Coração Acelerado: Leandro Ramos diz que rixa entre Iranildo e Palhares vem da infância: "Bolinha de gude"
Ator fala da composição do malandro, da sua experiência com o humor e da expectativa para a Copa do Mundo
Publicado em 10/06/2026 às 07:39
O convite para Coração Acelerado aconteceu tão rápido que Leandro Ramos nem teve tempo de pensar muito na composição do Iranildo. Mas o que ele precisava saber estava ali, no texto.
O primo do Palhares, personagem de Gabriel Godoy, é um tremendo de um malandro. E embora a novela se passe no interior de Goiás, o ator trouxe para o papel um pouco da ginga e da sua vivência no subúrbio carioca.

"Aquele cara que tá no mesmo boteco todo dia, na mesma padaria, tem sempre um esquema bom pra acontecer, tem sempre uma boa... Que ele vai botar alguém. Eu acho que era um pouco disso", revelou com exclusividade ao NaTelinha.
Ainda, de acordo com o intérprete do Iranildo, a competição do seu personagem com o primo é mais uma rixa de infância, de família.
"Tem uma rixa ali que não é de agora, né? Que é da infância, que é da bolinha de gude, que é para comer o último pedaço do bolo da casa da tia. Eu acho que vem um pouco desse lugar".
Leandro Ramos
Ator e roteirista, Leandro Ramos construiu sua carreira no humor. Conhecido como o Julinho da Van, no icônico Choque de Cultura (2016), tem participações no Porta dos Fundos (2012) e na série Encantados (2022), entre outros trabalhos.
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Além de Coração Acelerado, o ator de 45 anos pode ser visto também na terceira temporada de Os Outros (2026), no Globoplay. Questionado sobre o desafio de fazer humor ou drama, acredita que ambos os gêneros têm as suas peculiaridades.
"São desafios diferentes. O Drama me exige mais concentração. É o desafio de não pensar comicamente e não estar comicamente em cena, porque se eu derrapar eu saio do personagem. E na comédia o desafio é encontrar o tom para cada personagem, para diferenciá-los, para que não sejam versões de mim só", avaliou.

NaTelinha: O Iranildo é malandro, vive aplicando golpes. De onde veio a inspiração para compor o personagem?
Leandro Ramos: Eu acho que ele é um sobrevivente, sabe? Ele é um malandro carismático, meio pilantra, obviamente, porque dá volta nos outros, só que ele está tentando se dar bem, também. Ele quer o sucesso e corre atrás do jeito dele, meio torto... Apesar de a novela ser em Goiás, ter esse lugar meio do interior, do Centro-Oeste, eu tentei dobrar pra dentro dele um pouco do que eu vi na minha vivência de subúrbio do Rio de Janeiro. Do cara que tá no mesmo boteco todo dia, na mesma padaria, tem sempre um esquema bom pra acontecer, tem sempre uma boa... Que ele vai botar alguém. O Iranildo, a gente foi encontrando nesse início de preparação com a ajuda do pessoal do elenco. As intersecções entre o Iranildo e o primo Palhares, imaginando que eles cresceram juntos, que eles são aqueles primos quase irmãos. Mesma casa de vó...
O Godoy ajudou muito nessa criação de quem seria o Iranildo, porque como primo do Inácio [Palhares] a gente achou muito importante que imprimisse essa intimidade dos dois, e eu acho que conseguimos colocar na tela. Você vê que eles têm uma história, eles têm um background, eles têm uma intimidade, a gente fez umas coisas parecidas, tem umas cenas que a gente vocaliza, eu e o Godoy, tipo, uma mesma coisa, agudinha, sabe? É como se o Iranildo fosse uma versão mais picareta e mal ajambrada do Inácio Palhares.
Leandro Ramos
NaTelinha: Ele tem inveja do Palhares?
Leandro Ramos: Cara, eu acho que ele tem um pouco de inveja do Palhares, mas não sei se é exatamente inveja. Eles têm uma competição que vem da infância. Eu acho que eles competiam pela atenção da avó, para ser o primo mais legal... É mais uma competição de primo. Uma rixa familiar [risos]. Ele tem um pouco de inveja do primo porque o primo é uma versão melhorada dele. Não é só uma 'eu quero o que você tem'. A inveja tem muito desse lugar, né? Eu não acho que o Iranildo quer ser bom igual o primo, entendeu? Ele quer mostrar que ele não fica para trás. Acho muito interessante a construção dessa intimidade deles, desse lugar de... Tem uma rixa ali que não é de agora, que é da infância, que é da bolinha de gude, que é para comer o último pedaço do bolo da casa da tia... Eu acho que vem um pouco desse lugar.
NaTelinha: O Iranildo inventou o Meia-noite pra alcançar audiência na rádio. Só que o personagem tem vagado por Bom Retorno. Você acha que pode ser ele fantasiado ou alguém se inspirou na "lenda" para cometer pequenos delitos ou assustar a população?
Leandro Ramos: É, eu acho que super pode ser ele, porque do Iranildo a gente pode esperar tudo. [risos] Pode ser ele, alguém em conluio com ele, pode ser alguém se dando bem em cima da história dele para fazer os assaltos, para causar na cidade... Eu acho que pode ser tudo, e acho muito interessante esse lugar que a novela foi do Meia-noite, que remete àquelas novelas de interior antigas, tipo Cadeirudo, que são aquelas histórias maravilhosas que a gente adorava acompanhar, de "quem é o Cadeirudo”... Eu estou achando muito legal essa coisa do quem é o Meia-noite? Eu mesmo não sei se pode ser um plano do Iranildo, ou alguém se dando bem em cima da ideia dele, mas eu estou achando delicioso acompanhar e tentar descobrir quem é. Agora, até o Iranildo está com medo dele. [risos]
NaTelinha: E o interesse dele pela Duda é real ou o Iranildo atira para qualquer lado?
Leandro Ramos: O Iranildo não volta para casa com o tambor da pistola vazio, ele atira para todos os lados possíveis. [risos] Ele se acha muito "seduzente". Tem uma coisa também mal resolvida com a história do primo, que é mais bonitão do que ele, né? Muito provavelmente, as meninas davam mais em cima do primo do que dele. Eu acho que tem esse lugar também. Tudo do Iranildo passa um pouco por essa disputa, essa rixa barra, que para mim não é só uma rixa, é um amor entre os primos. É aquela rixa de primo que se ama, sabe? Só que ele é um estorvo na vida do Inácio, porque ele é trambiqueiro e o Inácio é todo certinho.
Eu acho que ele é uma versão sombria de Inácio. Então, nesse sentido, se o Inácio é certinho, ele quer ser mulherengo. Eu acredito que o interesse dele pela Duda é real, mas ele atira para todos os lados e uma coisa não anula a outra. Qualquer pessoa ali que esteja disponível o Iranildo vai tentar seduzir, seja para amar, seja para conseguir algum benefício de alguma forma. Eu acho que ele é muito solto.
Leandro Ramos

NaTelinha: O Iranildo tem jeito? Vai se tornar um cara mais responsável ou pessoas como ele não mudam?
Leandro Ramos: Eu acho que todo mundo tem jeito. Uma coisa que não é dita muito é como o Iranildo se tornou esse trambiqueiro. Na minha cabeça, em algum momento ele cansou de não conseguir as coisas do jeito certo e começou os trambiques para conseguir sobreviver, porque a gente também não sabe exatamente por que começaram os trambiques, né? Então, como muitas pessoas, talvez o Iranildo tenha sido levado e começou com golpes inofensivos para se dar bem, só que a coisa vai escalonando. Por exemplo, no show falso que ele armou... Ali, ele realmente conhecia o cantor e armou um show falso achando que ia conseguir convencê-lo a cantar. Acho que ele conhece o cantor e achou que ia conseguir agendar um show na cidade, sabe? Eu não sei dizer até que ponto ele é um trambiqueiro convicto e até que ponto as circunstâncias vão levando ele para o trambique.
NaTelinha: Você é ator e roteirista. Ganhou notoriedade no Choque de Cultura e Porta dos Fundos, que apostam no humor crítico. Este ano, antes de Coração Acelerado, participou da terceira temporada de Os Outros, série de suspense. Papéis densos são mais desafiadores do que cômicos?
Leandro Ramos: Eu fiquei muito feliz com a participação em Os Outros, porque é uma série que eu adoro e essa temporada está muito legal. Foi uma baita experiência para mim. Eu acabo, por ter aparecido no humor com "Larica Total", "Choque de Cultura"... Como eu fiz muitos programas de humor como roteirista, antes de virar ator, acabo sendo chamado para fazer comédia, e é um negócio que eu me sinto super confortável. Fazer drama e comédia são desafios diferentes. Para mim, a coisa do drama é o desafio de eu não pensar comicamente e não estar comicamente em cena, porque como eu faço muito comédia, escrevo comédia há muito tempo, se eu não me policiar, eu tendo a tentar deixar a cena engraçada. Então, nesse sentido, me exige mais concentração.
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Na comédia, o desafio é encontrar o tom para cada personagem, para diferenciá-los, para que não sejam versões de mim só. Eu adoro fazer drama! Fiz um filme em Portugal, com pré-estreia agora no Festival de Recife, que é "O Cobrador de Fraque", um longa-metragem, meu primeiro protagonista solo, meio “dramédia”. Fiz também a série do Silvio Santos, "O Rei da TV", que eu interpretava um papel dramático, era o presidente do grupo Silvio Santos. E foram desafios diferentes.
Leandro Ramos
NaTelinha: Tá animado para Copa? Acha que o Brasil traz o Hexa?
Leandro Ramos: Eu costumo brincar com meus amigos que dia de jogo em Copa, dia de Copa, eu não tomo nem banho. Eu acordo, ligo a TV e é Copa do Mundo o dia inteiro. [risos] É uma brincadeira, obviamente eu tomo banho, mas eu adoro Copa do Mundo! Adoro acompanhar os jogos., seja qual for. Pode ser Honduras e Panamá, eu estou vendo. Copa do Mundo parece ter uma aura diferente, eu adoro! Agora, não estou tão otimista não, porque eu acho que algumas seleções estão em uma prateleira acima da do Brasil. Casos da França, Espanha, Portugal, notadamente, essas três, eu acho que estão um patamar acima do Brasil. Porém, só quem tem cinco [estrelas] é a gente. Então, eu sempre acho que dá. Futebolisticamente, eu sou um otimista, mas acho que já tivemos seleções em condições melhores de ganhar a Copa do Mundo e não chegamos nem perto da final. Então, sendo realista, eu acho difícil que a gente ganhe, não somos os favoritos. Agora, aqui é Brasil, né? Deixou chegar, chegou na semi ali, aí vira 11 contra 11, correria, loucura, tudo pode acontecer. Mas estou animadíssimo para a Copa do Mundo.