moldou a história das Copas do Mundo

Da herança imortal do Rei Pelé à infraestrutura que acolhe o futebol moderno: marcos históricos que consolidam o município litorâneo como o coração do Brasil nos Mundiais


Pelé
Marcos históricos consolidam Santos como o coração do Brasil nos Mundiais

A contagem regressiva para a maior competição de futebol do planeta já começou. No próximo dia 11 de junho, a Copa do Mundo FIFA de 2026 dará o seu pontapé inicial. Pela primeira vez, o torneio contará com uma sede conjunta dividida entre três países: Estados Unidos, Canadá e México. O torneio terá recorde com 48 seleções e 104 jogos disputados em 16 cidades-sede.

A Seleção Brasileira, que integra o Grupo C da fase inicial, já tem o seu cronograma definido para buscar o tão sonhado hexacampeonato: a estreia está marcada para o dia 13 de junho contra o Marrocos, seguida pelos confrontos contra o Haiti, no dia 19, e a Escócia, no dia 24.

Enquanto os holofotes se voltam para a América do Norte e para a caminhada da Seleção Brasileira, a cidade de Santos mantém viva uma conexão especial com o Mundial.

Conhecida mundialmente por revelar alguns dos maiores nomes da história do futebol, Santos mantém uma relação única com a Copa do Mundo e com a Seleção Brasileira. Entre estádios, museus e espaços que preservam a memória de ídolos do esporte, a cidade oferece aos visitantes uma experiência que conecta passado e presente da paixão nacional pelo futebol.

A cidade abrigou e revelou os maiores craques que vestiram a camisa verde e amarela em Copas do Mundo. Ídolos eternos do "Peixe" como Pelé, Zito, Pepe e Clodoaldo foram fundamentais nas conquistas que transformaram o Brasil no país do futebol.

O Rei do Futebol defendia as cores do Santos Futebol Clube quando conquistou seus três títulos mundiais pela Seleção (1958, 1962 e 1970), um feito sem precedentes que o consagrou como o único jogador tricampeão do torneio na história do esporte.

Santos, a cidade litorânea que moldou a história das Copas do Mundo

O DNA Santista nas Copas

A identidade do município e a trajetória do Santos Futebol Clube se misturam de tal forma que é impossível contar a história da Seleção Brasileira sem passar pelas praias e gramados santistas.

Do legado de Pelé à trajetória de Neymar Jr., Santos reúne personagens e momentos que ajudaram a escrever capítulos importantes do futebol. Confira dez marcos que mostram por que a cidade ocupa um lugar de destaque na história dos Mundiais.

1. Pelé, o único tricampeão mundial da história: Santos é a cidade que acolheu e abrigou o único jogador a erguer três taças da Copa do Mundo (1958, 1962 e 1970), transformando-o no maior símbolo do futebol global.

2. A espinha dorsal da Seleção bicampeã em 1962: Na conquista do Chile, nada menos que sete jogadores do Santos FC integraram a Seleção Brasileira: Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Nenhum outro clube no planeta teve uma participação tão massiva e decisiva em uma campanha campeã do mundo.

3. Dois capitães com DNA santista: A liderança que ergueu a taça do mundo nasceu nos gramados da Vila. Mauro Ramos de Oliveira levantou o caneco em 1962 e, oito anos depois, Carlos Alberto Torres liderou a icônica Seleção de 1970.

4. Pepe e Zito, a dinastia dos bicampeões: Além do Rei, a cidade consagrou Pepe, o "Canhão da Vila", e Zito, o eterno capitão (que disputou três Copas: 58, 62 e 66), consolidando-os como lendas do esporte nacional.

5. A obra-prima de 1970 nasceu de pés santistas: Um dos gols mais bonitos da história das Copas, o quarto gol contra a Itália na final de 1970, teve DNA puramente santista. A jogada começou com Clodoaldo driblando quatro italianos, passou por Pelé e terminou na finalização precisa do capitão Carlos Alberto Torres.

6. Protagonismo nas maiores gerações do Brasil: Das conquistas que deram ao Brasil as três primeiras estrelas (58, 62 e 70), o Santos foi o fornecedor oficial de talento, consolidando algumas das equipes mais marcantes de todos os tempos.

7. A camisa 10 das Copas nasceu em Santos: Foi vestindo a camisa do Alvinegro Praiano que Pelé imortalizou o número 10, transformando-o em um símbolo mundial de criatividade, liderança e genialidade que todo craque de Copa aspira usar.

8. Base internacional única na Copa de 2014: Fora das quatro linhas, Santos foi a única cidade não-sede a abrigar duas seleções ao mesmo tempo em 2014: México (que treinou no CT Rei Pelé) e Costa Rica (que se preparou na Vila Belmiro e chocou o mundo ao chegar às quartas de final).

9. O Museu Pelé como preservação da memória: Inaugurado em 2014, no Centro Histórico, o espaço reúne o acervo mais importante do futebol mundial, conectando a trajetória do Rei diretamente com os Mundiais.

10. Neymar Jr. e a continuidade do legado: Revelado na Vila Belmiro, o craque disputou os Mundiais de 2014, 2018 e 2022, mantendo Santos conectada ao topo do futebol moderno e estendendo a linhagem de camisas 10 santistas no planeta.

Santos, a cidade litorânea que moldou a história das Copas do Mundo

Legado de 2014

Recentemente, durante a Copa do Mundo FIFA de 2014, a cidade de Santos recebeu as seleções da Costa Rica e México para a fase inicial do torneio. Por meio de uma parceria estratégica entre a Prefeitura e o Santos Futebol Clube, as duas delegações ficaram hospedadas em hotéis no tradicional bairro do Gonzaga.

A infraestrutura esportiva da cidade também foi destaque, pois a seleção mexicana realizou seus treinamentos no CT Rei Pelé, enquanto a equipe da Costa Rica fez sua preparação na Vila Belmiro. Com isso, a movimentação turística na cidade, especialmente no Gonzaga, aumentou, atraindo repórteres de diversos países e milhares de torcedores apaixonados.

Pelé, o Elo entre Santos, as Copas e a Sede de 2026

Santos, a cidade litorânea que moldou a história das Copas do Mundo
Foto: Francisco Arrais/ Prefeitura de Santos

A relação entre Edson Arantes do Nascimento e a cidade litorânea extrapola os limites do esporte. Antes de qualquer camisa, de qualquer seleção lendária ou de qualquer estádio lotado pelo mundo, o lugar favorito do Rei era a Vila Belmiro.

Enquanto o futebol moderno se acostumou a ver seus craques brilharem por gigantes europeus, Pelé conquistou o planeta mantendo suas raízes 100% fincadas no solo santista. Ele levou o nome da cidade a cada gol, transformando a história dos Mundiais em um épico de amor.

Ao longo de 12 anos e quatro Copas, ele se consagrou em 14 jogos de Copa do Mundo e marcou 12 gols, uma média impressionante de 0,86 por partida. Sua jornada foi um arco de superação e pode ser dividida em quatro atos inesquecíveis:

  • 1958: Com apenas 17 anos, Pelé chegou à Suécia lesionado. Quando entrou em campo, mudou o destino do país. Marcou o gol da classificação contra o País de Gales nas quartas, um hat-trick contra a França na semifinal e dois gols na grande final contra os donos da casa.

  • 1962: Já consagrado como o melhor do mundo, estreou com um gol antológico enfileirando a zaga do México. Uma distensão muscular o tirou precocemente do torneio, mas a forte "espinha dorsal" do Santos FC garantiu o bicampeonato.

  • 1966: Caçado em campo pela violência dos defensores europeus e diante de uma organização caótica da Seleção na Inglaterra, o Rei viveu seu momento de maior frustração, chegando a jurar que nunca mais jogaria uma Copa.

  • 1970: Para a sorte da história, ele mudou de ideia. No México, perto dos 30 anos, Pelé jogou todas as partidas e foi o maestro da "Seleção de Ouro". Ali, até os seus "não-gols" se tornaram eternos: o chute do meio de campo contra a Tchecoslováquia, a cabeçada milagrosa defendida pelo inglês Gordon Banks e o drible de corpo desconcertante no goleiro uruguaio Mazurkiewicz. O ato final veio com um gol de cabeça na decisão contra a Itália, selando o tricampeonato.

O dia em que a cidade parou

A recepção após o Tri não poderia ter sido em outro lugar senão Santos. Quando o Rei e os demais jogadores da Seleção, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Edu e Joel Camargo, retornaram ao litoral, o município testemunhou uma das maiores explosões emocionais de sua história.

O trajeto entre a capital e a Baixada Santista transformou-se em uma procissão de quilômetros. Em Santos, os heróis desfilaram em um caminhão do Corpo de Bombeiros diante de um mar de pessoas que tomou as avenidas da praia e as ruas do entorno da Vila Belmiro. Dos prédios da orla, os moradores lançavam chuvas de papéis e serpentinas sob o som incessante de sirenes e do hino do Santos. O destino final foi o gramado do Estádio Urbano Caldeira, onde Pelé treinava diariamente.

Museu Pelé - Santuário da memória

Santos, a cidade litorânea que moldou a história das Copas do Mundo
Foto: Prefeitura de Santos

Todo esse legado monumental está eternizado na geografia urbana da cidade através de um roteiro turístico. Logo na entrada do município, o visitante é recepcionado pelo Viaduto Rei do Futebol e por um monumento em formato de camisa do Santos. Até mesmo o local de seu repouso final, no cemitério Memorial, atrai reverência global.

O circuito na cidade estende-se pelas casas onde o craque morou e pelo Memorial das Conquistas na Vila Belmiro, encontrando seu ápice no imponente Museu Pelé. Inaugurado em 15 de junho de 2014, integrando os eventos paralelos da Copa do Mundo realizada no Brasil, o museu concretizou um antigo desejo do próprio craque, que costumava dizer que Santos era a sua casa.

Localizado no Centro Histórico de Santos, o espaço consolidou-se como um dos principais cartões-postais da cidade, recebendo visitantes de todos os continentes. O local reúne um acervo histórico precioso composto por camisas oficiais, bolas de jogos históricos, fotografias marcantes e documentos raros que detalham sua ligação direta com os Mundiais.

Hoje, com entrada totalmente gratuita, o Museu Pelé conta com acervo pessoal doado pelo próprio craque, com itens raros, como:

  • A Caixa de Engraxate: O item mais emocionante do museu; uma réplica da caixa de ferramentas que o pequeno Edson usava para ajudar na renda familiar em Bauru.

  • O Rádio de Pilha: O aparelho onde seu pai, Dondinho, ouviu o trágico "Maracanazo" na Copa de 1950, momento em que o menino de nove anos fez a promessa histórica: "Não chore, pai. Eu vou ganhar uma Copa para você".

  • A Coroa de Ouro: A imponente honraria oferecida diretamente pela Rainha Elizabeth II.

  • A Camisa de 1958 e a Bola do Milésimo: Uma réplica da camisa azul com gola polo usada na Suécia e a réplica da bola com a qual Pelé balançou as redes do Maracanã em 1969 para atingir seu milésimo gol.

  • Chuteiras Originais: Pares utilizados pelo Rei em jogos pelo Santos FC na década de 1960, época em que o clube dominou os gramados mundiais.
Santos, a cidade litorânea que moldou a história das Copas do Mundo
Foto: Henrique Teixeira/ Prefeitura de Santos

O espaço ainda conta com um setor dedicado às Copas do Mundo e é o ponto alto da visita. O espaço foi desenhado para contar a progressão da carreira do Rei por meio de uma Linha do Tempo Interativa.

  • Na área de 1958, destaca-se o agasalho de moletom verde original utilizado por ele no torneio, que ainda preserva as marcas do tempo e do uso.

  • No espaço de 1962, há uma coleção inédita de fotografias raras capturadas pelo fotógrafo chileno Juan Luco, além da primeira camisa do Brasil a ostentar um ramo de café no escudo.

  • No setor de 1970 exibe a mística camisa amarela número 10 usada no México e uma réplica oficial da Taça Jules Rimet, que o Atleta do Século exibia com orgulho. Além disso, o local conta com tecnologia com projeções de gols, jogadas geniais e narrações originais da época que recriam perfeitamente a atmosfera dos estádios.

O dinamismo do museu é mantido por mostras temporárias de grande relevância, como a exposição "Pepe: História, vida e glória", que celebra os 90 anos do segundo maior artilheiro da história do clube, além das exibições "Quatro Copas e Um Rei" e "Tecendo Histórias".

Para aqueles que não podem comparecer ao espaço, que funciona de terça a domingo, das 10h às 17h30, a Secretaria de Turismo, Comércio e Empreendedorismo disponibiliza uma visita virtual imersiva de todo o acervo em seu site oficial.

Neymar Jr.: A história continua

Santos, a cidade litorânea que moldou a história das Copas do Mundo

A histórica relação de Santos com as Copas do Mundo acaba de ganhar mais um capítulo emblemático com a convocação de Neymar Jr. para defender a Seleção Brasileira em 2026.

O anúncio recolocou a cidade de Santos e a Vila Belmiro no centro do futebol global. O camisa 10 do Santos FC será o único jogador atuando em um clube paulista a integrar o elenco brasileiro no Mundial, dividindo o protagonismo nacional com atletas como o goleiro Weverton (Grêmio) e o bloco do Flamengo formado por Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Lucas Paquetá, além de Danilo (Botafogo).

Aos 34 anos, o atacante disputará sua quarta Copa do Mundo ( 2014, 2018 e 2022), igualando o recorde absoluto de convocações do Rei Pelé e superando lendas santistas como Zito e Edu, que acumulam três chamados cada.

Com sua confirmação, ele se torna o 15º atleta brasileiro do Santos FC convocado para um Mundial, elevando a marca histórica do Alvinegro Praiano para 25 convocações na história das Copas. Sua ida quebra também um longo jejum institucional: fazia 16 anos que o clube não cedia um jogador brasileiro para a Seleção em uma Copa (o último havia sido Robinho, em 2010), e 12 anos desde que o chileno Eugenio Mena representou o clube no torneio de 2014.

"É muito difícil não se emocionar com tudo que passei e tudo que eles viram eu passar. Chegar e conseguir disputar mais uma Copa do Mundo é incrível. Choro de felicidade. Somos todos um só, daremos a vida para trazer a Copa para o Brasil. A gente espera fechar com chave de ouro. É ir juntos em busca do Hexa."

Neymar foi acolhido pelo Santos, clube que o revelou para o mundo em 2009, onde jogou até 2013 e conquistou títulos do calibre do Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana e a emblemática Copa Libertadores de 2011.

Nesta segunda passagem pelo clube, ele alcançou a marca de 45 jogos oficiais, 18 gols e nove assistências, além de atingir o posto de 10º maior artilheiro da história do Santos com 156 gols totais, ultrapassando os históricos Tite e Camarão.

Mais Notícias

Enviar notícia por e-mail


Compartilhe com um amigo


Reportar erro


Descreva o problema encontrado