Entrevista exclusiva

Elizabeth Jhin: "Nunca entendi por que a Globo não havia reprisado uma novela minha"

Autora celebra reapresentação de Além do Tempo, afirma ter recusado convites para voltar à TV e revela estar escrevendo livro sobre espiritualidade


Elizabeth Jhin
Elizabeth Jhin escreveu novelas de sucesso às 18h, como Escrito nas Estrelas e Além do Tempo - Foto: Memória Globo/Cícero Rodrigues

Com a volta ao ar de Além do Tempo, que retorna em Edição Especial a partir da semana que vem, será a primeira vez que uma novela de Elizabeth Jhin será reprisada na Globo. Mesmo com títulos de sucesso no currículo, a autora nunca teve sua obra revisitada na programação da emissora, até agora.

Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, a veterana novelista admite que não entendia por que suas criações eram preteridas. “Houve uma fase em que o tema da espiritualidade não tinha sido mais abordado em novelas, mas com a reprise de Almas Gêmeas e A Viagem isso mudou”, reconhece.

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Elizabeth Jhin se tornou roteirista na Globo na década de 1990. Colaborou com outros escritores em várias novelas e séries, foi coautora de Antônio Calmon em Começar de Novo (2004) e teve seu primeiro trabalho solo em Eterna Magia (2007), marcada pelo misticismo.

As tramas seguintes consolidaram um estilo próprio, voltado para o espiritismo, como abordagens envolvendo vida após a morte, reencarnação e elementos sobrenaturais: Escrito nas Estrelas (2010), Amor Eterno Amor (2012), Além do Tempo (2015) e Espelho da Vida (2019), todas exibidas às 18h.

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Dessas, Além do Tempo, que retorna na próxima segunda-feira (27), está entre as mais lembradas. Foram praticamente duas novelas em uma: no meio da história, o casal central, Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso), morre e reaparece em novas encarnações para cumprir missões de vidas passadas.

“É um tema que as pessoas geralmente se sentem atraídas. Descobrir ou reafirmar que ‘a vida não é só isso que se vê’ é consolador… Acredito nisso”, define a autora. Sem contrato com a Globo desde 2021, ela prefere se manter afastada da TV e revela já ter recusado convites para voltar à emissora.

O objetivo é descansar depois de décadas de trabalhos no ar. Contudo, Jhin não descarta voltar à ativa em uma obra mais curta. Por enquanto, dedica-se a cuidar de si e ao retorno à literatura – nos anos 1980, ela escreveu livros sob encomenda, alguns com o pseudônimo Renata Dias.

“Comecei a trabalhar em um projeto de um livro, sem pressa, sem pressão, vai progredindo devagar… Será dentro da temática da espiritualidade. Tenho sempre a pretensão de atingir as pessoas nesse lado tão fundamental, mas tão menosprezado ou esquecido”, adianta a escritora.

Leia a íntegra da entrevista com Elizabeth Jhin

NaTelinha: Como recebeu a notícia de que Além do Tempo será reprisada na Globo? Qual foi sua reação?

Elizabeth Jhin: Fiquei muito feliz com a reprise de Além do Tempo. Eu não esperava porque li que havia outras novelas candidatas ao horário. Foi uma ótima surpresa.

NaTelinha: É a primeira vez que uma novela sua será reprisada na Globo, mesmo algumas delas tendo feito muito sucesso. Consegue apontar o motivo?

Elizabeth Jhin: Nunca entendi por que a Globo não havia reprisado uma novela minha. Houve uma fase em que o tema da espiritualidade não tinha sido mais abordado em novelas, mas com a reprise de Almas Gêmeas e A Viagem isso mudou.

É um tema que as pessoas geralmente se sentem atraídas. Descobrir ou reafirmar que "a vida não é só isso que se vê" é consolador… Acredito nisso.

NaTelinha: O salto de 150 anos na trama para abordar a reencarnação foi um ponto inovador em Além do Tempo. Como surgiu a ideia? E como foi a recepção do público na época?

Elizabeth Jhin: A ideia de abordar essa passagem de 150 anos me veio "do nada", uma certa manhã. Eu estava naquela fase de propor uma nova ideia para o horário, já havia pensado em algumas coisas, mas nada me agradava totalmente. Quando parei de procurar com ansiedade, a ideia surgiu e me apaixonei por ela. E o público recebeu muito bem.

NaTelinha: Desenvolver duas novelas em uma, associando os personagens e as tramas das duas fases, fez desta a sua novela mais trabalhosa?

Elizabeth Jhin: Foi uma novela muito trabalhosa, mas muito prazerosa também. Tive a sorte de contar com uma equipe de colaboradores muito talentosos: Eliane Garcia, Vinicius Vianna, Wagner de Assis, Renata Jhin, Duba Elia e Lilian Garcia.

Nossas reuniões de trabalho, nossa viagem ao Sul para conhecer os vinhedos, o amor pelo projeto nos tornaram amigos para sempre.

A direção maravilhosa e inspiradíssima de Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos e equipe foi muito especial, sem falar no elenco extraordinário.

NaTelinha: Há algum episódio mais marcante dos bastidores que você guarde até hoje?

Elizabeth Jhin: Eu e meus colaboradores passamos uma semana conhecendo os vinhedos de Bento Gonçalves, Garibaldi, e esse contato com a cultura, as pessoas, a culinária nos ajudou a sentir a cor local. Foi um tempo precioso, amamos a região e as pessoas de lá. Acho que essa atmosfera de alegria e comprometimento contagiou a todos.

NaTelinha: Em nossa última entrevista, em 2023, você disse que não pretendia mais escrever para a TV. Isso se mantém? Não há chance de novas novelas, quem sabe no streaming?

Elizabeth Jhin: Não pretendo voltar a escrever para a TV aberta. Tive que recusar os convites que me foram feitos pela casa. Talvez alguma obra curta, não sei… Quem sabe ainda surge uma ideia do "nada"?!

Hoje em dia estou bem afastada da TV aberta, agora tenho tempo para cuidar de mim, assistir filmes e séries... e viajar! Trabalho desde os 18 anos e realmente chegou a hora de parar.

NaTelinha: Em entrevistas recentes, você falou sobre o desejo de lançar mais um livro. Conte-nos sobre seu dia a dia e os projetos em que está envolvida.

Elizabeth Jhin: Comecei a trabalhar em um projeto de um livro, sem pressa, sem pressão, vai progredindo devagar… Será dentro da temática da espiritualidade. Tenho sempre a pretensão de atingir as pessoas nesse lado tão fundamental, mas tão menosprezado ou esquecido.

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