Antonio Calloni compara personagem em Coração Acelerado com papel de Tom Hanks: "Um pouco Forrest Gump"
Ator diz ser possível combater o vício em jogo através da educação e que o machismo tem que ser exterminado
Publicado em 11/08/2026 às 07:27,
atualizado em 11/08/2026 às 10:37
Coração Acelerado chega ao fim na próxima sexta-feira (14). Em conversa com a imprensa nos Estúdios Globo, com a participação do NaTelinha, Antonio Calloni fez um balanço sobre o Walmir.
Quando recebeu o convite para a novela das sete da Globo, o ator se encantou com a história do personagem, um homem simples, que encontra um bebê na beira do rio e pega para criar.
"É um sujeitinho tosco, meio infantil. Extremamente amoroso, com uma vontade tremenda de dar certo, ele batalha para dar certo, e deve ter alguma dificuldade cognitiva também", opinou.
"Ele é muito simples, muito tosco, e isso me encantou no personagem. Principalmente, o amor que ele sente pelo filho. A generosidade que ele teve em criar essa criança desde sempre, a dedicação que ele teve. É um personagem que me encantou desde o início, quando eu soube que ele havia achado um bebê na beira de um rio e resolveu criar ele. Eu achei isso muito bonito".
Antonio Calloni

Para Calloni, o Walmir lembra o papel de Tom Hanks em Forrest Gump - O Contador de Histórias (1994), um dos papéis mais icônicos do lendário ator, e que lhe rendeu um Oscar.
"É a fragilidade dele, a precariedade dele, me atraiu muito! A vontade de dar certo, porque ele faz muita coisa sem querer. Ele salvou o grupo Alaor Amaral sem querer, Pegou o Meia-Noite [Leandro Ramos] também sem querer. É um pouco Forrest Gump nesse sentido. Então, é um personagem que me diverte muito, me dá muito prazer, eu sinto uma alegria enorme em fazer o Walmir".
Antonio Calloni
Assim como o personagem de Tom Hanks no filme, o pai de João Raul na novela também encontra um amor. No folhetim escrito por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, o Walmir se apaixonou por Irene, papel de Fernanda Pimenta.

O romance sofreu alguns altos e baixos, mas na reta final da novela eles conseguiram se acertar. Além da sociedade no Walmirene, casa de empadão goiano, o casal deu um passo também na vida amorosa e foi morar junto.
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"Eles se encontram na precariedade. A Irene também era invisibilizada pela profissão dela. As pessoas não lhe davam muita importância, é uma pessoa que, nesse sentido, se assemelha um pouco ao Walmir".
Antonio Calloni
"Só que, por ela ser mulher, ela leva uma vantagem. Eu acho que a mulher está sempre à frente do homem. Então, ela ajuda muito o Walmir a se encontrar, a encontrar esse outro lado amoroso em relação à mulher. O amor dele era muito direcionado ao filho e, através da Irene, ele descobre de novo o amor por uma mulher", disse o ator.
"Muitas famílias estão ficando endividadas por causa do jogo", Antonio Calloni

Coração Acelerado abordou através do Walmir um dos males da sociedade contemporânea que é o vício em jogos de azar. A maior prova hoje é o crescimento acelerado das bets, jogos de apostas online que de inofensivos não tem nada.
Na trama, o pai de João Raul não consegue se controlar diante de uma mesa de jogo. Aposta o que tem e o que não tem também, e acaba ficando nas mãos de um agiota, colocando em risco sua integridade e a das pessoas ao seu redor.
Antonio Calloni elogiou a abordagem na trama pelas autoras, mesmo se tratando de uma obra da faixa das 19 horas, e comemorou a boa repercussão com o público de casa também.
"Isso foi maravilhoso! Fiquei muito feliz com a abordagem. Eu recebi muitas mensagens das pessoas que tinham problemas na família, com amigos. É um assunto que a gente tem que tratar com muita seriedade, porque muitas famílias estão ficando endividadas, desesperadas, por causa do jogo".
Antonio Calloni
"É sempre importante você colocar uma luz sobre o problema, a novela fez isso e me deixa muito satisfeito, porque a gente tem que discutir muito esse assunto. E como é que a gente resolve esse assunto? Proibindo, limitando, regulando? Qual é a melhor saída? O debate tá aberto e a novela ajudou para isso", observou o ator.
Para Calloni, a solução para este e tantos outros problemas seria investir mais na educação. "A educação é o pilar básico para qualquer sociedade que queira dar certo. Então, a gente tem que investir muito em educação", disparou.
"Eu não estou falando em política de governo, tô falando em política de estado. Não importa o governo que esteja no poder. Então, se a gente investir em educação, vários problemas no país serão resolvidos. Inclusive esse que é muito grave, que é o problema do jogo", pontuou.

Outra questão levantada durante a conversa foi o machismo, também debatido no folhetim através de personagens como o João Raul que, por ter sido criado sem a uma figura feminina, e crescer em um ambiente dominado pelos homens como o do sertanejo, por muitas vezes teve atitudes reprovadas pelo público.
Calloni é enfático ao afirmar que o machismo é um dos grande males da sociedade. Além disso, o ator chamou a atenção para o aumento do feminicídio ao mesmo tempo em que a mulher caminha a passos largos pela igualdade de gênero.
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"Felizmente, tá mudando um pouco essa cultura do machismo. Ainda tem que melhorar muito, mas a gente está em um progresso nesse sentido, e eu acho que a novela mostrou muito isso. Quando você consegue quebrar, diluir essa coisa tóxica, machista, as coisas tendem a caminhar melhor. A gente tá vendo isso no mundo", ressaltou.
"A gente tá no olho do furacão, vivendo um momento caótico, porque ao mesmo tempo que as mulheres estão ganhando mais espaço, se colocando em sociedade, em termos de igualdade, o feminicídio aumenta. Temos que batalhar para que o machismo seja extirpado da face da Terra. Vamos ver se a gente consegue".
Antonio Calloni
Em rítmo de despedida, Antonio Calloni encerra a conversa revelando o que vai fazer depois que a novela acabar. "Viajar! [risos]. Viagem é o melhor trabalho que a gente pode ter. Saúde e viagem são os bens mais preciosos. Aliás, a saúde é o mais importante. O resto a gente resolve", concluiu.